Sunday, September 28, 2014

Low-cost

Estou de volta. Ufa!  Foi uma longa sequência de eventos e reuniões, dentro e fora de Bruxelas e, como ninguém é de ferro, também teve férias. Com certeza, voltarei a falar delas, quando ilustrar este blog com fotos tiradas nesse período.

A greve de Air France foi encerrada há poucas horas.  Após duas semanas de paralização, o braço de ferro entre os pilotos e seu empregador custou cerca de 300 milhões de euros para a companhia. Dessa vez, a greve não chegou a perturbar meus deslocamentos, mas infernizou a vida de muitos colegas.

Como vocês sabem, o motivo da greve foi a opção da empresa por desenvolver sua filial low-cost, a Transavia. A Air France e suas congêneres europeias perdem continuamente espaço para as low-cost como Easyjet e Ryanair. Não é só isso. Elas também perdem espaço para as empresas premium como Cathay, Singapore Airlines e Emirates.

Existe algo em comum entre as empresas que comem o mercado das companhias tradicionais tanto no mercado low-cost como no “high-cost”: uma folha de pagamento menos polpuda.

Vocês conhecem muitas das práticas que fazem as low-cost mais competitivas. A passagem é quase de graça, mas os opcionais. Ah, os opcionais... Entre a transformação de alguns serviços antes essenciais em opcionais e algumas práticas administrativas e industriais realmente mais modernas, o principal recurso de competitividade das low-cost é mesmo pagar menos para os seus empregados.

Comparados aos seus pares, os pilotos da Air France são verdadeiros marajás e não querem abrir mão dos seus direitos. Nos seus lugares, faríamos o mesmo! Resta à empresa administrar suas finanças até que toda uma geração de pilotos aposente-se e morra. Simples assim.  O desafio da Air France não é incomum nos dias de hoje.

Acredita em milagre? É bom lembrar de outras companhias aéreas europeias que afundaram com o fardo trabalhista. Alitalia, SABENA (hoje Brussels Airlines) e Swissair (hoje Swiss) foram à bancarrota em 2013, 2001 e 2002 respectivamente. Após a recomposição do quadro de acionistas e novos estatutos, elas renasceram contratando pessoal mais barato. Pois é, o mundo da aviação já foi mais charmoso.


Foto: Em 2013, depois das férias no País Basco espanhol, atravessei a fronteira e fui para uma convenção em Biarritz. A cidade já ilustrou este blog, mas merece bis. Na foto, a “Grande Plage”.

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