Wednesday, August 3, 2011

70, 80 e 90

Muitos sistemas de numeração da antiguidade eram vigesimais. Se foram os dez dedos das mãos que inspiraram a base decimal, acredita-se que, a inclusão dos dedos dos pés gerou a base vigesimal.

Os celtas, por exemplo, usavam a contagem vigesimal. Pela via gaulesa, o francês antigo uniu a tradição celta ao latim. Na língua romana, 30 é "triginta", 40 é "quadraginta" e 50 é "quinquaginta". No francês arcaico, 30 é "vint et dis", 40 é "deux vins" e 50 é "deux vins et dis".

A partir do fim da Idade Média, a base decimal começou a vingar na França. Como o leitor pode antecipar, o francês moderno conservou alguns resquícios do passado. As dezenas 80 e 90 são, respectivamente, "quatre-vingts" e "quatre-vingt-dix". Já o número 70, ficou perdido entre o mundo decimal e vigesimal, batizado como "soixante-dix".

A Academia Francesa reconhece os numerais "septante", "octante" e "nonante". Há algumas décadas, seu uso foi estimulado como forma de simplificar o aprendizado. Mas, a tradição venceu. Como curiosidade, o francês falado na França, Bélgica e Suíça tem pequenas diferenças com relação aos numerais 70, 80 e 90:

Bélgica: Septante, quatre-vingts e nonante.
França: Soixante-dix, quatre-vingts e quatre-vingt-dix.
Suíça: Septante, huitante/quatre-vingts/octante e nonante.

Na Suíça, o número 80 é falado de três formas diferentes, conforme o cantão:

Vaud, Valais e Fribourg: Huitante
Genève, Jura e Neuchâtel: Quatre-vingts
Algumas cidades do cantão de Fribourg: Octante

Na Dinamarca e no País Basco, a numeração também manteve a tradição vigesimal, assim como em outras línguas célticas ainda vivas, por exemplo, gaélico e bretão.


Foto: Ainda no centro de Arbois, o Museu do vinho do Jura, com o seu vinhedo urbano.
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