Tuesday, December 8, 2009

Trem bão

Passando pelo Brasil, uma notícia chamou minha atenção: A licitação para o trem-bala Campinas-São Paulo-Rio está a caminho. Finalmente!

Como assíduo usuário de trens de alta velocidade, faço os seguintes comentários:

1 - Falam em 8 estações. Quero crer que as estações sejam usadas de forma alternada. Ou seja, alguns trens param em São José, outros em Taubaté, outros em Resende, mas nunca mais de duas paradas por viagem. O que adiantaria um super trem que viaja a 350 km/h fazendo tantas paradas? A viagem Lyon-Paris passa por muitas estações, mas o trem vai direto ou faz apenas uma parada. O custo de se acelerar ou desacelerar o gigante é enorme! Ainda no TGV, o trem desliga os motores a uns 50 km de Lyon: O resto da viagem é "na banguela".

2 - Falam em 2h de viagem. Considerando-se que a passagem do trem bala não será barata, pois a manutenção é caríssima, por que então abandonaríamos a ponte aérea? A opção Congonhas / Santos Dumont com meia hora de viagem e meia hora de espera no aeroporto ainda é bem melhor do que a alternativa Estação da Luz / Central do Brasil. A menos que o governo feche Congonhas em nome da sustentabilidade!

3 - O BNDES vai pagar a maior parte. Não tem como fugir disso. O investimento é pesadíssimo. Se vocês leram que a empresa que opera os trens franceses (SNCF) tem lucro, saibam que o investimento nas linhas férreas está em outra empresa (RFF), que possui dívidas monstruosas. A França sabe disso. Está consciente dos custos e dos benefícios de ter a maior malha ferroviária de alta-velocidade do mundo. A opção ferroviária é uma questão de Estado.
 

Foto: Saindo da Normandia, um passeio dominical em Lons-le-Saunier, cidade da Jura, região de Franche-Comté. O teatro mostrado na foto é uma das atrações da cidade natal de Rouget de Lisle, o autor da Marselhesa.
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