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Sunday, October 21, 2012
Circenses
Em algum post remoto, já disse que não sou de longas conversas com motoristas de táxi. Nada pessoal, pura introspecção. Na França, é diferente. Lá, meu desafio é conversar bastante e ver quanto tempo resisto até que surja a fatídica pergunta: "Você é italiano?".
Já fui conduzido por ex-profissionais de informática algumas vezes. Pois esta é a realidade da França, Espanha e outros. Uma corrida do aeroporto ao centro de Lyon dava uma boa sessão de "coaching", caso algum dia, eles decidissem retornar à profissão. Nunca cobrei.
Da última vez, em Paris, peguei um táxi para Aubervilliers, um centro de pesquisas na periferia da cidade. Indagou o motorista: "E vocês têm equipamento para fazer datação por carbono 14?". Mudei de assunto. Melhor falar sobre informática.
No Brasil, meu último papo cabeça com motorista de praça foi sobre estádios de futebol, numa recente viagem de Cumbica para casa. Indignado, o taxista afirmou que o governo não deveria ajudar os clubes com "dinheiro do povo". A argumentação do ilustre condutor tem sido bastante comum, sobretudo entre palmeirenses e sãopaulinos.
Infelizmente, não temos bons exemplos no Brasil. Os estádios são péssimos e os clubes são endividados, entre tantos outros vícios. Uma coisa é certa, os ingressos são baratos. Muito baratos.
Não acho que isso seja a raiz de todos os problemas estruturais do esporte, mas há um subsídio informal. Os estádios atraem as massas. Nosso sistema é democrático e camarada, mas inviabiliza um modelo de negócios em torno do estádio.
Nos EUA, é o contrário. Fiz uma rápida pesquisa, comparando jogos do campeonato brasileiro e da NFL. A diferença é brutal. Com raras exceções, um jogo da NFL sai, pelo menos, 10 vezes mais caro.
A elitização dos estádios criaria um círculo virtuoso. O comércio hospedado no estádio prosperaria com a venda de produtos de maior valor agregado e prestação de melhores serviços. Os estádios deixariam de ser um fardo para os clubes e complementariam as únicas receitas que realmente importam hoje, os direitos cedidos à TV.
Para fechar a equação, ainda seria preciso acertar muitas outras coisas como o calendário, a distribuição das receitas entre os clubes, a própria gestão dos clubes, etc. Enfim, não tem milagre. Se queremos proporcionar circo para todos, o governo irá sempre pôr a mão no bolso e ajudar na construção e manutenção dos estádios.
Foto: Outra tomada interna do Castelo de Windsor. A St. George's Chapel no primeiro plano. Ao fundo, o corpo mais antigo do castelo de raízes normandas. A capela serve como necrópole na monarquia britânica.
Wednesday, October 17, 2012
No reino da Dinamarca
2014 só
lembra a Copa do Mundo no Brasil? Espero que não. Será no período desta tão
festejada competição, que o mundo se lembrará do centenário do assassinato do
arquiduque Francisco Ferdinando, que deflagrou a I Guerra Mundial. Podemos
dizer que, com as duas grandes guerras, este triste período da história recente
terminou há apenas 67 anos, ceifando a vida de 70 milhões de pessoas.
Deixei para
escrever este post aqui, na Europa. Mesmo sabendo da cessão do Prêmio Nobel da Paz
à União Europeia (UE) ainda no Brasil, optei por esperar alguns dias, para conversar
com as pessoas e ler os jornais locais.
O Nobel da
UE foi alvo de escárnio e protestos. É compreensível em face da enorme crise
vivida pelo continente. É justamente aí que entra o prêmio. Antes que muitos se
deixem seduzir pelos discursos oportunistas, que aquela memória curta interfira
no pensamento coletivo, que o desespero se transforme numa crítica generalizada
a todas as instituições, lembremo-nos do que foi conquistado. O projeto europeu
é antes de tudo um projeto de paz, tendo a integração econômica como meio.
A piada é
fácil. Entretanto, essa não foi a primeira e nem será a última crise. A Grécia
não foi o primeiro e nem será o último país à beira do abismo. O Nobel serve de
puxão de orelha na Alemanha e outros, para que se empenhem com mais determinação
na solução da crise. O projeto de união monetária, que inclui alguns países da
UE, foi no mínimo ousado. Talvez, errado.
O Nobel e
as futuras celebrações em torno do centenário dos episódios chaves das duas
grandes guerras são essenciais para lembrar às novas gerações do sombrio
passado não tão remoto. Felizmente, a paz é um dos valores mais prezados num
continente tão traumatizado pela guerra. Por isso, a grande maioria reconhece o
mérito da honrosa premiação.
Bernard
Tapie mencionou no Figaro de hoje um discurso de Mitterrand no Parlamento
Europeu: “Durante a sua história, a França já fez guerra com todos seus parceiros
do bloco, exceto a Dinamarca. Bem, sem dúvidas, é um pouco tarde para se entrar em
guerra contra os dinamarqueses...”
Foto: Um
cantinho de paz no Castelo de Windsor, o “Moat Garden”.
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Friday, October 12, 2012
Intocáveis
Comentei sobre o filme "Intouchables" na revista do cinema do primeiro semestre. O texto mostra que não apostei no sucesso internacional do filme. Entretanto, as bilheterias confirmam a sua aceitação pelo mundo.
O filme conseguiu fugir do pequeno circuito tradicionalmente reservado ao cinema europeu. Se meu post original foi um pouco frio com esta ótima produção francesa, então fica aqui a correção e recomendação. Eu já o assisti duas vezes!
O nome do filme me faz lembrar o julgamento do mensalão. O grande legado desse processo não é a prisão de alguns corruptos, mas um recado muito claro para os políticos de hoje e do amanhã: Já não são mais intocáveis!
O julgamento tem sido uma grata surpresa. Temia que mais membros do STF se alinhassem ao "estilo Lewandowski". Felizmente, é a figura de Joaquim Barbosa que se impõe. Mais para frente, volto ao tema. Assim como muitos brasileiros, espero ansiosamente pela hora da dosimetria ;-)
Foto: Começando uma série de imagens sobre o Castelo de Windsor. Essa residência oficial da monarquia britânica é o maior castelo ocupado do mundo. As partes mais antigas remontam a 1070, época de Guilherme, o Conquistador.
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