Sunday, February 10, 2013

Best sellers


Em artigo do Estadão, Sérgio Augusto comenta a “degradação cultural no Brasil”, tomando como base a lista de best sellers. Embora concorde com muitas afirmações do autor, discordo da utilização da lista de livros mais vendidos como base para qualquer coisa.

O autor relembra o tempo em que grandes escritores brasileiros e estrangeiros ocupavam tais listas. Até o difícil Ulisses de James Joyce foi “campeão de vendas” no Brasil de tempos atrás. O que aconteceu com o Brasil?

A lista de mais vendidos é apenas um ranking. Ela desconsidera o tamanho do mercado editorial à sua época. Não faz muito tempo, Buenos Aires tinha mais livrarias do que o Brasil inteiro. Enfim, uns poucos milhares de livros consumidos por uma fração mínima da população do país faziam um best seller. Ainda não podemos nos orgulhar da leitura no país, mas a produção de livros cresceu muito.

Talvez a venda de Ulisses esteja no mesmo patamar ou tenha crescido muito pouco dos anos 80 para cá. Entretanto, outros livros de apelo mais popular vendem muito mais. Até que ponto ter Stephenie Meyer ou E.L. James como motores da indústria editorial é um problema?

Aí vai minha opinião. Não é problema! Uma parte dos leitores de “trash” vai adquirir o hábito de ler e, possivelmente, buscar títulos e autores mais relevantes. É um longo ciclo de aprendizado e renovação.

Os bons livros terão um público crescente na medida em que melhoramos a educação e o acesso aos mesmos. Listas de best sellers são um outro mundo e não devem nos envergonhar, até por que não inventamos nem Stephenie Meyer nem E.L. James.


Foto: Centro histórico de Nice.
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