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Tuesday, June 23, 2020

O retorno


Já é hora de retomar este bom e velho blog. Nunca dei satisfação sobre a minha longa pausa. Fui desacelerando, até que parei totalmente em 2016. Os dois posts de 2017 saíram por acaso.

Em 2016, organizei minha volta para o Brasil. Foi muitíssimo corrido. Algumas pérolas do retorno serão compartilhadas com vocês em posts futuros.

Trabalhando no Brasil com uma agenda global, engatei um penoso home office. Agora, tendo vivido esta experiência de confinamento, todos entendem o que é trabalhar em casa e porque é tão desgastante. Fazia uma jornada dupla para poder trabalhar com os colegas da Ásia e Europa logo cedo. Ao final da tarde, estava exausto.

O segundo motivo está descrito no artigo que escrevi para a revista Pasmas, a convite da Helô Pait. Falar de política é necessário, mas ficou desgostoso. Leiam o artigo.

Até os próximos posts!



Foto: Praça do relógio em Lier, arredores de Antuérpia. Voltando de um final de semana em Antuérpia, passamos em Lier. A foto da pracinha era irresistível. Não achei vaga para estacionar por perto e arrisquei uma parada rápida em estilo brasileiro. Não deu outra, levei a minha única multa em solo belga. (Março 2016)

Wednesday, June 15, 2016

Fofinho

Mais uma vez, escrevendo do trem. Estou voltando de Lyon para Bruxelas na companhia da torcida da Islândia, que jogou ontem em Saint-Etienne. Os torcedores têm torcido muito: pelos seus times e pelo não cancelamento das suas viagens. Apesar dos grevistas e das manifestações, a bola está rolando.

Dada a importância da competição, o futebol divide o noticiário com os problemas políticos, econômicos e sociais. Talvez seja escapismo. Digamos que todos nós mereçamos ver um assunto diferente nos jornais de vez em quando. A reforma trabalhista na França, as suas manifestações contrárias, as ameaças de terrorismo ou a possível saída da Inglaterra da União Europeia são muito importantes, mas ninguém é de ferro.

Por falar em escapismo, os jornais belgas tiveram seu momento de ternura, quando nasceu o filhote de panda-gigante num zoológico do país. As imagens percorreram o mundo. Existem muitos poucos exemplares do belo urso fora da China e conseguir a sua reprodução em cativeiro é um feito louvável.

Entre tantos animais interessantes ou bonitinhos, nenhum supera o panda-gigante. Leão, tigre, elefante ou girafa, não tem pra ninguém! A prova está no caixa dos zoológicos. Aqueles que têm panda atraem um público maior. A história do zôo em questão, o Pairi Daiza, divide-se em antes e depois dos pandas.

Entretanto, estamos na Bélgica, onde nem mesmo uma notícia fofinha escapa da polêmica. O Pairi Daiza fica na Valônia. O nascimento do panda depertou muitos ciúmes do seu congênere de Flandres. O zôo de Antuérpia pode ser muito bem administrado e queridinho dos flamengos, mas não tem panda!


Foto: Mais uma foto nos famosos Jardins de Giverny

Saturday, December 26, 2015

Elon Musk e Jeff Bezos

Final de ano é época de se fazer um “pit-stop” no Brasil. Escrevo este último post de 2015 em São Paulo. Daqui, a visão do ano que passou é muito negativa. Somos contaminados por tantos que querem sair do país, que temem o agravamento da crise ou, simplesmente, não aguentam mais esse mar de lama. Em janeiro, volto a falar dos problemas nacionais. Hoje, não.

Hoje é dia de falar sobre algo mais positivo. E se há algo que me impressionou neste final de ano, foi a corrida espacial entre os magnatas Elon Musk e Jeff Bezos. Seus últimos foguetes subiram ao espaço e retornaram à Terra.

Vale lembrar que o projeto da SpaceX, de Elon Musk, é bem mais ambicioso. Enquanto a SpaceX coloca satélites em órbita, a Blue Origin, de Jeff Bezos, faz vôos sub-orbitais, provavelmente destinados ao futuro turismo espacial.

O reaproveitamento dos foguetes chama a atenção como caminho ideal para o barateamento dos vôos espaciais. Num mundo que clama pela sustentabilidade, faz todo sentido. Entretanto, há controvérsias. Um foguete que vai e volta precisa levar muito mais combustível, pois seu pouso é controlado e consome muita energia. O balanço energético somado à inspeção minuciosa do aparelho a cada reaproveitamento geraria um benefício muito pequeno. Apenas simbólico.

