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Saturday, September 14, 2013

Damasco azedo

Quando escrevi sobre a situação síria, não falava apenas da Síria, como se tivesse alguma simpatia especial por aquele país. O que se coloca em questão é como devemos reagir em qualquer questão humanitária desse porte, diante de dezenas de milhares de vítimas.

O último parágrafo do artigo "Um mundo sem âncora", de Roger Cohen (The New York Times) é excelente:

Uma carta dirigida pelo dr. Tewes Wischmann de Heidelberg à revista Der Spiegel sobre o uso de gás na Síria, dizia: "Nossos filhos nos perguntarão o que fizemos contra esse assassinato em massa, assim como nós perguntamos aos nossos pais a respeito do nazismo. Então, teremos de baixar o nosso olhar e calar". 


Foto: Fachadas de uma rua no centro de Bruges (Steenstraat).

Sunday, August 25, 2013

Damasco


A questão síria prolonga-se acumulando dezenas de milhares de vítimas e o mundo não consegue resolvê-la. É impressionante como não temos mecanismos para sair desse tipo de impasse e reagimos muito lentamente diante de tais tragédias anunciadas.

A Síria é um caso desafiador. É um dos palcos da disputa sanguinária entre sunitas e xiitas. O Ocidente quer afastar Assad do poder, mas sabe que o regime que o substituiria seria ainda menos simpático às suas causas. De um lado temos Assad, Irã e Hezbollah. Do outro, Al-Qaeda.

Um estudioso americano propõe que os EUA perpetuem a guerra, ajudando ora um dos lados, ora outro. Quando mais durar o conflito, melhor. Bem, se tudo fosse um jogo, estaria certo. Entretanto, falamos de vidas humanas! Será que não aprendemos nada no século passado?

Felizmente, entre Estados Unidos e Europa, a maior parte luta por uma intervenção no sentido de se deter Assad com urgência. Felizmente, eles não veem xiitas ou sunitas, mas seres humanos.

A China e a Rússia apoiam abertamente o governo Assad, impedindo qualquer intervenção da ONU.  Já o governo brasileiro, numa atitude vergonhosa, faz pouco caso das vítimas e espera por um “entendimento” entre as partes.

Na prática, Brasil, Rússia e China, ajudam a prolongar essa situação. Basta os EUA e a Europa alimentarem clandestinamente a oposição a Assad, que o cenário descrito pelo estudioso americano está configurado.

Só nos resta cumprimentar a diplomacia do Brasil, da Rússia e da China por esse trabalho tão respeitoso aos direitos humanos e tão inteligente. E os sírios? Bem, enquanto eu escrevia esse post, morreram mais alguns.


Foto: Mais uma cena de Bruges.