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Wednesday, February 18, 2015

Tributo ao Carnaval

Ontem foi mardi-gras. Cá entre nós, Carnaval sem feriado não tem graça nenhuma! Sim, existem algumas celebrações carnavalescas na Europa. Nada que rivalize com uma boa greve ou uma partida de futebol. De qualquer maneira, parodiando o ditado, não existe Carnaval ruim, é você que bebeu pouco.

Não há Carnaval que faça o brasileiro esquecer dos problemas. As investigações do Petrolão e a estagnação do país têm visibilidade internacional. A cara da Dilma preocupada está em todos lugares. As pessoas perguntam-me sobre a crise econômica brasileira. Respondo que não é econômica, é institucional.

Enquanto vocês curtem o Carnval nas ruas e nos jornais, este inverno camarada é temperado com as mesmas notícias: A Grécia, a Ucrânia e o atentado do mês, aquele da Dinamarca. Se não tem um Petrolão por aqui, tem o caso das contas suíças do HSBC. Já estava com saudades de poder acompanhar um grande escândalo mais de perto.

Demorou e o sistema financeiro finalmente ganhou o seu Snowden. Todos sabem do papel dos paraísos fiscais no mundo do dinheiro, mas não tinham as evidências. Com o HSBC na berlinda e uma lista de milhares de correntistas, o aperto aos agentes do sistema será muito maior.

Diante de governos corruptos e gulosos, pode parecer razoável tirar o dinheiro do próprio país. Entretanto, dependendo do país e das circunstâncias, é crime. Pior ainda, quem guarda os seus trocados também trabalha para mafiosos, terroristas, autocratas e até petralhas.

Os bancos são criativos e provavelmente encontrarão alternativas para esconder a grana dos afortunados. Problema deles. É preciso conter a evasão e estancar os fluxos do mundo do crime e da informalidade.

Dias desses, Thomas Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século XXI”, deu uma longa entrevista à TV francesa, quando mencionou a questão da evasão fiscal. Como socialista, ele quer muito mais do que eliminar os paraísos fiscais. Fala, por exemplo, da tributação das transações internacionais.

O Piketty tem uma fixação patológica por impostos. Declarou-se satisfeito pelos milhões de dólares que recebe com seu best-seller, que acabam nas mãos do Fisco francês. Disse que está feliz com o seu salário de professor e não precisa de mais dinheiro. Os entrevistadores ficaram embasbacados. Bem, é Carnaval. Talvez, eu tenha bebido pouco.


Foto: O Museu Hergé em Louvain-la-Neuve,  na periferia de Bruxelas.

Thursday, January 15, 2009

80 anos de Tintin



Um dos meus primeiros posts no antigo fotolog falava sobre o Tintin, um campeão de vendas e eterno ídolo da juventude europeia. Também falei da proibição de "Tintin no Congo" em diversos países, por causa de um processo de racismo contra Hergé.

Hergé é acusado de ser racista, colonialista, colaboracionista, de extrema direita e anticomunista. Cá entre nós, é verdade! Fica a dúvida se a leitura de todos os seus álbuns é capaz de influenciar alguém. Acho que não, ela apenas traduz (às vezes de forma muito sutil) sentimentos dominantes à sua época. Apesar do deslize antissemita de "A estrela misteriosa", não há qualquer outro tropeço. Pelo menos não foi suficiente para desanimar Steven Spielberg a investir na volta do jovem jornalista às telas em 2010.

Hoje em dia, aos 80 anos do personagem, o alvo das principais acusações não é mais o criador, mas a criatura: Tintin é gay! Tintin é homossexual e misógeno. Hergé, enquanto vivo, tentou explicar as razões do mundo sem mulheres de Tintin, mas aí passaram a desconfiar que ele também fosse do mesmo time.

Apesar das controvérsias, Hergé e Tintin são respeitados e os álbuns vendem muito. Vou prestar atenção no noticiário e ver se algum "skinhead" declara Hergé como ídolo. Certamente, algumas bichas vão declarar Tintin como símbolo. O meu veredito é que Hergé é menos racista e anticomunista do que Monteiro Lobato.


Foto: Lyon, passarela sobre o Saône, com a insistente bruma que não sai de cima da França há muitos dias.