Showing posts with label PT. Show all posts
Showing posts with label PT. Show all posts

Friday, June 26, 2020

2022 é agora!



Bolsonaro e seu clã estão sob pressão. Há várias investigações em curso e algumas delas podem levar à interrupção do seu mandato. Se não restam dúvidas sobre a sua desonestidade e incapacidade, o desfecho das diligências não é certeiro. Sim, o presidente pode terminar o seu mandato. Este post trata desta possibilidade, nem tão remota como gostaríamos.

De vez em quando, ouço ruídos vindos das redes sociais anunciando “Bolsonaro reeleito” ou “Fechado com Bolsonaro até 2026”. Dá para entender o cálculo do Planalto, ecoado pelos seus fiéis seguidores. O mais difícil é terminar o mandato. Se o presidente for até o fim, a reeleição pode até ser apertada, mas estaria ganha.

Do outro lado do espectro político, o PT também tem a mesma sensação. Diversas atitudes do Lula mostram claramente a sua vontade de pegar um atalho direto para o segundo turno de 2022, através de algum nome abençoado por ele. Por exemplo, quando não aderiu às primeiras discussões sobre o impeachment e pela recusa de formar uma frente ampla com outras lideranças políticas brasileiras.

Considerando-se que teremos os mesmos protagonistas das últimas eleições em 2022, o cálculo do Bolsonaro e do Lula está correto. Ambos estão muito confiantes em alavancar a vitória em cima da rejeição alheia. Ainda é cedo para fazer contas, mas, decerto, aqueles 10 milhões de votos de vantagem do Bolsonaro já devem ter ido para o espaço.

Para garantir a revanche, os dois lados fazem um jogo tão preciso, que parece combinado. A máquina bolsonarista destrói a reputação de qualquer nome novo que surja à direita. Vejam a violência dos seus ataques a João Dória, Luciano Huck, Sérgio Moro e tantos outros. Do lado esquerdo, a máquina petista mantém a sua hegemonia, com a devida truculência quando necessário.

Desta forma, estamos indo de cara para um Bolsonaro X Candidato do PT, duelo a ser decidido conforme a nossa rejeição. É o nojo contra o asco. Fomos incapazes de evitar esse cenário em 2018 e podemos repeti-lo em 2022.

Talvez, meus caros leitores já tenham percebido a situação. O quadro pode até ser óbvio para alguns. Confesso que estou bastante incomodado com a catástrofe anunciada. Este post serve de alerta àqueles que ainda não perceberam a situação e que também possamos imaginar alternativas.

A abreviação do mandato do atual presidente é imperativa. Devemos usar todos os meios legítimos para buscá-la. Seria um alento e, talvez, um golpe mortal no bolsonarismo. Talvez. O provável acirramento dos seus seguidores e o velho conhecido discurso do golpe não ajudarão a encontrar respostas melhores.

Numa estimativa rudimentar, petistas e bolsonaristas representam 40% do eleitorado. É muito, mas existem outros 60%. Uma maioria que não deve assistir ao espetáculo de mãos atadas, a fim de evitarmos mais quatro anos perdidos.

Não existe e nem vai existir uma terceira via abrangendo todo o espectro ideológico entre o petismo e o bolsonarismo. Deveríamos chegar a 2022 com uma lista de nomes fortes, candidaturas viáveis e estruturadas. Nós, os 60%, deveríamos trabalhar na construção dessas candidaturas. Deixemos e ignoremos o trabalho de destruição feito pelos outros 40%.

Embora tenha uma preferência pessoal pelo parlamentarismo, acreditando que seja a vacina definitiva contra presidentes muito ruins, sei que não há condições de retomar esse debate. Entretanto, podemos retomar a discussão das reformas para aperfeiçoar nosso sistema político-eleitoral. Sempre é oportuno melhorar as regras de representatividade, financiamento e reeleição, entre outras.

Enfim, este post foi um convite para pensar nas alternativas para evitar um repeteco de 2018, com a esperança de convergirmos para duas candidaturas razoáveis o bastante para remover os representantes do bolsonarismo e do petismo no segundo turno de 2022. Lembrando que tudo começa sempre com o voto consciente.

 


Foto: Parlamento austríaco, Viena (2016). Logo depois do retorno ao Brasil, tirei umas férias na Europa. Oportunidade de revisitar Viena e conhecer outras cidades que ilustrarão este blog. Quanto a ilustrar essa matéria com a foto de um parlamento? Coincidência 😉


Saturday, December 12, 2015

Terror de política - Parte 2

Entre as inúmeras reações aos atentados de 2015, houve uma crítica aos recursos tecnológicos, que propiciam a comunicação entre trerroristas. De fato, a tecnologia ajuda a humanidade como um todo, para o bem e para o mal. Felizmente, existe muito mais gente fazendo o bem.

Há muitos anos, assisti a uma palestra do Prof.Stephen Kanitz falando sobre a importância do telefone celular. Se no mundo desenvolvido, a telefonia móvel trouxe benefícios relevantes, nos países como o Brasil, ela trouxe algo a mais, resgatando a cidadania daqueles que ficavam isolados, sem a possibilidade de uma justa integração à sociedade ou ao mercado de trabalho.

O ganho da tecnologia foi muito além da rapidez, da eficiência, da praticidade ou da possibilidade de  entretenimento. As pessoas ganharam uma voz, fontes de informação alternativas, poder de organização e manifestação. As democracias fortaleceram-se.

A crise político-institucional brasileira é exemplo disso tudo. Se não fosse a contribuição das redes sociais e dos aplicativos de comunicação, a abominável Dilma estaria bem mais tranquila.

