Showing posts with label Crémieu. Show all posts
Showing posts with label Crémieu. Show all posts

Friday, April 24, 2009

Lava roupa todo dia, que agonia 3

O problema das lavanderias é o mesmo dos restaurantes, dos salões de beleza, do pequeno comércio e assim por diante. A grande parte dos seus funcionários recebe o SMIC, o salário mínimo francês:  Cerca de 1000 euros líquidos (1300 brutos).

O salário de 1000 euros é um paradoxo. Consegue desagradar empregados e patrões. Ele é insuficiente para o padrão de custo de vida local e caro para o dono de um pequeno negócio (não esqueçam dos encargos acrescentados aos 1300).  Evidentemente, ele não tem nada a ver com o de salário mínimo brasileiro. 

Talvez fosse melhor um SMIC menor, gerando mais empregos e bem menos desembolso com seguro desemprego, que aqui é bem generoso. Pois é, a França está cheia de artifícios que amortecem os efeitos catastróficos da mesma crise que joga milhões de americanos na sarjeta. 

Entretanto, o capricho keynesiano é uma trava ao dinamismo da economia. A França está condenada ao eterno marasmo. 


Foto: Voltando a Crémieu, estava devendo a foto lá do alto, de onde se avista o mercado e a cidade.

Sunday, February 22, 2009

Eu

O sugestivo título deste post revela um grande problema da humanidade. Finalmente, depois de passar ligeiramente pelos assuntos mundanos dos posts anteriores, achei um assunto de absoluta relevância.

Depois de mais de um milênio de existência, Eu, cidade francesa de 8000 habitantes situada na Normandia, está discutindo a mudança do seu nome. O lugar é conhecido dos brasileiros, pois o famoso Conde D'Eu foi Príncipe Consorte do Brasil, ou seja, genro de Dom Pedro II.

O tipo de cacófato que trouxe má reputação a Dom Gastão de Orléans (o nome do Conde é bem mais longo) também existe em francês. Para exemplificar, o prefeito da cidade d'Eu é o "Maire d'Eu"! Pior ainda, muitos eudianos passam pela seguinte situação, dialogando com um estranho:

Estranho - E onde você nasceu?
Eudiano - Eu (Pronuncia-se /œ/. Na prática, está mais para um arroto)
Estranho - Como? (Alguns diriam: Saúde!)
Eudiano - Eu, a cidade de Eu.
Estranho - Ah bom! (Acompanhado naturalmente de uma expressão de dó)

Em tempos de Internet, a cidade disputa o seu nome com o onipresente código da União Européia (EU). Enfim, o coitado do prefeito - o "Maire d'Eu" - já não aguenta mais. Isto sim é um problema do século XXI!

Tenho uma viagem para o outro lado da Mancha. Volto em uma semana. Abraços!


Foto: Crémieu e seu mercado medieval. Ao fundo, as ruínas do priorado beneditino de Santo Hipólito, do século XII, que antecedeu a própria cidade. Mais para frente, publico a vista lá de cima.

Friday, February 20, 2009

Explosão 2

A horda de desempregados pode fechar o ano de 2009 na casa de 50 milhões. Lenha suficiente para por mais fogo nos conflitos que existem no planeta. As notícias falam de muitas negociações secretas entre inimigos declarados: India e Paquistão, Israel e os países árabes, Coréias, etc. Até os turcos estão se aproximando dos armênios. Excelente! Que a Paz brinde os anos de vacas magras!

Com o petróleo em baixa, alguns incendiários habituais têm menos recursos para extravagâncias (para não acusá-los de outras coisas). De qualquer forma, ainda é muito cedo para se comemorar. Nem uma trégua formal foi assinada entre Israel e Hamas!

Estou acompanhando os melhores articulistas. Logo mais, volto a escrever sobre o assunto.



Foto: Adorei Crémieu! Pelo menos, é uma cidade que tem alguma vida aos domingos. Na foto, uma das ruas principais e o grande patrimônio da cidade: O intacto mercado medieval. Em qualquer cidade francesa - até Paris - todos conhecem o lugar onde existia o mercado central da Idade Média ("Les Halles"). Em Crémieu, ele ainda está lá. Note que o prédio rosado ao fundo, atrás do mercado, também é monumento histórico, contemporâneo do mercado.

Thursday, February 19, 2009

Explosão 1

Comentei sobre a greve geral em Guadalupe há alguns dias. Disse que o Sarkô daria conta do problema. Nós erramos! Ele ignorou o assunto. E eu não esperava que ele fosse deixá-lo de lado.

Agora, a situação é explosiva. A greve virou pancadaria e tomou ares de guerra civil. A Guadalupe poderia ser uma República de Bananas como a maioria dos seus vizinhos. Há apenas um pequeno (e ao mesmo tempo imenso) detalhe. Guadalupe é parte da França e a colônia pode contaminar a metrópole.

Sarkô acordou tarde, mas ainda acredito que ele possa consertar os problemas que assolam o domínio francês na América Central, que não são tão diferentes do resto do planeta. De qualquer maneira, ignorar colônias continua sendo a prática no século XXI.

O mais grave é que a crise transforma o mundo num barril de pólvora. Milhões de desempregados estão por aí. A Europa tinha polos de estagnação mesmo antes da crise. Qualquer incidente pode ser usado politicamente para canalizar as insatisfações populares e causar uma comoção incontrolável. Não é hora de se acender fósforos, mas de jogar panos quentes.


Foto: Domingo, visitando a cidade medieval de Crémieu (Departamento de Isère), encontrei um interessante automóvel estacionado: Um velho Citroën, a altura da cidade.