Wednesday, April 14, 2010

Sobre húngaros e zingaros

Não vou falar sobre o Sarkozy, mas sobre o país do seu pai, a Hungria, que teve eleições nesta segunda-feira. Levei o Monde de domingo para ler no TGV. Havia dois artigos sobre a Hungria. Curiosamente, assinados por jornalistas diferentes e em seções diferentes. Até achei que tinha misturado o jornal de sábado com o de domingo!

O Editor não salientou a ligação dos dois. Um era sobre os ciganos. Outro, sobre os húngaros étnicos espalhados pela Europa Oriental. Eles revelam uma escandalosa incoerência da extrema direita húngara, que está longe de ser exclusividade daquele país.

Após a Primeira Guerra Mundial, com o desmembramento do Império Austro-Húngaro, a nação húngara histórica foi dividida em pedaços. Os húngaros étnicos espalham-se por países como a Romênia, Eslováquia e Ucrânia.

A extrema direita húngara evoca a grande nação de outrora. Sonha com a redenção dessas minorias supostamente mal tratadas, com a sua emancipação e, quem sabe, com a reconstrução da grande Hungria.

Até aí pode parecer uma pequena loucura. Mas é muito pior. Ao mesmo tempo que reclamam da sorte dos seus irmãos espalhados pela Europa, castigam e maltratam a maior minoria do seu país, os ciganos. Na União Européia, existem 9 milhões de ciganos, sendo que um grande contingente está entre Hungria e Romênia.

Os ciganos húngaros são marginalizados. As agressões verbais e físicas são uma constante. São sacos de pancada. A extrema direita húngara não para por aí. Na campanha, usou e abusou do discurso antissemita para justificar os males do país. Seja com o comunismo ou com o capitalismo, para eles, o culpado é sempre o mesmo.

Abril de 2010: A extrema direita conquistou pouco menos de 20% dos votos.


Fotos: Ainda em Biarritz, duas vistas do famoso rochedo que destaca-se na orla. Acima, num entardecer encoberto. Abaixo, entre duas villas.



Post a Comment