Graças a ampla divulgação dos fatos, percebemos o quão perverso um governo pode ser. Foi uma dura lição aos brasileiros, argentinos e venezuelanos, entre outros, que escolheram execráveis governos populistas e corruptos, sem quaisquer limites para preservar o poder.

A História nos ensina que isso tudo não é privilégio das nossas repúblicas bananeiras. Temos que permanecer vigilantes. É a briga do Snowden, embora muitos não concordem integralmente com ele. Eu mesmo fiz algumas ressalvas à época.

A tecnologia também está aí para nos proteger do maior dos vilões. Já fizemos muitas concessões e é preciso deixar uma espaço para a privacidade, para continuar trocando mensagens que não sejam lidas ou falar sem ser escutado pelo governo ou por qualquer outro.

Aos amigos do Brasil, mais uma vez, boas manifestações, fora Dilma e cana nos petralhas!

Leia também:
Snowden


Foto: Mais uma foto tirada em Mons, no início do ano.

Monday, December 7, 2015

Fantasma

O Brasil passa por uma fase difícil e a tensão deve aumentar ainda mais com a abertura do processo de impeachment. Não sei se será o golpe decisivo na corruptocracia instaurada pelo PT, mas é suficiente para alimentar nossas esperanças.

Diante de um Brasil que anda para trás e continua afundando na lama, os problemas dos outros países parecem menores. Só que não!

A crise dos refugiados e os recentes atentados de Paris potencializaram a ameaça que pairava no ar. Ontem, no primeiro turno das eleições regionais francesas, o Front National (FN), partido de extrema direita, abocanhou quase 30% dos votos.

As estrelas do partido são a filha (Marine) e a neta (Marion) do velho fascista Jean-Marie Le Pen. As caras são novas (e inexperientes), mas seus ideais são os mesmos. A vitória do FN é uma combinação da grande abstenção, do voto de protesto, do desemprego, do repúdio aos imigrantes e da descrença na Europa, entre outros.

Para não apavorar meus leitores, saibam que o sistema eleitoral francês ainda oferece alguma defesa contra a ameaça extremista. Nesses dias entre o primeiro e segundo turno, os partidos ainda podem retirar e fundir suas listas.

Ou seja, para se evitar a vitória do FN, os dois principais partidos da França - Socialista (PS) e Republicanos (LR) - terão de fazer algum sacrifício. Por exemplo, o PS anunciou hoje a retirada da sua lista de três regiões lideradas pelo FN. Em outras palavras, ele libera seus eleitores para votarem nos rivais Republicanos e ainda fica de fora da vida política da região nos próximos anos. Que castigo!

Acredito que os entendimentos políticos e a mobilização popular acabarão limitando o estrago do FN. Entretanto, fica uma dura advertência à classe política francesa. É melhor se mexer e atacar de frente os problemas do país! Com essa vitória, mesmo que parcial, o FN vai ganhar mais palanque para espalhar seu discurso raivoso. A ameaça continua no ar.


Foto: Última foto do Parque da Cambre em Bruxelas

Sunday, November 29, 2015

Outono

O foco está na COP21 sediada em Paris. Para proporcionar a segurança necessária aos governantes do mundo inteiro, a cidade foi praticamente bloqueada. Em paralelo às discussões sobre o clima, os mesmos protagonistas tentarão achar uma solução para a crise síria. A recente derrubada do avião russo pela Turquia não ajuda em nada.

Hoje pela manhã, cruzei mais uma vez com aquele, que inspirou o post  “Popular e Ladrão”. Sim, o Erdogan esteve por aqui para uma nova reunião de cúpula entre a Europa e a Turquia. A Europa quer que ele pare de despejar refugiados sírios nas praias gregas, que ele pare de escoar o petróleo do Estado Islâmico e ajude a combatê-los. O último pedido do Erdogan para aceitar o pleito europeu foi de 3 bilhões de dólares, a cabeça do Assad e um pau nos curdos. Assim fica difícil.

O presidente francês ganhou algum prestígio ao liderar a nação depois da tragédia. Pelo menos, ele serve para alguma coisa! A solidariedade internacional com a França não foi suficiente para formar uma coalizão de combate ao Estado Islâmico. Hollande ouviu alguns nãos durante a semana:  Obama, Putin e Merkel, entre outros.

Bruxelas teve uma semana de exceção, como descrevi no último post. A vida voltou ao normal depois de alguns dias sob estado de sítio. Paira no ar aquela pergunta que não quer calar. Se a situação não mudou e dois dos terroristas estão soltos por aí, então há algo de errado: ou o estado de sítio não deveria ter sido decretado ou não deveria ter sido relaxado. Mistério.

A imprensa francesa não tem perdoado a leniência belga com relação aos muçulmanos radicais. Entre todas as críticas, achei a do Le Monde a mais dura. O seu editorial de 24 de novembro diz: “esse Estado sem nação pode virar uma nação sem Estado”.

Vale uma explicação. A Bélgica é tida como um Estado sem nação, por ser uma federação que agrupa flamengos, valões e alemães. Diante do radicalismo islâmico, todos erraram. O momento é de rara união, evitando-se acusações mútuas. Entretanto, ao longo dos últimos anos, o assunto foi deixado de lado para não afetar o frágil acordo que mantém a Bélgica unida.

Essa história de nação sem Estado lembrou-me do Brasil. Nosso Estado não está desaparecendo, mas apodrecendo rápido. Fiquem tranquilos, pois a cura passa pela prisão em massa de petralhas, como – felizmente - está acontecendo.



Foto: No final de semana anterior aos atentados, pude passear no Parque da Cambre, aqui em Bruxelas, curtindo a paisagem de outono.

