Saturday, January 8, 2011

Espionando a Renault

Casos de espionagem corporativa raramente são notícias de primeira página. Afinal, uma empresa espionada ou desfalcada prefere proteger a sua reputação. Prefere mostrar que tem empregados honestos, bons sistemas de informações e controles internos confiáveis. Por essas e outras, a repercussão do caso Renault chama a atenção.

Um leitor desavisado, poderia pensar: Se fosse para espionar uma indústria automobilística, iria atrás da BMW e não da Renault! É fato que o grupo Renault-Nissan está com uma boa dianteira no campo dos carros elétricos, alvo dos espiões. Apesar da crise profunda por que passou, ele conseguiu alavancar a experiência da Nissan e está com perspectivas promissoras neste campo.

Seria a China a grande beneficiária da espionagem? Pode ser, pois a China não tem muitos escrúpulos para conquistar terreno no capitalismo mundial. Com certeza, eles espionam, assim como muitas empresas de outros países também o fazem. Porém, acredito que a China seja muito diferente da antiga URSS, que dependia quase que totalmente de meios escusos para alimentar seu progresso técnico.

Enfim, face à intimidade da Renault com a turma do Sarkozy, face ao delicado momento europeu e face à incapacidade de se lidar com a China, não consigo parar de pensar que o destaque para este caso tem caráter manipulatório. Digamos que seja um cabritinho expiatório.


Foto: Mais uma tomada do Château de Bazoches, na Borgonha.

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