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Saturday, April 5, 2014

IPEA & Cia

Foi por muito pouco que não escrevi um post sobre a famigerada pesquisa do IPEA durante a última semana. Até mesmo quando escrevia sobre a Petrobrás, pensava naquela pesquisa, que tanto repercutiu.

O relatório do IPEA sobre "Tolerância social à violência contra as mulheres" foi tomado como fidedigno e imparcial. Poucas entidades no Brasil mereceriam tamanha confiança. Se tivesse escrito um post, teria feito como todos os jornalistas, que dedicaram seu tempo à análise da pesquisa, tentaria compreender os resultados sem questioná-los.

Sob a premissa da retidão do relatório do IPEA, a última semana foi marcada por manifestações, artigos, declarações e reflexões sobre o povo brasileiro. Dessa forma, o erro e o pedido de desculpas do IPEA provocaram um grande constrangimento.

Sob os holofotes, a pesquisa está sendo desafiada. Questiona-se o método, a amostragem, a formulação das questões e, principalmente, as suas conclusões. Enfim, havia mesmo algo em comum com o post sobre a Petrobrás, uma desagradável mistura de incompetência e falta de ética.

Não podemos desprezar o grave problema brasileiro no campo da tolerância à violência contra as mulheres, mesmo sem estatísticas confiáveis. Entretanto, o ponto é que um dos nossos únicos institutos com alguma reputação, mostra-se falho e incompetente.

Governos, empresas e cidadãos precisam conhecer o país para planejar, agir e empreender programas econômicos e sociais. Não dá para se gerir um país de 200 milhões no "chutômetro" ou  no "feeling". Pesquisas e estatísticas confiáveis são essenciais para qualquer atividade organizada, sobretudo quando se trata de políticas públicas.

Devemos reconhecer que o brasileiro é um ilustre desconhecido. Não sabemos como ele vê a violência contra as mulheres. Também não sabemos o que ele pensa da Justiça, da corrupção, da criminalidade, da democracia, dos seus direitos e deveres, da religião, da sua Pátria, etc. Não sabemos quase nada!

Quero crer que o censo demográfico seja bem feito, mas o resto não merece credibilidade. Talvez seja por isso que a política esteja num nível tão ruim. Assim como a educação, a saúde e a ciência. Não duvido de que, num futuro próximo, tenhamos que recorrer a estrangeiros para entender o nosso próprio país.


Foto: Inaugurando a série de San Sebástian (País Basco), ainda das últimas férias de verão.

Sunday, November 8, 2009

Pink Waterman

No meu recente post sobre igualdade, tomei cuidado para ficar só nas minorias étnicas e não comparar os papéis dos homens e das mulheres na sociedade. Até por que, como disse uma ministra francesa, as mulheres não são minoria. Pelo contrário, são maioria!

As mulheres são maioria nas funções menos qualificadas e no emprego temporário. Mesmo com um nível de educação médio superior ao masculino, quando se trata das funções mais nobres, a sua presença diminui. E com salários menores.

O problema é complexo. A França já possui várias leis protegendo as mulheres. Talvez, o excesso de proteção seja um tiro no próprio pé. Um exemplo: As mulheres com filhos podem ficar em casa todas as quartas-feiras, pois eles não têm aulas. 20% dos dias a menos num país com praticamente dois meses de férias faz diferença!

Na primeira fase do seu governo, Sarkô tinha seu ministério igualmente dividido entre homens e mulheres. Talvez agora ele dê um belo golpe eleitoral. Seu governo igualitário, porém "macho", vai resolver o problema: A França imporá uma cota de 40% de participação feminina nos conselhos de administração das empresas públicas e privadas abertas. A medida tem ainda alguns anos para entrar em vigor. Por enquanto, já estão estudando a forma de punir as empresas que não cumprirem as regras.

As mulheres merecem, mas essas canetadas demagógicas são perigosas.


Foto: O castelo normando de Balleroy, do século XVII, passaria despercebido senão fosse cuidadosamente mantido pelo magnata americano Malcom Forbes, que o adquiriu nos anos 70. O castelo é assinado por Mansart. Os jardins, por Le Nôtre. A decoração interior ficou por conta do americano e seu especial gosto pelo balonismo.