Sunday, October 11, 2015

Popular e ladrão

O hotel vizinho nem é tão caro, mas é classudo. Seu edifício suntuoso é o endereço preferido dos dirigentes estrangeiros em Bruxelas. Sempre que ando pela Avenue Louise e passo por ele, dou uma olhada para ver qual é a celebridade do momento.

Apesar das longas comitivas, dos jornalistas e curiosos, não há muito barulho. Até mesmo a Dilma não chamou a atenção. Pensei num panelaço solo, mas nossos horários não coincidiram.

Há alguns dias, presenciei uma exceção. A frente do hotel estava repleta de gente. Havia farta distribuição de balões vermelhos e brancos. A charmosa Avenue Louise e a Place Stéphanie foram ocupadas. Até o trânsito de bondes e carros foi  interrompido pela multidão. Quem poderia quebrar a tranquilidade do nosso cantinho? Quem seria tão poderoso?

Tais dúvidas pairavam na cabeça da minha esposa. Estava ao seu lado e pude esclarecer. Disse que o Erdogan, o presidente turco, estava na cidade. Ainda acrescentei : “Ele é o Lula da Turquia, popular e ladrão”.

Para comparar o Brasil e a Turquia, melhor ler a crônica do Guga Chacra. A presença do Erdogan em Bruxelas é importante, pois trata-se de um ator chave numa região tão desestabilizada: refugiados, Síria, curdos, Estado Islâmico, etc. Tudo passa pela Turquia.

Juntar o fã clube para o presidente não foi difícil. A comunidade turca na cidade é muito grande. Assim como acontece no Brasil, encontrar algumas centenas de admiradores de um líder populista é fácil. Não precisa nem pagar.

Dias depois, estive num evento de informática europeu. A maioria dos participantes era do Reino Unido, mas havia uns gatos pingados de outros países. Tive oportunidade de conversar com um executivo turco.

Nem falamos de informática. Já cheguei dizendo que encontrei o Erdogan ao lado de casa.  Ele emendou com as novidades de Istambul. Tudo que ele contou parecia exatamente com a história recente do Brasil, tomado pela gangue do PT.

Preferia ter encerrado a nossa conversa com um tom mais positivo, mas não pude. Contei as coisas que estavam acontecendo no Brasil. Pelo menos ele apreciou a minha sinceridade.


Foto: Ainda na Abadia de Sénanque, a turista curtindo a paisagem. Além do visual, o aroma da lavanda.

Tuesday, September 22, 2015

Volks

Os executivos da Volkswagen confessaram sua culpa num dos maiores escândalos de todos os tempos da indústria automobilística. São milhões de carros envolvidos, podendo acarretar numa multa bilionária à montadora alemã.

Imaginem vocês se a Volkswagen fosse gerida pelo PT. Claro, eles negariam tudo até o fim. Vejamos os depoimentos dos executivos da montadora:

Ludwig Ignatius, famoso ex-presidente da montadora declarou: “Isso não significa nada”. 

Joseph Genuine, executivo aposentado do grupo, disse que tudo isso é uma perseguição da mídia à montadora, afirmando que todas as outras montadoras também trapaceiam. 

Ruy Falke, chefe das comunicações da VW, foi mais direto, acusando o antigo presidente da casa, Ferdinand Heinrich Cardosen. Segundo Falke, o analista que desenvolveu o software para trapacear os testes de emissões foi contratado naquela gestão.

Outro executivo da montadora, Ludwig Merkadanten, responsável pela P&D, afirma com certeza absoluta: “Foi apenas um bug”.

Ciente de que o caso deve escalar até a Suprema Corte, Richard Lewandowski, jurista e presidente do Clube dos Amigos da VW, menospreza a ameaça à montadora. Argumenta: “A teoria do domínio do fato, criada pelos nobres conterrâneos Hans Welzel e Claus Roxin, não pode ser aplicada nesse caso”. Ainda segundo Lewandowski, o analista que desenvolveu o software é o único culpado.

Johann Vaccarius, ex-diretor financeiro do grupo, esnoba a provável multa de 18 bilhões dólares. Está pronto para convidar todos aqueles que possuam um automóvel da marca para pagar uma fração dessa quantia.


Foto: A vista do Museu da Confluência, em Lyon.

Sunday, September 20, 2015

Circo

Domingo passado, fui a um espetáculo do Cirque du Soleil, em turnê por Bruxelas. Sou um dos inúmeros admiradores do grupo canadense. Além de gostar das exibições, fico impressionado com a performance empresarial da trupe. Quem diria que uma companhia circense pudesse faturar um bilhão de dólares?

O fato inusitado do show do último domingo não foi nenhuma novidade do mundo da acrobacia, do malabarismo ou da palhaçada. Vocês sabem que um errinho ou outro sempre aparece nos shows do Cirque du Soleil. Faz parte. Entretanto, dessa vez, o grupo de acrobatas falhou três vezes seguidas no mesmo número. Sim, três vezes. Ai que dó...

Vocês também sabem o que acontece nessas horas. A plateia fica ainda mais ligada aos artistas. Desperta-se uma incrível solidariedade. Os aplausos são muito mais intensos. Aplausos que significam muitas mensagens como valeu o esforço, continuem tentando, você merecem, comprendemos a dificuldade ou estamos com vocês.

É interessante como nem sempre os erros são encarados da mesma maneira. Tomemos, por exemplo, a Dilma, que não acerta uma, nem sem querer. Seus erros não despertam a menor compaixão. A cada dia que passa, ela fica mais detestável.

Pensei com meus botões nas razões dessa diferença, e aí vão algumas alternativas:

a) Porque ela erra demais e a gente não aguenta mais
b) Porque ela não trabalha no circo, mas faz a gente de palhaço
c) Porque os seus erros custam muito caro para nós
d) Porque ela nem é capaz de perceber os próprios erros  
e) E mesmo que percebesse, jamais os assumiria 
f) Pedir desculpas então, nem pensar! 

