Showing posts with label Guilherme Conquistador. Show all posts
Showing posts with label Guilherme Conquistador. Show all posts

Sunday, November 1, 2009

Bayeux

Pela imagem do antigo seminário de Bayeux (foto acima), não podemos deduzir o que ele esconde. Na viagem pela Normandia, em pleno mês de agosto, foi o único lugar em que enfrentei fila. Meia hora de espera! Nem o Monte Saint-Michel tinha fila.

O local abriga a famosa Tapeçaria de Bayeux, um bordado do século XII, com 70 metros de comprimento, que conta um capítulo importante da história: A conquista da Inglaterra pelo normando Guilherme em 1066. Antes da conquista, ele era Guilherme o Bastardo. Depois, Guilherme o Conquistador. "Quelle différence!" Depois dele, ninguém mais tomou a Inglaterra.

O museu abriga basicamente a tapeçaria, que leva pelo menos 40 minutos para ser vista. A peça de lã está muito bem conservada e, sem dúvidas, merece a visita.

Encontrei um vídeo muito interessante, com uma versão animada:
Clique aqui http://tinyurl.com/yextpud

Para uma descrição das cenas:
Clique aqui http://tinyurl.com/4rmdsj

Para o site oficial:
Clique aqui http://tinyurl.com/yjqgjd6

Como eu já havia antecipado, uma parte desta história está viva até hoje. O idioma inglês incorporou milhares de palavras latinas pela influência normanda. Por alguns séculos, a Inglaterra ficou dividida em termos linguisticos: Os nobres falavam francês e latim. A plebe, inglês. A tapeçaria, por exemplo, tem texto em latim.

O detalhe é que Guilherme não falava exatamente francês, mas normando. Entre as diferenças mais conhecidas entre o francês e normando da época, o G e o W: Guillaume X William, guerre X war, garde-robe X wardrobe, guarantie X warrant, etc. Notem que, neste último caso, o inglês absorveu a palavra warrant do normando e, tempos depois, guarantee, direto do francês. Os exemplos não param por aí. Já o meu post, termina aqui. A propósito, em inglês: finish (origem latina via francês), terminate (origem latina direta) e end (origem germânica).

Friday, October 23, 2009

The Ugly, The Bad and The Worse - Parte II

Paquistão 2002

Poucos meses depois do 11 de setembro, um grupo de franceses chega a Karachi. São onze engenheiros navais que dão assistência técnica como parte do acordo de venda de submarinos ao Paquistão, ocorrido em 1994. Uma violenta explosão mata todo o grupo. Todos apontam para o terrorismo islâmico, sendo o suspeito número um, a Al-Qaeda.

O Paquistão conseguiu localizar e condenar alguns dos envolvidos. Mesmo assim, o atentado foi muito estranho. Um grupo de engenheiros franceses no Paquistão não era o alvo típico do terrorismo islâmico em 2002. O mistério tortura os parentes das vítimas até hoje .

Anos depois, a própria investigação trouxe mais detalhes. A França vendeu os submarinos ao Paquistão graças a polpudos subornos às autoridades locais. Subornos pagos à vista e a perder de vista. A prática era tão aberta que até constava no contrato. Porém, um acordo da OCDE de 2000 tentou banir esta forma de corrupção tão globalizada. Com o governo francês comprometido com as novas regras, a mesada dos milicos paquistaneses foi suspensa. O atentado de Karachi foi pura vingança. Nada a ver com a Al-Qaeda.

Bem, a história não é das mais dignas. De qualquer modo, a França corrigiu uma prática incorreta. Então, por que esconder a verdade sobre o atentado durante anos? Por uma razão simples, isso não é tudo. E se é difícil conseguir provas de escândalos que acontecem só em Brasília, imaginem buscá-las no democrático Paquistão.

Há evidências de que o mensalão do Paquistão tenha sido "superfaturado". Ou seja, suponhamos que os oficiais daquele país tenham solicitado um suborno de X. A França deu 2X, com a condição de que eles devolvessem X numa conta secreta. A tal conta serviu para financiar campanhas políticas, em especial, a de Édouard Balladur, candidato presidencial em 1995 contra Jacques Chirac. Notem que o esquemão de financiamento de campanhas é o mesmo no mundo inteiro.

Que sujeira, hein? Ainda assim, o Balladur é coisa do passado! Por que tanto segredo? Não seria melhor ter jogado limpo e contado tudo para as famílias e o povo. O pequeno detalhe é que o tesoureiro de campanha do Balladur e arquiteto da operação era ninguém menos que Nicolas Sarkozy.

Enfim, uma história trivial do mundo político atual, que ganhou um toque trágico e veio à tona por causa dos onze mortos. Quanto ao Sarkô, ele jura que não sabia de nada.


Foto: Em Caen, o castelo de Guilherme, o Conquistador. O castelo é contemporâneo ao histórico feito de Guilherme, a tomada da Inglaterra. Evidência ainda viva desta conquista é o próprio idioma inglês, que absorveu uma enormidade de palavras latinas, pela via normanda. A construção quase milenar ocupa uma grande área no centro da cidade. De fato, é um dos maiores castelos da Europa com 5,5 hectares. Foi especialmente danificado durante a Guerra dos Cem Anos e a II Guerra Mundial. Hoje, é um grande espaço cultural, com Museus e exposições.


Sunday, October 4, 2009

Normandia

A partir de hoje, as fotos da minha passagem pela Normandia no final de agosto ilustrarão os posts. Não posso dizer que foi uma ótima surpresa, pois viajei com dois volumes do Guia Michelin sobre a região. Sabia que tinha muita coisa para visitar.

A França possui duas regiões que compõem a Normandia histórica: Alta e Baixa Normandia. Com poucas exceções, minha viagem concentrou-se nos departamentos de Calvados (Baixa) e Sena Marítimo (Alta).

Um dos meus desejos era fazer o circuito do desembarque da Normandia, um evento histórico ímpar. Este ano, Obama veio ao memorial americano celebrar os 65 anos do Dia D. Vendo o evento pela TV, pensei: Também vou!

Fiquei num hotel na célebre Omaha Beach, que concentrou o desembarque americano. O circuito do Dia D espalha-se pela costa normanda, são dezenas de pequenas atrações a serem visitadas.

Se em 6 de junho de 1944, ingleses e americanos invadiram a Normandia para salvar a França e o mundo, quase mil anos antes, foi um normando que invadiu e tomou a Inglaterra. Pois eu também fiz o circuito relativo a Guilherme, o Conquistador.

Além dos dois circuitos, castelos, praias, falésias, cidades como Honfleur, Deauville, Bayeux, Caen e, um pouco mais distante, o Monte Saint-Michel.

Na foto de abertura, com direito a uma gaivota figurante, uma das falésias de Etretat, no Canal da Mancha.