Wednesday, September 1, 2010

A profecia

Na passagem pelo Brasil, pude conferir a campanha eleitoral. Mesmo fazendo força para evitá-lo, assisti até mesmo ao horário eleitoral gratuito na TV. Os meus comentários e apelos seriam desnecessários, pois os leitores deste blog não são uma boa amostra da população brasileira. Que pena! Se pudesse ao menos tirar um voto da Dilma, escreveria muito mais.

A eleição da nossa primeira presidente não surpreende. Fico mais assustado com a maioria esmagadora que a base governista fará no Senado e, provavelmente, na Câmara. Não sei se a Dilma tem intenção de fazer algo diferente, além de continuar o que Lula começou, mas ela não encontrará qualquer resistência do Legislativo. Que a nossa república democrática sobreviva!

Meus leitores também devem estar boquiabertos com o nível de algumas candidaturas, cristalizadas na figura do Tiririca. Possivelmente, receberá uma votação expressiva, podendo eleger consigo alguns deputados. O problema desse tipo de candidatura é que o seu efeito é o contrário do desejado. Acaba-se engordando a base governista, como aconteceu com o fenômeno Enéas de anos atrás.

A oposição brasileira está em frangalhos. Ou, talvez, tucanalhos. Pior do que a francesa. Na França, o PS sofre pela falta de um líder, mas possui um ideário bem definido e uma grande base eleitoral. Aqui, com raras exceções, o PSDB é motivo de chacota, o João Bobo do PT. Se continuar assim, a profecia dos 20 anos de PT no poder vai se realizar com facilidade.


Foto: A charmosa L'Isle-sur-la-Sorgue na Provence. Cidade de canais, antiquários e restaurantes.

1 comment:

Felipe Pait said...

Há alguns pontos nos quais não concordo com sua análise. A base governista não vai ser o PT, vai ser o amorfo, corrupto, e fisiológico PMDB. Que não vai aprovar nenhuma proposta do PT sem resistência, porque sabe que as propostas ideológicas enfraquecem o congresso. Por interesse próprio, vão defender a democracia parlamentar.

Mas não o voto distrital, que é a única forma de manter os políticos sob o controle do eleitor. Eles preferem essa confusão do voto proporcional, que fortalece os caciques e tiriricas. Mas também não aceitariam o voto indireto, ou em listas, que é a preferência do movimento proto-tirânico do PT.

Ou seja, a aposta mais garantida é que a democracia brasileira vai continuar se arrastando como o pior dos sistemas, exceto todas as alternativas. Como na França ou na Inglaterra.