Não precisa escolher nenhuma alternativa. É um pouco de tudo. Fora Dilma!


Foto: O Museu da Confluência de Lyon, inaugurado em janeiro deste ano. O projeto arquitetônico audacioso é assinado pelo escritório austríaco Coop Himmelb(l)au . As dificuldades técnicas da sua realização somadas às características do solo causaram um enorme atraso. Qualquer hora eu conto mais sobre isso.

Monday, August 17, 2015

Férias

Escrevo este post, por que estou de férias. Melhor dizendo, tirei um dia de férias nas férias. Faço um artigo, um post e acesso o e-mail. Amanhã, volto às férias!

Não achei nenhum grupo de brasileiros para ensaiar uma manifestação ou prestar solidariedade a vocês por aqui. Afinal, mesmo estando na França, estou num lugar que, não por acaso, chama-se Finistério. Em algum lugado do passado, era tido como o fim do mundo.

Um lugar da Bretanha muito tranquilo. Litoral cheio de pequenos portos e vilarejos de charme, talvez um pouco frio para os padrões brasileiros. As hordas de turistas vão até o Monte Saint-Michel e Saint-Malo, deixando a Gália Armorica - a terra de Asterix - principalmente para os locais.

Para ilustrar a tranquilidade, uma notícia do jornal de hoje. Numa das cidades das redondezas, os funcionários da agência do BNP Paribas esqueceram de fechá-la ao sair. O fato só foi percebido no dia seguinte, com a chegada do primeiro cliente.

O mais próximo de barulho foi a passagem da réplica da histórica fragata L’Hermione, de retorno dos EUA. Nesta manhã, pude vê-la contornando o litoral da Cornuália francesa. Eu e algumas centenas.

Antes das férias, fiz uma rápida visita ao Brasil. O suficiente para vê-lo afundando. Nesta passagem, começava mais uma onda de prisões decorrentes da Lava-Jato. Se todos os principais focos de corrupção forem explorados, a coisa ainda vai muito longe. Haja cadeia, ou ainda, haja culhões!

Se serve como consolo, acho que a nossa sociedade pode evoluir e, na retomada, escapar deste nefasto sistema de corrupção. Aos meus amigos do Brasil, parabéns pelas manifestações de ontem. Fora PT e cana neles!



Foto: As fotos das férias virão mais para frente. Por enquanto, algumas fotos de Paris e Lyon tiradas em 2015. Acima, o jardim japonês do “Jardin d’Acclimatation” em Paris.

Friday, May 29, 2015

Bons de bola

Antes de escrever essas linhas, conferi o que já havia dito sobre futebol neste blog. Em geral, meus comentários são negativos. Muito negativos.

“A Copa é rifada entre um grupo seleto de países e a FIFA é quem sempre ganha”

“O problema do futebol é o problema do Brasil: incompetência e corrupção. Não há fórmula que resista a esses dois males”

“Embora a fórmula do torneio seja muito sólida, tudo que está a sua volta fede. Fede muito”

“A FIFA é tão vilã quanto nossos craques, times, televisões, federações e outras entidades. Um depende do outro”

“Tudo o que leva o nome da FIFA tem sido motivo de piada”

Não mudaria nada. As recentes notícias do mundo do futebol evidenciam tais comentários. Mesmo que os EUA tenham seus interesses em desmoralizar a poderosa organização baseada na Suíça, as feridas serão irreversíveis.

O mundo do futebol vai rachar. É aquela trágica sina das organizações mafiosas. Chega uma hora, os bandidos começam a delatar uns aos outros. O futebol terá a sua “Lava-Jato”.

Boa parte do problema da FIFA não é comparável à bandidagem petista. Muita coisa foi construída na base da esperteza, da malícia e até de muito talento, sempre nos limites da legalidade.

Um dos maiores pecados da FIFA, no entanto, é fechar os olhos. Apesar de suas desmedidas ambições pecuniárias, o sistema do futebol possui milhares de atores roubando, desviando e sonegando. Nem a FIFA poderia sonhar com algum controle sobre tamanha roubalheira.

Não adiantar comemorar a prisão do Marin e fechar os olhos para o que acontece nos nossos clubes. Assim como a boa Política começa com a supervisão direta dos nossos representantes, o bom futebol começa nos clubes. Nos EUA, o Neymar estaria em cana.  Tem que prender todo mundo!


Foto: Ainda nos jardins do Domínio Real de Mariemont.

Sunday, April 19, 2015

Fênix

Faz tempo que não escrevo por aqui. Uma das razões é que faz tempo que não paro em algum lugar. Se tudo der certo, continuarei assim por mais alguns meses, aproveitando a primavera e o verão europeu.

Entre inúmeros compromissos, também passei pelo Brasil. Foi um “pit-stop” para renovar alguns documentos. A burocracia brasileira ainda é campeã em criar documentos que expiram em poucos anos. Por outro lado, o Poupatempo paulista funciona e os cartórios estão bem informatizados. Assim, meus problemas - que não deveriam exisitr - foram resolvidos facilmente. Criam-se dificuldades, vendem-se facilidades.

Depois de alguns meses de ausência do Brasil, a alta dos preços foi notável. Tudo que pude consumir estava mais caro, entre serviços e mercadorias. Além dos preços, vi muita gente reclamando dos negócios e da perspectiva.

Não é a economia em má fase que mais me assusta. A crise político-institucional é muito grave. O governo Dilma e a máquina petista são asquerosos. O pior de tudo é que o impeachment está longe de ser uma solução.  

