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Saturday, March 19, 2011

No mercy!

O bombardeio aliado contra a Líbia começou esta tarde. A aviação francesa, ansiosa para promover o Rafale, fez os primeiros ataques. Não posso afirmar se Sarkô fez algum ponto. Veremos nas próximas semanas.

Todos querem acabar com o Kadafi. Eu também. Se o terremoto japonês não desviou a nossa atenção da Líbia, esta operação militar certamente servirá de cortina de fumaça para as demais revoluções árabes. No Bahrein, Síria, Arábia Saudita e Iêmen, a oposição será esmagada. Como diria o próprio Kadafi: “No mercy”.

A França e a Inglaterra não amam os líbios e nem são “valentões”, mas quando Kadafi mostrou que seria capaz de exterminar a sua própria população, as vozes mais sensatas da Europa gritaram. A campanha de Bernard-Henri Lévy foi marcante aqui na França. Além do mais, a Líbia está a um passo das bases da OTAN e possui uma defesa obsoleta. Até tem alguns aviões, mas os pilotos sumiram! O petróleo da Líbia também não é tão preocupante.

Sorte para a resistência da Líbia, azar dos outros. Os demais ditadores árabes - e o persa também - sabem que o Ocidente tem poucas balas. Poderão “descer o cacete” à vontade por mais algumas semanas.


Foto: Uma outra tomada da Abadia de Fontenay, com a sua igreja ao fundo.

Tuesday, December 28, 2010

Pavão misterioso, pássaro formoso

O governo Lula termina sem tomar a tão aguardada decisão relativa à compra dos novos caças. Corrigindo, os dois governos de Lula terminam sem a esperada decisão. Ainda melhor, Lula e FHC terminaram seus quatro mandatos sem nada decidir a respeito da renovação da nossa frota de caças.

Dentro do governo, pouco se desafia a necessidade desse lote de aviões. Se existir algum debate, ele é muitíssimo reservado. O xis da questão é mesmo a escolha do fornecedor. As opções francesa, americana e sueca estão na "short-list" há tempos.

Quais seriam as reais razões de tamanha demora? Por que Lula, um dos políticos mais prestigiados do planeta, hesitaria tanto? Algumas alternativas:

A) Um racha interno no governo, opondo um governo anti-americano e uma aeronáutica mais pragmática.

B) A percepção de desequilíbrio na relação cliente/fornecedor. Considerando-se o cenário mundial, as boas perspectivas brasileiras e as incertezas do primeiro mundo, o Brasil poderia obter condições muito mais vantajosas.

C) A pressão dos EUA, discreta e intensa, ameaçando com alguma espécie de retaliação muito temida pelo governo. Algo como: Avião francês, conselho de segurança sem vocês.

D) Por uma série de razões, conhecidas ou não, o governo sabe que se trata de um grande abacaxi. Portanto, nada melhor do que deixar a decisão para o sucessor.

E) Ou seria apenas uma questão de bola mesmo?


Provavelmente, nunca saberemos a resposta. Algum palpite diferente?



PS - O Lula tem três dias para fazer o autor deste blog queimar a sua língua.


Foto: A vista lateral do Château de Bussy-Rabutin lembra mais uma mansão rural do que um castelo.

Sunday, February 14, 2010

Sobre esses objetos voadores identificados

Há dez 10 anos, o acidente do Concorde da Air France nos arredores do aeroporto Charles de Gaulle era notícia. O avião símbolo da cooperação européia e inspirador do consórcio Airbus saía de cena. Neste mês de fevereiro, o assunto volta à tona, pois o julgamento do caso está começando.

A maior surpresa do episódio é que quem está no banco dos réus é a americana Continental Airlines. Uma peça que caiu de um dos seus aviões teria sido a causa do acidente que vitimou 113 pessoas. A história não é muito convincente, mas é o argumento da promotoria. A Air France também reivindica indenizações. O resultado será conhecido daqui a quatro meses.

Enquanto a confirmação da venda dos Rafales para o Brasil (e para nenhum outro país) não sai, a vida da aeronáutica européia continua difícil. O A380 foi um projeto caro, mas pelo menos saiu. O caso do avião de transporte militar A400 é outro tormento. O atraso de quatro anos e o custo adicional de 11 bilhões de euros estão pesando nas contas da EADS (matriz da Airbus). Depois de tanto esforço, a empresa ameaça abandonar o projeto se as nações européias não mostrarem um maior comprometimento ($$$) com a iniciativa. Sarkô e Merkel puseram a mão no bolso, mas não tinha muita coisa.