Se Elon Musk e Jeff Bezos vão baratear ou popularizar os vôos espaciais, eu não sei. O bom dessa história toda é o seu empreendedorismo, a vontade de inovar, a disposição de assumir riscos e tudo isso sem mamar nas tetas do governo. Bem, prometi que não ia falar do Brasil.

Por incrível que pareça, existem muitos Elon Musk e Jeff Bezos por aí. O problema é que eles nem sempre encontram as mesmas oportunidades. Pelo contrário, só encontram dificuldades. Estados controladores, burocráticos e insaciáveis. Bem, prometi que não ia falar do Brasil.

Elon Musk e Jeff Bezos são dois visionários e jamais se acomodam. Como diria a velha propaganda do Bamerindus, são gente que faz! Gente que faz e alimenta nossos sonhos e esperanças por um mundo melhor. A todos vocês, boas festas e um grande 2016!



Foto:  Saudações do tocador de realejo da praça central de Antuérpia. Notem que o aparelho funciona com cartões perfurados.  Bem, também não vou falar sobre a história da computação.

Sunday, April 26, 2015

Club Med

Após alguns dias sem tragédias como atentados, quedas de aviões ou jornalistas degolados, a imprensa europeia pode finalmente dar um pouco de atenção à sua vigésima sétima prioridade, os imigrantes que fogem da África.

O naufrágio da última semana pode ter sido marcante, mas o evento é recorrente. Toda semana tem algum evento trágico ligado aos africanos que tentam fugir para a Europa. Se os cadáveres africanos no Mediterrâneo não aprodecessem, já haveria uma ligação da África à Itália.

Se fui irônico nos dois primeiros parágrafos deste post, é por que começo ver muita gente perguntando-se como podemos ignorar tamanha tragédia por tanto tempo.  A pressão nos governos para uma solução humanitária aumentou.

Os países europeus não estão abertos à uma nova onda de imigração e tampouco têm uma economia em boa forma. Entretanto, os inúmeros conflitos da África e Oriente Médio tem gerado uma massa crescente de refugiados. Dá para fingir que não acontece nada longe da “civilização”, mas não à porta de casa.

Depois do terremoto do Nepal, tudo voltou à normalidade. Os imigrantes africanos que perecem no Mediterrâneo voltaram para a página 27 dos jornais.




Foto: Para fechar esta série de fotos de Antuérpia, a estátua e fonte de Brabo (soldado romano) diante da prefeitura da cidade na Grand-Place.

Sunday, April 19, 2015

Fênix

Faz tempo que não escrevo por aqui. Uma das razões é que faz tempo que não paro em algum lugar. Se tudo der certo, continuarei assim por mais alguns meses, aproveitando a primavera e o verão europeu.

Entre inúmeros compromissos, também passei pelo Brasil. Foi um “pit-stop” para renovar alguns documentos. A burocracia brasileira ainda é campeã em criar documentos que expiram em poucos anos. Por outro lado, o Poupatempo paulista funciona e os cartórios estão bem informatizados. Assim, meus problemas - que não deveriam exisitr - foram resolvidos facilmente. Criam-se dificuldades, vendem-se facilidades.

Depois de alguns meses de ausência do Brasil, a alta dos preços foi notável. Tudo que pude consumir estava mais caro, entre serviços e mercadorias. Além dos preços, vi muita gente reclamando dos negócios e da perspectiva.

Não é a economia em má fase que mais me assusta. A crise político-institucional é muito grave. O governo Dilma e a máquina petista são asquerosos. O pior de tudo é que o impeachment está longe de ser uma solução.  

Por aqui, o Brasil é motivo de chacota. Piada sobre a corrupção generalizada, piada sobre a Petrrobrás, piada sobre o crescimento e assim por diante. Melhor mesmo voltar às piadas do 7X1.

Com todas as ressalvas a este governo incompetente e corrupto, estou naquela fase de ter que defender o país como um todo. Afinal, o Brasil é muito mais do que um bando de esquerdistas mafiosos.

Para defender a honra nacional tenho apelado para chavões como: “é só uma fase ruim”, “a gente vai dar a volta por cima”, “governos sobem e caem”,  “depois da tempestade vem a bonança”, “vamos renascer das cinzas”, etc. Que assim seja.


Foto: Fechando a série sobre Antuérpia, um detalhe encravado no casario típico flamengo.

Monday, March 30, 2015

Notícias

Confesso que comprei uma revista brasileira de passagem por Lisboa. Depois de tanto tempo sentido o que acontece no Brasil pelas redes sociais e com raras olhadelas a alguns sites de jornais, queria uma outra perspectiva.

Felizmente ou infelizmente, todas as minhas fontes são consideradas pelos petralhas como “mídia golpista”. Ou seja, continuo “desinformado”!

