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Thursday, May 16, 2024

Aurora surreal

 

Foi sem querer, eu juro! Acabei ouvindo a conversa da rodinha de senhoras de meia-idade que falavam aleatoriamente sobre muitos assuntos. Pessoas de boas famílias, como se dizia antigamente, o que nem sempre significa boa educação.

Não queria saber da vida delas, mas ouvi algo que me assustou. Dizia uma delas: “Vocês viram essas auroras, que coisa, né? As mudanças climáticas vão trazer muito mais surpresas, aguardem!”

Na hora, deu aquela vontade de entrar na conversa e dizer que ela deve ter faltado em muitas aulas na sua juventude. Ela sabe das tempestades solares e sabe das mudanças climáticas. Entretanto, associar as duas coisas é uma barbaridade do naipe do terraplanismo.

Não dá para esperar que todos saibam o que é uma tempestade solar em detalhes, mas o bom senso deveria funcionar. O conhecimento básico do ensino fundamental é suficiente para saber que qualquer coisa que a gente faça aqui neste planetinha não vai afetar aquela gigante esfera de fogo 1,3 milhão de vezes maior do que a Terra.

Parece bobagem, mas educação falha é o terreno fértil para os ‘influenciadores’ espalharem, por ignorância, maldade, ou ambos, as ideias mais idiotas ou maldosas do mundo. Funciona no caso acima, mas também no mundo político, social, econômico, etc.

A pessoa em questão falou besteira sobre mudança climática. Será que ela é melhor quando o assunto é Rússia x Ucrânia, Israel x Hamas, Trump x Biden, etc.? Nem quero saber.

Só a educação liberta. Vagabundos do mundo, vão estudar, por favor!


Foto: Matt Houghton via Unsplash 

Saturday, April 5, 2014

IPEA & Cia

Foi por muito pouco que não escrevi um post sobre a famigerada pesquisa do IPEA durante a última semana. Até mesmo quando escrevia sobre a Petrobrás, pensava naquela pesquisa, que tanto repercutiu.

O relatório do IPEA sobre "Tolerância social à violência contra as mulheres" foi tomado como fidedigno e imparcial. Poucas entidades no Brasil mereceriam tamanha confiança. Se tivesse escrito um post, teria feito como todos os jornalistas, que dedicaram seu tempo à análise da pesquisa, tentaria compreender os resultados sem questioná-los.

Sob a premissa da retidão do relatório do IPEA, a última semana foi marcada por manifestações, artigos, declarações e reflexões sobre o povo brasileiro. Dessa forma, o erro e o pedido de desculpas do IPEA provocaram um grande constrangimento.

Sob os holofotes, a pesquisa está sendo desafiada. Questiona-se o método, a amostragem, a formulação das questões e, principalmente, as suas conclusões. Enfim, havia mesmo algo em comum com o post sobre a Petrobrás, uma desagradável mistura de incompetência e falta de ética.

Não podemos desprezar o grave problema brasileiro no campo da tolerância à violência contra as mulheres, mesmo sem estatísticas confiáveis. Entretanto, o ponto é que um dos nossos únicos institutos com alguma reputação, mostra-se falho e incompetente.

Governos, empresas e cidadãos precisam conhecer o país para planejar, agir e empreender programas econômicos e sociais. Não dá para se gerir um país de 200 milhões no "chutômetro" ou  no "feeling". Pesquisas e estatísticas confiáveis são essenciais para qualquer atividade organizada, sobretudo quando se trata de políticas públicas.

Devemos reconhecer que o brasileiro é um ilustre desconhecido. Não sabemos como ele vê a violência contra as mulheres. Também não sabemos o que ele pensa da Justiça, da corrupção, da criminalidade, da democracia, dos seus direitos e deveres, da religião, da sua Pátria, etc. Não sabemos quase nada!

Quero crer que o censo demográfico seja bem feito, mas o resto não merece credibilidade. Talvez seja por isso que a política esteja num nível tão ruim. Assim como a educação, a saúde e a ciência. Não duvido de que, num futuro próximo, tenhamos que recorrer a estrangeiros para entender o nosso próprio país.


Foto: Inaugurando a série de San Sebástian (País Basco), ainda das últimas férias de verão.