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Saturday, March 22, 2014

Voando

Não! Este não é mais um texto sobre o sumiço do avião da Malásia.

Não pude acompanhar o trágico evento como gostaria. Na Europa, todos os holofotes estão sobre a Rússia. Nem por isso, fui poupado de ouvir as mais absurdas teorias sobre o destino do vôo MH370. Sem comentários.

Este post só está saindo por causa de outro incidente aéreo. Sobrevoava o Atlântico a caminho do Brasil, quando o piloto percebeu algo errado. Meia volta volver! De volta para o ponto de partida. Tudo bem, não foi a minha primeira vez e nem será a última.

A tripulação sabia que era muito provavelmente um alarme falso. Mesmo assim, seguindo as normas de segurança, passamos por um  daqueles pousos de emergência cinematográficos.

Passado o susto, o castigo é voltar para um hotel de aeroporto sem as malas e esperar pela liberação da aeronave. Disse para uma família brasileira: melhor assim do que no vôo MH370!

O castigo é relativo. Depois de duas semanas em hotéis centrais de Paris e Bruxelas, hotel de aeroporto chega a ser um alívio: quartos maiores e mais modernos, isolamento acústico e térmico, etc. Nas últimas duas semanas, vivi aquelas situações típicas das cidades do Velho Mundo:

1) Quartos pequenos - Entra você ou a mala!
2) Ar condicionado só funciona no verão -  Se esquentar um pouco mais no final do inverno, azar seu!
3) Banheiros europeus são planejados para os comedidos banhos europeus. Banho de brasileiro significa inundação total!

Depois de acabar esse texto, ainda terei um tempinho para trabalhar e assistir ao noticiário local. A coisa está quente por aqui. Amanhã tem eleições municipais na França e a questão russa inspira muita discussão.

Os debates na TV tem sido ótimos. Num deles, a conversa começou na Criméia, passou pelo Kosovo, entrou na Catalunha e terminou na Escócia. Mais ou menos como este post, que começou na Malásia, passou por Paris e Bruxelas, e termina na Rússia. Falando sério, é fácil entender por que essas questões de soberania e secessão assustam muita gente por aqui.


Foto: O Rijksmuseum de Amsterdam visto por trás, onde uma grande praça integra outros espaços culturais como o Museu Van Gogh.

Monday, March 17, 2014

Criméia

Estou em viagem, daí a dificuldade de escrever novos posts. Entretanto, daqui de Paris, não dá para ignorar a Criméia. Se você não sabia nada sobre a Criméia, não se envergonhe. Muita gente também não sabia!

Na França, tem que ser muito tapado para ignorá-la. Em Paris, há várias referências à região, palco de uma das guerras do século XIX: Boulevard de Sébastopol, Pont de l’Alma, Malakoff (comuna), Estação Criméia (metrô) e ainda a Avenue de Mac-Mahon, em homenagem ao comandante da campanha francesa.

Na Guerra da Criméia, o Império Russo foi derrotado pela França e seus aliados: Reino Unido, Império Otomano e Reino da Sardenha. Os militares consideram-na como a primeira guerra moderna. Ainda não havia aviões, mas a artilharia se tornou muito mais eficaz do que as armas brancas. Foi também a primeira guerra com extensa cobertura jornalística.

A transmissão das imagens da guerra direto do front causou impacto. Lamentavelmente, sabemos que a comoção não foi suficiente para se evitar novas guerras e a grande tragédia do começo do século passado.

Nesse aspecto, a Europa mudou. Ninguém mais quer morrer pela Criméia. Isso é ótimo! Por outro lado, temo que reajamos tardiamente diante de autocratas assassinos. E se a Rússia não se contentar apenas com a Criméia?

A história da Criméia, da Ucrânia e de vários países próximos é especialmente complicada. Desde os tempos mais remotos, a região ficou à margem dos grandes impérios, virando saco de pancadas de todos eles. Até o século passado, qualquer mudança de poder, assim como essa que presenciamos agora, era acompanhada de vingança, para não dizer limpeza étnica.

Ao longo da história tão turbulenta desses países da Europa Oriental, as maiores vítimas foram as suas minorias, sempre usadas como bodes expiatórios na briga de cachorros grandes: Judeus, tártaros, ciganos, armênios, etc.

Desejo melhor sorte a elas e os russos que se danem!


Leia também: É o amor!


Foto: A réplica do “Amsterdam” no Museu Marítimo. Trata-se de um cargueiro do século XVIII da Cia. Holandesa Das Índias Orientais.