Sunday, March 22, 2009

Greve Geral 1

Semana de greve geral. Apesar da paralisação gigantesca, foi garantido um nível mínimo de serviço. Eu arrisquei e voltei de Paris para Lyon em pleno dia de greve. Deu tudo certo. Só não foi mais perfeito e tranquilo do que um dia normal, pois os transportes públicos de Lyon aderiram em massa e eu fui para casa a pé.

Os motivos para o protesto são evidentes. Se a população está consciente de que a crise é muito mais ampla do que a França ou a Europa, ficam dúvidas se o governo está fazendo tudo o que pode para amenizar o seu impacto. Há controvérsias. Eu mesmo arriscava que o governo está cumprindo o seu papel, dobrando o déficit público, que já era grande.

Alguns problemas europeus são mais antigos do que a crise. Lembrem-se das greves e das rebeliões dos subúrbios franceses dos últimos anos. Muitos negócios já andavam muito mal.

Um artigo de Paul Krugman no NY Times ("A Continent Adrift") deu uma terrível resposta às minhas dúvidas. Para ele, a Eurolândia deixou os países com as mãos atadas para gerir uma crise desta natureza. Todos dependem de decisões em comum acordo, da burocracia de Bruxelas e do Banco Central Europeu.

Traduzindo o texto de Krugman numa linguagem mais simples: Os Estados Unidos podem estar mais doentes que a Europa, mas a junta médica americana está trabalhando. Na Europa, ainda estão discutindo qual é o melhor médico para tratá-la. Benvindos ao mundo dos eurocéticos!

Se uma greve geral a mais ou a menos não significa muita coisa, as consequências desta crise podem ir muito além de um ano difícil.


Foto: Château de Pierre de Bresse, na Borgonha, no último sábado do inverno. O castelo do século XVII é muito bonito por fora. Por dentro não tem mais nada do mobiliário original, hospeda um museu regional.
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