Por aqui, o Brasil é motivo de chacota. Piada sobre a corrupção generalizada, piada sobre a Petrrobrás, piada sobre o crescimento e assim por diante. Melhor mesmo voltar às piadas do 7X1.

Com todas as ressalvas a este governo incompetente e corrupto, estou naquela fase de ter que defender o país como um todo. Afinal, o Brasil é muito mais do que um bando de esquerdistas mafiosos.

Para defender a honra nacional tenho apelado para chavões como: “é só uma fase ruim”, “a gente vai dar a volta por cima”, “governos sobem e caem”,  “depois da tempestade vem a bonança”, “vamos renascer das cinzas”, etc. Que assim seja.


Foto: Fechando a série sobre Antuérpia, um detalhe encravado no casario típico flamengo.

Monday, March 30, 2015

Notícias

Confesso que comprei uma revista brasileira de passagem por Lisboa. Depois de tanto tempo sentido o que acontece no Brasil pelas redes sociais e com raras olhadelas a alguns sites de jornais, queria uma outra perspectiva.

Felizmente ou infelizmente, todas as minhas fontes são consideradas pelos petralhas como “mídia golpista”. Ou seja, continuo “desinformado”!

Faço questão de cumprimentar e solidarizar-me com (quase todos) vocês, que estiveram na Paulista, bateram panelas e não arredaram o pé. Visto de fora, é algo impressionante. Estive no Brasil nos dias que antecederam o segundo turno. Praticamente, é o mesmo clima. Já são alguns meses de resistência.

As notícias do naufrágio do PT e do governo Dilma chegam aos principais veículos da imprensa europeia, mas não dá para se ter a menor ideia do que acontece por aí. Além do mais, sempre houve uma simpatia dos jornais à esquerda pelo Lula “et sa dauphine” Dilma. A ficha demorou para cair.

Esses escândalos infindáveis sempre incomodaram-me. No Brasil, acabava acompanhando e envolvendo-me. Sem dúvidas, uma fonte de stress. Não deve ser fácil para muitos de vocês ouvirem todas essas notícias dia a dia.

Ainda estou correndo com alguns trâmites burocráticos relativos à expatriação. Já vivi isso antes e dá um certo trabalho.  Para compensar, o inverno foi bem mais tranquilo do que eu imaginava e pude conhecer muitas cidades belgas. E mesmo quando chove, porque não pegar chuva num florão medieval flamengo?


Foto: A estátua do gigante Wapper, personagem do folclore flamengo, diante do Het Steen, uma fortaleza medieval, no centro de Antuérpia.

Sunday, March 1, 2015

Petróleo barato

De uma maneira geral, todos sabem quem ganha e quem perde com o petróleo barato. Os consumidores norte-americanos e europeus ganham. A China e o Japão ganham. A Rússia, a Venezuela e os países árabes da OPEP perdem. E o Brasil, ganha ou perde? Quem sabe?

Não tenho acompanhado as notícias de perto para arriscar um palpite. O preço do combustível ao consumidor nunca acompanhou as oscilações internacionais. A Petrobrás sempre foi usada como um braço do governo (não só para roubar). A autosuficiência é uma história antiga, mas cada ano tem uma desculpa diferente para se importar petróleo ou exportar excedentes a preço de banana.

A verdade é que, independentemente das razões, boa parte do mundo comemora a baixa do combustível. As combalidas economias europeias ganham fôlego. Os EUA solidificam a retomada. E o Brasil, mais uma vez, fica de fora.

Ninguém sabe quanto tempo vai durar essa fase de baixa. Apesar de estar ancorada no crescimento da extração de gás nos Estados Unidos, a queda provém de uma decisão da Arábia Saudita, no sentido de preservar seu mercado ou “quebrar concorrentes”, como arriscam alguns jornalistas.

Em briga de elefantes, sobra para a grama. O nosso pré-sal, por enquanto, é grama. E se o petróleo permanecer barato, o projeto do pré-sal torma-se inviável. Mais um rombo bilionário na breve história do petróleo brasileiro. Incompetência e corrupção andam sempre juntas.





Foto:  Passeio de final de semana em Antuérpia. Na bela Grand-Place, céu azul e temperatura próxima de zero.

Saturday, January 10, 2015

#JeSuisCharlie



Estou na França há alguns dias e pude acompanhar de perto os trágicos eventos: os atentados, as perseguições, as manifestações, os debates, os discursos, etc. Só me resta escrever um post sobre o assunto e passar na banca para comprar a edição especial do Charlie Hebdo na próxima quarta-feira, se é que vai sobrar algum exemplar.

O Charlie foi mencionado uma vez neste blog. Para quem não se lembra, foi “um post para maiores”. 

O cartunista do Le Monde, Plantu, frequenta mais este blog. A razão é simples, eu assinava o Le Monde e comprava o Charlie Hebdo muito raramente. O Charlie tem seus méritos, mas existem outros tablóides satíricos por aqui.

A França construiu uma sólida tradição laica ao longo do último século. A imprensa, representada especialmente pelos jornais satíricos, tem sido grande vigilante deste valor francês. É por isso mesmo que os jornais como Charlie eram muito críticos a qualquer forma de fanatismo religioso, disparando farpas contra o Vaticano e o Islã com muita frequência.

A essa altura, vocês já devem estar familiarizados com o tipo de crítica feita pelo Charlie, pois seus desenhos rodaram o mundo. Ou melhor, quase todo o mundo, pois mexer com religião ainda é tabu. Nos Estados Unidos, a maioria dos jornais não reproduziu os cartuns do Charlie, apesar de ter manifestado solidariedade desde a primeira hora. 

