Thursday, November 5, 2009

Égalité

O espírito igualitário da Revolução Francesa ainda me surpreende no dia a dia. Anos-luz do que eu conheci no Brasil. Só tem um detalhe: Em 1789, a igualdade foi estabelecida entre brancos. Os revolucionários de todos os naipes não prepararam a nação modelo de república e democracia para os milhões de árabes que nela se abrigariam quase dois séculos depois.

Apesar dos esforços, os bolsões de pobreza estão por aí, nas periferias de Paris, Lyon e Marseille. Nada comparado com as favelas brasileiras, mas muito longe do ideal de igualdade de outrora. Os conflitos de rua de alguns anos atrás mostraram a ferida para o mundo inteiro. A ascensão de Obama também evidenciou que falta alguma coisa no sistema francês.

Ministérios não faltam. Tem o Comissariado da Diversidade e Igualdade de Oportunidades e o Ministério da Imigração e Identidade Nacional. Este último, por exemplo, lançou um debate público sobre o que é ser francês. Apesar das críticas, muita gente o tem apoiado. Com o grande contingente de imigrantes, a questão faz sentido. Antes explorada pelo governo, do que manipulada pela extrema direita.

Já o Ministério da Diversidade tem proclamado medidas cosméticas. A França acaba de impor o CV anônimo, no qual o nome, o sexo, a nacionalidade e a idade dos candidatos são omitidos. A eficácia desta medida é questionável. Politicagem!

Integração e igualdade de oportunidades estão entre os assuntos mais complexos da humanidade. Não há soluções perfeitas. O que importa é a real vontade de se integrar as populações marginalizadas, mas sem fisiologismo, aqueles agrados que rendem votos e apenas empurram o problema mais para frente.

Foto: A última foto de Bayeux, uma tomada da Catedral Notre-Dame, do século XI. A tapeçaria de Bayeux ficou exposta na Catedral durante oito séculos.

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