Saturday, January 22, 2011

Dominó árabe

Enquanto a imprensa nacional cobria a tragédia provocada pelas chuvas no Rio, na França, um destaque da mesma proporção era dado à revolução tunisiana. A queda do ditador Ben Ali, fato inédito no mundo árabe, é muito positiva e há razões de sobra para celebrá-la.

Esperamos que a Tunísia encontre o seu caminho para um regime mais democrático. Entretanto, nada garante que esta conquista seja imediata. A derrubada de regimes autocráticos deixa um vácuo de poder e gera conflitos sangrentos entre grupos políticos locais.

A possibilidade de substituição do regime anterior por um outro hostil ao Ocidente também existe. O governo da França, por exemplo, foi desmoralizado por apoiar Ben Ali até seus últimos momentos. Como a Tunísia é um dos países mais "estáveis" da região, com bom nível educacional, tradição secular e intensa cooperação com a Europa, acredita-se fortemente num triunfo democrático.

Daqui para frente, o problema é a influência desta revolução nos países vizinhos. Pode ser o empurrãozinho que faltava para a queda em massa de ditadores de outros países, onde os movimentos islâmicos estão muito mais organizados, como Argélia e Egito. Aí sim, teríamos um quadro bem mais conturbado, que certamente interferirá no equilíbrio das regiões vizinhas (Oriente Médio, Sahel e África Central), para o bem ou para o mal.

E viva o Twitter, o Facebook e o Wikileaks pelo papel chave que tiveram na Tunísia!


Seguindo a recomendação do post anterior, ficarei ausente por alguns dias, me alimentando em cidades mais interessantes e mais econômicas que São Paulo. Até breve!




Foto: Uma outra tomada do centro de Cingapura, a partir do hotel Marina Sands. O céu cinzento e as tempestades de verão perduraram durante a minha passagem. Alguém já viu isso? Notem o estádio de futebol à direita. Será que podemos apresentar um desses à FIFA?
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