Se os petistas reclamam da “mídia reacionária”, não imaginam o que seria deixar a equipe do Charlie passar uma temporada no Brasil. O Charlie e seus congêneres pegam muitíssimo mais pesado. Fez bobagem? Falou besteira? Lá vem um cartun para desmontar qualquer um. Aliás, o próprio Charlie Hebdo foi criado após a extinção de uma outra publicação, que não respeitou nem o funeral do “intocável” De Gaulle.

O Charlie já havia sofrido um atentado e vivia sob ameaça permanente, mas não deixou de ridicularizar o fanatismo islâmico. Corajoso. Bravo. Heroico. Quantos já não se curvaram?

Se os cartunistas franceses são os guardiões dos valores republicanos mais profundos, os políticos decepcionam. E como! Para garantir os votos da comunidade muçulmana, eles fazem concessões, facilitando o comunitarismo. A laicidade tão cara ao francês corre risco. Fala-se muito da islamofobia. Fala-se pouco da islamofilia.

A questão do terrorismo islâmico interno é complexa. Atentados como esses alimentam o preconceito contra a comunidade árabe. Se já é difícil para um cristão branco conseguir algum emprego, o jovem filho de imigrantes da periferia fica ainda mais sem perspectiva. Abraçar a religião com fervor pode ser visto como salvação. Um círculo vicioso.

É notório que a rejeição ao “amálgama” foi unânime. Essa é a expressão que os franceses usam para a possível generalização associando terroristas e muçulmanos.  Nem a Marine Le Pen entrou nessa.

Qualquer um sabe que a enorme maioria da comunidade islâmica é composta de pessoas do bem, como qualquer um de nós. Ela também é uma grande vítima das suas ovelhas negras. Discutir se ela de alguma maneira faz parte da luta contra o radicalismo é um assunto polêmico.

Para fechar este post, retomo o desfecho dos eventos, com a morte dos terroristas. Se não fosse assim, estaria zombando do governo francês. Assim como no Brasil, onde as prisões são academias do crime, na França, elas são a universidade do terrorismo islâmico. Deixar esses animais na cadeia seria de extrema irresponsabilidade. Só não perguntem por que eles não se mataram depois dos atentados. Bem, já não se faz mais terroristas islâmicos como antigamente.



Foto: Continuando a série de fotos descompromissadas de Bruxelas editadas pelo Google, uma tomada do parque “Trois Fontaines” (precisamente em Vilvoorde), com destaque para seu restaurante, que serve de alternativa à cantina do trabalho.

Friday, January 2, 2015

Tiririca

Desanimados com 2015? Não somos os únicos. Muitos brasileiros abandonaram o eterno otimismo para se juntar às hordas de pessimistas.

Desde as eleições, todos os brasileiros que encontrei estavam frustrados com o país. Não faltam motivos: a economia andando de lado, os sucessivos escândalos de corrupção, a inflação persistente, a insegurança e, sobretudo, a falta de perspectivas.

Em todas as rodinhas com estrangeiros, nas quais pude participar, os comentários sobre o Brasil eram  negativos. No mínimo, fala-se em grande decepção.

Durante o segundo semestre, sempre que meus colegas europeus falavam sobre a Copa, mudava de assunto. Agora, talvez seja prudente evitar também política e economia brasileira. Vou atualizar-me sobre nossas artes para poder mudar de assunto.

Nesse quadro difícil, entra em cena a Dilma e seu ministério selecionado a dedo. Uma  trupe de incompetentes e corruptos disposta a afundar ainda mais o Brasil. Afunda, mas não mata. Se serve de consolo:

- Nos próximos quatro anos, milhões perceberão que as coisas não vão bem. Aquilo que pode ser óbvio para alguns ainda não atingiu o Brasil inteiro. São os rincões que elegeram a presidente e também os inúmeros simpatizantes de Lula e Dilma, que ainda não acordaram.

- A Dilma é herdeira dela mesma (e do seu mentor). A conta da Copa e das Olimpíadas vai ser paga por ela mesma, assim como todos os demais excessos e desvios. Qualquer outro governante teria muitas dificuldades no mandato 2015-2018. Prefiro que a própria Dilma administre o seu legado a escutar quatro anos de desculpas.

- As mudanças de que o Brasil precisa talvez não estejam nem na agenda do Aécio nem da Marina. Tem coisa que a gente só faz quando está diante de um risco maior.

No entanto, acredito que possamos ter uma grata surpresa. Face à uma difícil conjuntura e um governo tão ruim, esperamos pelo pior. Peço licença para recorrer ao filósofo e político Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido pela alcunha que intitula este post: “pior não fica”.

O “pior não fica” é fundamentado na resistência natural da sociedade, em lampejos de ética e  governabilidade, e até na melhora do quadro externo. Enfim, este segundo mandato da Dilma vai ser complicado, mas o Brasil resiste bravamente. Feliz 2015!



Foto: Começo 2015 com uma série de fotos (sem grandes pretensões) tiradas pelo celular, que acabam sendo arquivadas e retocadas automaticamente pelo Google. Achei que o conjunto tem uma história a ser contada. Acima, um dos principais eixos comerciais de Bruxelas, a Avenue Louise, bem perto de casa.

Saturday, March 29, 2014

Ouro negro

Enquanto estava fora, a discussão sobre a gestão da Petrobrás pegou fogo. Sempre é positivo que a realidade venha à tona, mas a reação geral é um pouco surpreendente. Explico melhor a seguir.

Um bom pedaço do rombo da Petrobrás está no nosso próprio bolso. É o controle de preços imposto pelo governo, que usa a empresa como seu braço. A tão amada Petrobrás ajuda a controlar inflação, fazer política industrial e até cultural. Pode ser legal, mas é imoral, sobretudo com os demais acionistas. Estes sim, são prejudicados e desrespeitados continuamente. São os grandes perdedores.