Para quem quiser saber mais, a TV francesa apresentou um ótimo debate sobre os assuntos tratados acima em janeiro último. Vejam em http://tinyurl.com/yhay97y O programa também explora se a China será ou não uma ameaça para aviação civil e militar européia. Segundo eles, é coisa para mais de 30 anos. Veremos.

Gong Xi Fa Cai!


Fotos: Acima, mais uma foto de Roussillon, na Provence. Abaixo, o destaque para o restaurante do hotel em que estive hospedado, dominando a paisagem. Foi mais um típico hotel francês, onde tudo gira em torno da cozinha. E como em outras oportunidades, a gente volta para casa com muito aprendizado e uns quilos a mais.


Thursday, September 10, 2009

Rafale

Rafale significa rajada de vento. Pelo menos na França, a venda de 36 caças da combalida Dassault ao Brasil está sendo muitíssimo festejada. O vento veio em boa hora. Vejamos:

1 - Talvez, em outra época, um volume de negócios desse porte passasse despercebido. Neste momento difícil ainda vivido pela Europa, qualquer contrato novo é importante. Os políticos têm brigado pela preservação de fábricas com menos de 100 empregados. Vale tudo para se manter os empregos no velho mundo! Foi como se Sarkozix tivesse voltado para sua aldeia com uns três javalis nas costas. Um herói!

2 - A Dassault, lendária fabricante do Mirage, vive de aviões executivos (Falcon). Nenhum país comprou o Rafale até hoje. Só mesmo a própria França. A coisa está preta. Vale lembrar que o Brasil tem planos para comprar 120 aviões e não somente 36. Depois dos aviões: Serviços, assistência técnica, manutenção, treinamento, etc.

3 - A França tem uma oferta militar bem razoável. Com a forcinha do Brasil, outros países podem se animar e comprar não apenas da Dassault, mas de toda a comunidade de empresas que compõe a alternativa aos EUA, Rússia e outros. A aceitação do Brasil é decisiva para a venda para aos Emirados Árabes, Grécia, Suíça e Índia, os próximos da lista.

Agora, tendo em vista a relevância do contrato para a França, cabe ao Brasil negociar. Não parece ser o caso, mas a Dassault tem perdido negócios ligados ao Rafale quando as coisas parecem estar definidas. O episódio mais folclórico foi com o Marrocos. Sarkô foi ao país, como fez com o Brasil, recebeu um tapinha nas costas, enquanto o Marrocos passava o pedido para os EUA.

Muita gente tem comentado sobre a transação. Da ridicularização completa até a exaltação patriótica, tem de tudo. Eu mesmo mandei bala via Twitter. Imagino que a decisão do governo brasileiro não tenha sido fácil. Talvez seja por isso que o assunto vem sendo empurrado com a barriga desde FHC.

Não tenho dúvidas de que o Brasil precisa desses aviões. As maiores críticas, fundadas ou não, são com respeito à concorrência, à escolha do pacote mais caro com um avião que não é nenhuma unanimidade.

Por outro lado, reconheço que, por natureza ideológica ou não, sempre esteve claro que o critério de "transferência tecnológica" seria decisivo. Se esta transferência será eficaz, se é apenas um engodo ou um dispositivo claramente antiamericano, não posso julgar. Vamos esperar que os especialistas se manifestem e que os detalhes da transação venham à tona. E que bons ventos tragam a nova frota de caças brasileira!


Fotos: A Piazza Del Campo em Sienna, um lugar fantástico! A praça central da cidade é transformada em hipódromo (Corsa del Palio) duas vezes por ano. Cheguei lá na véspera, a praça já estava em plena transformação, com pistas e arquibancadas prontas. O conjunto medieval é excepcional e o assédio de turistas acaba dando muita vida à cidade. Aquilo ferve! Na foto acima, uma imagem dentro da praça, ainda bem cedo. Na foto abaixo, a vista da praça a partir de uma torre mais afastada, onde o prédio do paço municipal se destaca.