Saturday, June 25, 2016

Serventia da casa

Uma boa parte dos almoços lá na cantina do trabalho é continuação da reunião da manhã ou introdução àquela da tarde. De vez em quando, obviamente, aparece uma conversa mais amena.

Muitas vezes, meus colegas comentam sobre seus filhos. Graças ao programa da União Europeia (UE), o  Erasmus, a maioria deles está estudando fora da Bélgica. Estudos esses que podem levar a um emprego no exterior, novos estudos num terceiro país ou até mesmo um casamento, quem sabe. Parece-me uma das melhores iniciativas da UE para se forjar uma verdadeira geração de europeus. Não foi à toa que os jovens ingleses preferiram o “remain”.

Ontem foi dia de greve geral na Bélgica. Voltar para casa de carro foi sofrível. O bom e velho rádio foi meu companheiro, quando pude ouvir a cobertura do “Brexit”. A rádio transmitia depoimentos de belgas sobre o episódio histórico. Mais decepcionante do que a decisão dos britânicos, foi ouvir tantos comentários simpáticos aos mesmos. A Bélgica é um dos maiores beneficiários da UE, por hospedar a maior parte da sua máquina burocrática. Sem dúvidas, uma fonte de riquezas para este pequeno reino. Dá para imaginar o que se passa nos outros países.

Alguns amigos brasileiros ficaram perdidos nesse debate sobre a saída do Reino Unido da UE. Os mais atentos perceberam o tipo de gente que apoia o “Brexit”. Gente da pior espécie. Fascistas, comunistas, demagogos e outros extremistas. Como em outros episódios históricos, estão aproveitando-se das pessoas mais sofridas e fazendo da UE um bode expiatório. Este belo projeto de paz e prosperidade enfrenta uma armadilha. Armadilha maior, no entando, enfrentará o Reino Unido. Afinal, para escoceses, galeses e norte-irlandeses, Londres é Bruxelas.


Foto: Finalmente, na Bretanha, objetivo das férias do verão passado. Foto de Vannes.

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