Com relação à corrupção, ora bolas, o governo petista mete as mãos em tudo o que é possível, por que deixaria a Petrobrás de fora? Roubar na saúde e na educação não é pior? Depois da Copa e das Olimpíadas, o que é uma mera refinaria?

Vejo certa incoerência daqueles que clamam: "roubem tudo menos a Petrobrás". Seriam  liberais de verdade? O verdadeiro liberal está entre aqueles que dizem: "vendam a Petrobrás!"

Os casos de corrupção e incompetência em voga são escandalosos. Não vou comentá-los individualmente por falta de informações. Tenho certeza de que existem muitos outros.

Se tudo isso for munição para a campanha eleitoral e vier para abalar a Dilma e sua corja, que seja bem vindo! Afinal, esse é o destino dos maus governantes e dos bandidos mais célebres: são punidos pelos motivos errados.


Foto: Na última foto de Amsterdam, o Nemo, o Museu de Ciências.

Thursday, February 20, 2014

Esquerda

O termo "esquerda caviar" surgiu na França para designar aqueles socialistas que não abrem mão de uma vida de muito conforto. Uma vez no poder, esquerdistas daqui e dali apegaram-se ao luxo. Entretanto, devemos reconhecer, que essa geração foi às ruas e combateu pelos seus ideais.

É o caso dos líderes do PT - presidiários ou não -  e dos franceses, que quebraram tudo em 1968. No poder, são um péssimo exemplo para os comunas de hoje. Esses sim são diferentes. E como!

Os comunas de hoje terceirizam a bagunça. Para horror de Trotski, contratam pobres coitados e não-tão-pobres-assim para representá-los nas praças públicas das nossas capitais. Pedra pra cá, porrada pra lá, bala de borracha pra cá, rojão pra lá. Marx não imaginaria tão vil exploração do proletariado.

Mas nem tudo é decepção no mundo da luta contra as classes opressoras. Os trabalhadores estão mais unidos e não se dão por vencidos. Fizeram até um "rebranding" da baderna através do Black Bloc.

Eu sou do tempo em que um coitado fazia uma manifestação apenas por um lanchinho. Uma vez, cruzei com uma passeata na Paulista. Parecia um bando de zumbis, que mal sabiam repetir aquilo que o homem do megafone esbravejava. Como disse o poeta: "Que tétricas figuras!"

A remuneração dos manifestantes subiu de zero para 150. Imagina na Copa!

Enfim, já não se fazem mais comunas como antigamente. Qualquer hora eu volto para avacalhar com a nova direita brasileira.



Foto: Um canto de tranquilidade no zôo de Amsterdam.

Saturday, January 25, 2014

#NãoVaiTerCopa

Tarde demais para reclamar da Copa. Os manifestantes que ameaçam bagunçar o país estão alguns anos atrasados. O pior de tudo é que a conta da Copa ainda nem chegou!

Atrapalhar o evento não vai resolver muita coisa. Talvez nem perturbe a campanha da Dilma, que se fará de vítima dos bagunceiros. O saldo poderia ser mais uma mancha na já não tão sólida imagem do país.

Por outro lado, não podemos deixar de ver o lado positivo do movimento. Eles acordaram tarde, mas acordaram. Quem sabe, estarão mais atentos a tantos outros maus usos do dinheiro público. A Copa foi a sua lição número um.

A outra boa notícia é que o PT perdeu o monopólio da bagunça. Embora seus infiltrados tenham conseguido esvaziar as manifestações do ano passado, parece evidente a existência de outras forças espontâneas querendo ir às ruas. Vai ficar mais difícil governar com o enfraquecimento do poder de comando do PT sobre os manifestantes legítimos e arruaceiros de plantão.

A Copa e seus estádios bilionários não caracterizam apenas um episódio de incompetência e facilitação da corrupção deste governo. No país do futebol, é uma crueldade. O povão percebeu muito tardiamente que pagaria, mas não teria acesso. O prêmio de consolação será uns "rolezinhos" em torno dos estádios.

Se Lula e Dilma fossem menos arrogantes e gananciosos talvez tivessem procurado um modelo de Copa "light" como fez a África do Sul.  Só com a diferença de investimentos nos estádios, eles economizaram alguns bilhões de dólares. Montante suficiente para pagar nosso satélite recentemente perdido, nossa base na Antártica incendiada e alguns Gripen. A propósito, a África do Sul têm dois satélites, duas bases na Antártica e uma frota de Gripen.


Leia também: Circenses, de 21/10/2012


Foto: Mais uma tomada dos canais de Amsterdam (agosto de 2013).

Wednesday, January 15, 2014

Blasfêmia


O especial de Natal do “Porta dos Fundos” despertou a fúria de diversos grupos cristãos. O tema não é novo neste blog. Nos tempos de Europa, comentei várias vezes sobre as reações de grupos religiosos aos cartunistas mais ousados.

De uma forma geral, acho positivo que os humoristas não encarem religião como tabu e utilizem-na como mote para suas criações. Se existem limites, que sejam delineados pelo bom senso e não por burocratas.

Muita gente já inspirou-se na Bíblia para fazer rir, por exemplo, Mel Brooks (A História do Mundo) e Monty Python (A vida de Brian). Cá entre nós, na maioria dos filmes do gênero, a piada já está quase pronta!

Uma das técnicas mais comuns para se fazer graça com história ou religião é recriar o passado com referências do presente, sejam nos costumes, na linguagem ou na tecnologia. No vídeo em questão, o presente trazido por Melquior não era mirra, mas uma outra erva. Num outro quadro, Maria diz: “Esse Império Romano é um ovo”. Já no final, Jesus diz para Tibério: “Você tem a maior mão de fada”.

