Tuesday, March 20, 2012

O infiel da balança

Estamos perplexos com os crimes cometidos pelo "assassino da scooter" na França. Quem estará escondido pelo capacete misterioso? Um louco? Não, infelizmente, episódios como este são apenas manifestações esporádicas de sentimentos enraizados na sociedade. Não é o primeiro, e, provavelmente, não será o último.

O próprio impacto político é surpreendente. Digno de literatura.

A disputa presidencial, em sua fase final, está acirradíssima. Os candidatos são extremamente zelosos nas suas declarações, demonstrando muita solidariedade às vítimas. Entretanto, em sua intimidade, estão tensos. Muito tensos. Sabem que o atentado pode ser o fiel da balança num pleito tão disputado.

Se o assassino da scooter for um árabe muçulmano, o recente discurso xenófobo de Sarkozy será premiado. Se o assassino da scooter for um branco fanático, os franceses tomarão como um alerta contra os perigos da guinada à direita, o prêmio vai para o socialista Hollande.

Pelo esforço que a polícia francesa está empreendendo, a resposta poderá vir em breve, a tempo de influenciar o eleitor. Quem será o assassino da scooter?

Numa sociedade em crise, os sentimentos racistas e xenófobos são ainda mais exacerbados. Políticos que invocam tais sentimentos, mesmo que discretamente, brincam com o fogo. A França inventou a democracia moderna, mas ainda precisará de muito tempo para desatar o seu próprio nó.


Foto: Uma outra tomada do Navy Pier.
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