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Saturday, January 9, 2010

Copa, TV e cultura


Os editores franceses faturam anualmente 5,0 bilhões de euros com livros. No Brasil, o número é próximo de 1,3. No cinema, é a mesma coisa. O blockbuster de 2009 dos dois países foi "A Era do Gelo 3". Na França, o filme faturou 70 milhões de dólares e no Brasil, 45. Os números seriam aceitáveis se não fosse a enorme diferença de população entre os dois países: A França tem 65 milhões de habitantes e o Brasil está a caminho dos 200.

Enfim, comparar indicadores culturais do Brasil com os países da Europa ainda é uma covardia. O notável progresso econômico recente do Brasil empolga muita gente e é digno de comemoração, mas não nos esqueçamos que ainda há muuuuuuuuuuuuuito a se fazer.

Eu consegui achar uma quase exceção nesse atraso cultural brasileiro. Em se tratando de televisão, o domínio da Globo, a paixão pelo futebol e a massa de telespectadores produzem um senhor efeito de escala. Enquanto a Globo enche os seus cofres em ano de Copa, a TV francesa mal consegue viabilizar o pagamento dos direitos de transmissão do evento. Depois de muita negociação, os canais privados e públicos dividiram a conta para viabilizar uma operação sem lucros. Também, quem é que se empolga com a seleção francesa? Resta saber se futebol é cultura.


Foto: A vila de Grignan, ao pé do castelo. Com as cores e pedras típicas do sul da França.

Thursday, January 7, 2010

Vacinados

O ano de 2010 começou muito agitado por aqui. Apesar das baixíssimas temperaturas, raramente positivas, a atividade política e a pressão sobre o governo continuam altíssimas.

Depois de algumas derrotas, o governo francês começa 2010 com um daqueles escândalos típicos gauleses: Excesso de doses de vacinas contra a gripe A. Para uma população de 65 milhões, o governo comprou 94 milhões de doses. Usou apenas 5 milhões. Além disso, a França tem um terço do estoque mundial de Tamiflu.

Roche, GSK, Sanofi e Novartis agradecem. Obviamente, a brincadeira vai sair cara para o povo francês: Bilhões! Depois do vexame, resta a renegociação com os laboratórios e a possibilidade de revenda para outros países. Egito, Ucrânia e outros estão na fila.

Enfim, países desenvolvidos extremamente burocratizados e socializados também pecam. Mais por excesso do que por falta.


Foto: Ainda na Drôme, a meia hora da Universidade do Vinho, visitei o Castelo de Grignan. Local muito famoso pelas festas aristocráticas do século XVII em diante, principalmente aquelas organizadas pela Marquesa de Sévigné. O castelo original é do século XII e uma boa parte dele está em ruínas.