Faço questão de cumprimentar e solidarizar-me com (quase todos) vocês, que estiveram na Paulista, bateram panelas e não arredaram o pé. Visto de fora, é algo impressionante. Estive no Brasil nos dias que antecederam o segundo turno. Praticamente, é o mesmo clima. Já são alguns meses de resistência.

As notícias do naufrágio do PT e do governo Dilma chegam aos principais veículos da imprensa europeia, mas não dá para se ter a menor ideia do que acontece por aí. Além do mais, sempre houve uma simpatia dos jornais à esquerda pelo Lula “et sa dauphine” Dilma. A ficha demorou para cair.

Esses escândalos infindáveis sempre incomodaram-me. No Brasil, acabava acompanhando e envolvendo-me. Sem dúvidas, uma fonte de stress. Não deve ser fácil para muitos de vocês ouvirem todas essas notícias dia a dia.

Ainda estou correndo com alguns trâmites burocráticos relativos à expatriação. Já vivi isso antes e dá um certo trabalho.  Para compensar, o inverno foi bem mais tranquilo do que eu imaginava e pude conhecer muitas cidades belgas. E mesmo quando chove, porque não pegar chuva num florão medieval flamengo?


Foto: A estátua do gigante Wapper, personagem do folclore flamengo, diante do Het Steen, uma fortaleza medieval, no centro de Antuérpia.

Sunday, March 8, 2015

Uber

O Uber é sinônimo de baderna. Ele causa greves, manifestações e agressões. Na última semana, cruzei com uma paralização de taxistas protestando contra o Uber em Bruxelas. O congestionamento engoliu a minha habitual folga para chegar aos aeroportos e estações de trem. Não perdi o trem por alguns segundos.
  
Depois dessa, dá mais vontade de continuar usando o Uber. O serviço é de primeira. Na grande maioria das vezes, chega um carrão limpo e cheio de serviços como revistas, wi-fi, garrafa d’água e balas. O motorista, chamado Mohamed em um terço das vezes,  é muito mais gentil do que qualquer taxista de frota. O melhor de tudo é que sai bem mais barato.

E quem disse que aquele Mercedão é do Mohamed ? Não é mesmo. Ele o aluga por alguns dias e roda o máximo atendendo aos usuários do Uber e fazendo uns trocos.

Acredito que a contribuição mais nobre  do Uber seja quando há um real compartilhamento de veículos (a boa e velha carona) e não apenas a substituição dos motoristas de taxis. Isso sim faz um bem maior para nossas cidades.

O Uber é obviamente injusto com os táxis, que  submetem-se a fiscalizações e regulamentações, quando não pagam uma fortuna pelo ponto. Só resta-lhes uma vantagem, podem andar nos corredores de ônibus e bondes.

Tá com pena deles? Eu não.

Internet é isso mesmo. Desintermediação e ruptura são palavras de ordem. Não se solidarizem com os taxistas.  Melhor mesmo é ficar de olho nas nossas profissões e mercados. Amanhã, poderemos ser os taxistas de um outro Uber.  



Foto: Mais uma cena do centro de Antuérpia.

Sunday, March 1, 2015

Petróleo barato

De uma maneira geral, todos sabem quem ganha e quem perde com o petróleo barato. Os consumidores norte-americanos e europeus ganham. A China e o Japão ganham. A Rússia, a Venezuela e os países árabes da OPEP perdem. E o Brasil, ganha ou perde? Quem sabe?

Não tenho acompanhado as notícias de perto para arriscar um palpite. O preço do combustível ao consumidor nunca acompanhou as oscilações internacionais. A Petrobrás sempre foi usada como um braço do governo (não só para roubar). A autosuficiência é uma história antiga, mas cada ano tem uma desculpa diferente para se importar petróleo ou exportar excedentes a preço de banana.

A verdade é que, independentemente das razões, boa parte do mundo comemora a baixa do combustível. As combalidas economias europeias ganham fôlego. Os EUA solidificam a retomada. E o Brasil, mais uma vez, fica de fora.

Ninguém sabe quanto tempo vai durar essa fase de baixa. Apesar de estar ancorada no crescimento da extração de gás nos Estados Unidos, a queda provém de uma decisão da Arábia Saudita, no sentido de preservar seu mercado ou “quebrar concorrentes”, como arriscam alguns jornalistas.

Em briga de elefantes, sobra para a grama. O nosso pré-sal, por enquanto, é grama. E se o petróleo permanecer barato, o projeto do pré-sal torma-se inviável. Mais um rombo bilionário na breve história do petróleo brasileiro. Incompetência e corrupção andam sempre juntas.





Foto:  Passeio de final de semana em Antuérpia. Na bela Grand-Place, céu azul e temperatura próxima de zero.