Showing posts with label CBF. Show all posts
Showing posts with label CBF. Show all posts

Wednesday, May 7, 2025

O que há numa cor?



Quando vi a discussão em torno da cor da camisa da seleção brasileira, pensei comigo: o mundo desabando, e estão preocupados com isso?

Para mim, o futebol deveria ser tratado com o mesmo rigor que o governo aplica a qualquer empresa: como um mero contribuinte. Sem favores, sem regimes especiais, sem pejotização. E se um jogo danificar qualquer bem público, que mandem a conta aos respectivos clubes. Nesse sentido, podem usar o uniforme que quiserem. A gente até torce, mas faço questão que todo jogador, clube e empresário paguem seus impostos como qualquer outro cidadão.

A conotação política das cores pouco me interessa. Perdi qualquer preconceito quando fui a um jogo do time de rúgbi parisiense — que joga de cor-de-rosa. Pensando no futebol apresentado ultimamente pela seleção, sugeriria o marrom. Ou, mais diretamente: cor de merda — como sugere a imagem logo abaixo.

O ponto mais interessante dessa polêmica é o prisma da CBF e da Nike. Percebendo que o contexto político atrapalha (e muito) a venda da tradicional "amarelinha", decidiram lançar um produto que agradasse ao outro lado. Assim, o par de camisas — amarela e vermelha — poderia voltar a mirar um mercado mais compatível com o tamanho do Brasil.

Do ponto de vista mercadológico, faz sentido. Mas esse movimento tem um preço. Mais do que isso, colocar lenha nessa fogueira pode gerar desgaste para a marca. Se eu fosse a Nike, não criaria a vermelha — tiraria a amarela.


Link para artigo do Guardian sobre o tema


Imagens: Foto de cima — seguindo a sequência iniciada no último post — é do centro de Meissen (Alemanha), cidade célebre pela produção de porcelana. A imagem abaixo foi gerada por IA pelo Gemini.



Sunday, October 13, 2013

Le cirque des ténèbres

Dizem que a série A do campeonato brasileiro de futebol está muito equilibrada ou nivelada por baixo. Eu digo que a atual classificação é a cara do Brasil! Nada mais coerente com a nossa realidade social, política e econômica.

Os quatro times a serem rebaixados são nossos miseráveis. Os demais 12 times, que ainda não descartam a possibilidade de rebaixamento, são aqueles que saíram do status de pobreza absoluta graças aos programas sociais, mas ainda estão longe de ser uma classe média de verdade. O Cruzeiro, isolado lá na frente, representa a nossa elite, a classe A mais um bom pedaço da classe B.

Os clubes agem com a mesma ética dos nossos partidos. Preparam as desculpas para um eventual rebaixamento, começam a buscar bodes expiatórios. Culpam a tabela, o campeonato, o calendário gregoriano, a semana de 7 dias e assim por diante.

Um grande clube paulistano fala de cansaço. Eu entenderia se o Cruzeiro alegasse cansaço, mas quem namora o rebaixamento desde o início do campeonato não tem a menor condição moral de fazê-lo.

Muitos criticam a falta de planejamento. A fórmula de 20 times cruzando-se em dois turnos é universal. Sabemos de antemão todos os 38 jogos e as suas datas. O que mais querem? Combinar os resultados?

O problema do futebol é o problema do Brasil: incompetência e corrupção. Não há fórmula que resista a esses dois males.

Não ligo se meu time for rebaixado e nem se o Brasil não for campeão em 2014. Porém, não posso concordar com a CBF, quando diz que o futebol não depende do governo. É uma piada de mau gosto diante dos gastos com a Copa do Mundo.

Além de tudo, as transações de jogadores são fraudes explícitas ao Fisco e quase ninguém nesse mundo paga os mesmos 27,5% (teto) que são descontados implacavelmente do meu e dos seus salários.

Nosso circo preferido está ficando muito caro!



Foto: Ainda em Bruges, nas proximidades do "begijnhof" local, uma espécie de condomínio de beatas. Talvez, elas ainda acreditem na seriedade dos clubes de futebol.