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Wednesday, June 15, 2016

Fofinho

Mais uma vez, escrevendo do trem. Estou voltando de Lyon para Bruxelas na companhia da torcida da Islândia, que jogou ontem em Saint-Etienne. Os torcedores têm torcido muito: pelos seus times e pelo não cancelamento das suas viagens. Apesar dos grevistas e das manifestações, a bola está rolando.

Dada a importância da competição, o futebol divide o noticiário com os problemas políticos, econômicos e sociais. Talvez seja escapismo. Digamos que todos nós mereçamos ver um assunto diferente nos jornais de vez em quando. A reforma trabalhista na França, as suas manifestações contrárias, as ameaças de terrorismo ou a possível saída da Inglaterra da União Europeia são muito importantes, mas ninguém é de ferro.

Por falar em escapismo, os jornais belgas tiveram seu momento de ternura, quando nasceu o filhote de panda-gigante num zoológico do país. As imagens percorreram o mundo. Existem muitos poucos exemplares do belo urso fora da China e conseguir a sua reprodução em cativeiro é um feito louvável.

Entre tantos animais interessantes ou bonitinhos, nenhum supera o panda-gigante. Leão, tigre, elefante ou girafa, não tem pra ninguém! A prova está no caixa dos zoológicos. Aqueles que têm panda atraem um público maior. A história do zôo em questão, o Pairi Daiza, divide-se em antes e depois dos pandas.

Entretanto, estamos na Bélgica, onde nem mesmo uma notícia fofinha escapa da polêmica. O Pairi Daiza fica na Valônia. O nascimento do panda depertou muitos ciúmes do seu congênere de Flandres. O zôo de Antuérpia pode ser muito bem administrado e queridinho dos flamengos, mas não tem panda!


Foto: Mais uma foto nos famosos Jardins de Giverny

Monday, March 30, 2015

Notícias

Confesso que comprei uma revista brasileira de passagem por Lisboa. Depois de tanto tempo sentido o que acontece no Brasil pelas redes sociais e com raras olhadelas a alguns sites de jornais, queria uma outra perspectiva.

Felizmente ou infelizmente, todas as minhas fontes são consideradas pelos petralhas como “mídia golpista”. Ou seja, continuo “desinformado”!

Faço questão de cumprimentar e solidarizar-me com (quase todos) vocês, que estiveram na Paulista, bateram panelas e não arredaram o pé. Visto de fora, é algo impressionante. Estive no Brasil nos dias que antecederam o segundo turno. Praticamente, é o mesmo clima. Já são alguns meses de resistência.

As notícias do naufrágio do PT e do governo Dilma chegam aos principais veículos da imprensa europeia, mas não dá para se ter a menor ideia do que acontece por aí. Além do mais, sempre houve uma simpatia dos jornais à esquerda pelo Lula “et sa dauphine” Dilma. A ficha demorou para cair.

Esses escândalos infindáveis sempre incomodaram-me. No Brasil, acabava acompanhando e envolvendo-me. Sem dúvidas, uma fonte de stress. Não deve ser fácil para muitos de vocês ouvirem todas essas notícias dia a dia.

Ainda estou correndo com alguns trâmites burocráticos relativos à expatriação. Já vivi isso antes e dá um certo trabalho.  Para compensar, o inverno foi bem mais tranquilo do que eu imaginava e pude conhecer muitas cidades belgas. E mesmo quando chove, porque não pegar chuva num florão medieval flamengo?


Foto: A estátua do gigante Wapper, personagem do folclore flamengo, diante do Het Steen, uma fortaleza medieval, no centro de Antuérpia.