Até aí tudo bem. O debate esquenta ao se afrontar um dogma da religião. É o que acontece, por exemplo, quando algum cartunista europeu faz uma representação de Maomé. Já a trupe brasileira fez piada com a maternidade de Maria. Apesar de ter gostado de grande parte do vídeo, reconheço que isso seria dispensável. Justamente por ser uma piada tão fácil, beira o mau gosto. Por outro lado, não concordaria com a sua censura.

Os tais grupos cristãos tiveram o mesmo comportamento dos petistas. Até ironizarem Lula e Dilma, o “Porta dos Fundos” era um grupo genial. Depois, virou um grupo tucano. Há poucas semanas, o grupo avacalhou alguns costumes islâmicos e ninguém falou nada.

Esse é o problema de quem leva religião muito a sério. Toda religião possui seus mitos e dogmas. Nem todos acreditam em tudo, mas respeitam. O problema começa quando alguns acham que as suas crenças são mais verdadeiras do que as dos outros.  

E se o “Porta dos Fundos” pisou na bola fazendo piada com Maria, coube a ninguém menos do que Deus a fala mais inspirada do polêmico vídeo, que serve de resposta aos tais grupos cristãos e a outros fanáticos. No final do primeiro quadro, diante de um José incrédulo de que a história do seu filho Jesus seja convincente, Deus diz: “Querido, isso aí relaxa. O pessoal acredita em qualquer coisa. Vai por mim”.



Foto: Abrindo uma série de fotos de Amsterdam tiradas em agosto de 2013.

Wednesday, January 1, 2014

2014 - Prólogo

2014 já estava destinado a ser um ano do esporte, especialmente para nós brasileiros. É quase certo que não daremos muita bola para os Jogos Olímpicos de Inverno, mas o clima de Copa do Mundo por aqui deve ter poucos similares no planeta.

Os últimos acontecimentos garantirão que o esporte cumprirá seu papel de grande circo. Em 2014, acompanharemos as recuperações do Anderson Silva e do Michael Schumacher, além dos esforços para se realizar algum campeonato brasileiro de futebol.

As eleições gerais ficam num segundo plano. Talvez seja melhor assim. Como escrevi em "Eco", não adianta dizer para vocês que o governo da Dilma é ruim, por que vocês já sabem. Não adianta dizer que estamos sendo roubados, por que vocês já sabem. As eleições do ano que vem podem expelir um ou outro "ficha suja", mas, no geral, não devem mudar o quadro político.

Nesses dias entre Natal e Ano Novo, percebi como é difícil derrotar qualquer presidenciável herdeiro de Lula. Os inúmeros críticos do PT são unânimes em relação à sua fraqueza ética. No resto, há divisão. O PT agrada e desagrada à esquerda, assim como agrada e desagrada à direita.

Um esquerdista puro provavelmente está furioso com a recente onda de privatizações. Também não aprecia a forte influência do lobby religioso no governo. Já o direitista não suporta o tamanho da máquina governamental nem a extensão dos programas sociais.

Face ao programa frankensteniano do PT, tanto a direita como a esquerda têm dificuldades de se opor totalmente. Não dá para ser coerente. Além do mais, as escolhas de Lula e Dilma  estão alinhadas à opinião pública. Talvez seja por isso que os candidatos da oposição sejam tão facilmente pulverizados. A oposição deve procurar um outro caminho. Por enquanto, só um candidato do PT poderia bater o próprio PT.

Finalmente, lembro de mais um assunto sério de 2014, o centenário do início da Primeira Guerra Mundial. Levantei o tema em 2012 no post "No Reino da Dinamarca". Voltarei a ele antes da Copa ;-)


Post de 17/10/2012 - "No Reino da Dinamarca"


Foto: O "Botanical Building" do Balboa Park em San Diego.

Saturday, December 7, 2013

Mandíbula


Agora ninguém mais segura, entramos no clima de Copa do Mundo. Com a realização do sorteio das chaves, a elite do pensamento nacional começa uma longa fase de conjecturas. Logo mais, aparecerão os "bolões". Aqueles nos quais você coloca toda sua sapiência e conhecimento futebolístico, mas, no final, quem ganha não sabe nem o que é impedimento.

Não tenho nada contra o mundo mágico futebol. Pelo contrário. Só espero que sobre algum espaço na mídia para se continuar tentando melhorar o país, investigando e denunciando.

Nos últimos dias, cheguei à conclusão que a imprensa deve dar mais espaço ao ex-presidente Lula. Deixem-no falar. Dêem-lhe cordas. A história recente do país só tem a ganhar.

A mídia assinalou muito bem três lapsos recentes de Lula. O primeiro foi o escandaloso "estamos juntos", dito pelo telefone ao presidiário José Dirceu. Dispensa comentários.

No segundo, talvez menos espetacular, disse "a lei só vale para o PT", reconhecendo que o STF, liderado pelo lunático Joaquim Barbosa, aplicou a lei.

Ontem, ao receber o título de doutor honoris causa da UFABC (!), dirigiu-se a Dilma e esbravejou: “Depois que ele se forma doutor, não espere que ele ficará agradecido. Ele vai para a rua fazer manifestação contra você”. Lula finalmente reconheceu que as manifestações também foram contra o governo petista, contrariando todo o esforço dos seus companheiros.

Enfim, deixem o Lula falar! Atos falhos podem não ser aceitos como provas criminais, entretanto a sociedade clama por esclarecimentos sobre seus laranjas, filhos e amantes. O Brasil sempre sonhou ter um líder como Madiba, mas ganhou mesmo uma grande mandíbula.


Foto: Montagem com algumas fotos tiradas no zôo de San Diego, um dos melhores e maiores parques do gênero do mundo.