Monday, March 21, 2011

Nem fóssil nem físsil

Os acidentes nucleares do Japão geraram uma onda de questionamento desta forma de energia no mundo inteiro. Na Europa, o destaque é a França, o país que mais depende desta fonte em todo o planeta (74%). Excluindo-se, obviamente, os verdes, as posições contrárias à energia atômica não são vinculadas nem à direita nem à esquerda. Vozes de todos os partidos clamam pela discussão.

Até antes do episódio nipônico, a França estava bem na foto com a sua independência energética. Trocou o fóssil pelo físsil. Areva e EDF têm apresentado propostas no mundo inteiro, vendidas pessoalmente pelo Presidente. Por incrível que pareça, as fazendas de energia eólica e solar despertavam mais controvérsias do que as usinas atômicas. Elas se instalaram de forma desordenada, gerando uma série de conflitos com agricultores e pequenas cidades.

Ao contrário da Alemanha e da Itália, que já preparam a sua despedida do átomo, a França não deve fazê-lo tão cedo. Talvez interrompa a sua expansão. Entretanto, a tragédia japonesa nos ensina, mais uma vez, que não se brinca com energia nuclear.

Apesar da imagem de seriedade da sociedade japonesa, os escândalos na gestão do seu patrimônio nuclear não são recentes. Houve uma série de pequenos acidentes em suas usinas nas duas últimas décadas. Todos convenientemente abafados. O Brasil não faria pior.

Se a energia nuclear já é uma atividade intrinsecamente arriscada, qualquer ingerência humana a torna incontrolável. Talvez, por isso, muita gente prefira nem confiar nela. Energia nuclear não combina com gestão empresarial. Combina com segurança ao extremo, redundância, controles e mais controles, etc.

Enfim, o modelo francês com duas estatais gordas e pouco preocupadas com produtividade é o menos ruim para se explorar a energia nuclear. A França poderá aumentar ainda mais seus requisitos de segurança e começar a pensar num portfólio mais variado de fontes de energia.

Se queimar petróleo e seus derivados é um crime contra o planeta, quais seriam as alternativas? A combinação de fontes de energias limpas e renováveis está aí para ficar. Também acho que um grande projeto para se diminuir as perdas no transporte e consumo da energia seria muito importante.



Foto: Um outro prédio histórico da Abadia de Fontenay (Borgonha).
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