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Wednesday, December 2, 2020

Macapá


Durante a forte tempestade de ontem, houve um problema com o fornecimento de energia. Foram boas horas sem luz. Um dia de Macapá num bairro nobre de São Paulo.

Os habituais cortes de energia programados para o final de semana são fichinha. No domingão, sempre tem coisa melhor para fazer. Porém, um corte inesperado numa terça-feira em tempos de “work from home” é uma baita sacanagem.

De repente, toda aquela parafernália eletrônica comprada para melhorar nossas “lives” não serve para nada. A gente se vira com o smartphone mesmo. Aliás, onde andam meus poderosos carregadores de celular? Faz meses que não preciso deles! 😉

Um bom smartphone comporta tudo o que precisamos fazer: calls, leituras, anotações, etc. Passar muitas horas com ele pode ser divertido. Porém, quando é por obrigação, a coisa é diferente.

As horas passavam e eu acreditando na volta iminente da energia. A uma determinada altura, já estava de olho na tomada do hall social, ligada ao gerador do condomínio. Ela garantiu o celular até a hora de dormir.

Ao cair da tarde, a preocupação era outra. Comer é fácil, afinal o iFood está aí para isso. Minha esposa, no entanto, teve outra ideia. Levar alguns equipamentos da cozinha para o hall social, onde usaríamos aquela tomada. Felizmente, não tem detector de fumaça por lá. O resultado foi um delicioso jantar à luz de velas.

Noite adentro, a energia do computador ainda sustentou uma luminária com tomada USB por um par de horas. Minha esposa escrevia a sua monografia e eu aproveitava a luminosidade para ler um livro no Kindle com mais conforto. Rendeu uma centena de páginas. Poderia ter rendido mais se o capítulo do livro em questão fosse menos indigesto.

A energia voltou durante a madrugada, tempo limite para não comprometer o que estava na geladeira. A gente se vira muito bem. Nada comparável aos nossos irmãos do Amapá, que sofreram o apagão dos apagões.

 

Foto: Monastério de Perissa em Santorini (2016).

 


Monday, July 18, 2016

"No limits"

A última passagem por São Paulo rendeu duas multas. Depois de algum tempo fora, esqueci-me do rodízio e também não percebi os novos limites de velocidade. Paciência!

Dirigir devagar dentro do perímetro urbano é razoável. É uma tendência mundial. Não é razoável ter tamanha diversidade de limites, 30 km/h, 40, 50, 60, 70, etc, estabelecidos ao gosto da burocracia. Imaginem só a economia que poderíamos fazer com menos sinalização!

Na Bélgica, onde também se anda devagar, usa-se o princípio da exceção. Há uma regra conhecida por todos e só as exceções são indicadas. Ou seja, na falta de sinalização, vale o limite de 50 km/h dentro da cidade. Já na autoestrada, o limite é de 120 km/h. Só há placas para sinalizar as exceções, como naqueles trechos próximos às obras.

Falando francamente, só descobri tudo isso há poucos meses. Pensei que a ausência de placas nas estradas significasse “no limits”, algo tipo “Autobahn”. Apesar do mal entendido, não levei nenhuma multa.


As duas multas são fatos pitorescos. Tem coisa muito mais grave. Desde que saí do Brasil pela primeira vez, em 2007, o aumento de preços tem sido constante. Na semana passada, passei por uma situação boba, um pouco constrangedora para mim e que ilustra a tal inflação.

Andava pelas ruas de SP bem à vontade, sem celular e sem documentos. A ideia era passar no supermercado para comprar meia dúzia de itens. Levei uma nota de 50 reais na expectativa de gastar uns 20 e voltar com troco. Vocês devem estar imaginando o que aconteceu. Se não foi a minha primeira vez, não me lembro de outras ocasiões.  Quando percebi que a conta passaria dos 50 reais, tive que pedir para o caixa estornar dois artigos. Vexame :(



Foto: A fachada mais conhecida de Vannes, Bretanha, com o famoso casal esculpido em pedra por volta do século XVI.

Saturday, November 7, 2015

Sanfona

Quando voltei da minha primeira expatriação, estava com 10kg a mais. Digamos que quatro anos de gastronomia francesa justificam esse ganho de massa. Foi por uma boa causa!

A história se repete. O “efeito Bélgica” parece ser ainda mais devastador. A combinação de cerveja, waffle, chocolate e fritas farão os 10kg em muito menos de 4 anos e isso não é uma boa causa, é uma tragédia!

Antecipando o esperado “efeito sanfona”,  tenho procurado academias perto de casa desde que cheguei em Bruxelas. Não achava nenhuma comparável às melhores academias paulistanas. Dá para imaginar alguém limpando os aparelhos após cada utilização por aqui? Nem pensar. E aquele exército de monitores prontos para ajudar? Muito menos.

Entre as minhas tentativas, conheci uma academia tocada por uma só pessoa. Parece cômico, mas a questão da mão de obra na Bélgica é ainda mais complicada do que na França. Também estive numa outra com instalações muito semelhantes às brasileiras. Os aparelhos e máquinas podem ser os mesmos, mas falta o principal: gente.

Há pouquíssimo tempo, encontrei uma academia excelente bem ao lado de casa. Ao longo dos últimos 18 meses, passei diante dela um monte de vezes e não reparei. Possivelmente, uma parte de mim não queria mesmo encontrá-la ;-)

Já estou inscrito. Na próxima vez que pisar no Brasil ainda estarei acima do peso. Quem sabe, em abril, estarei mais próximo daquele que saiu do país há 18 meses.

Em São Paulo, fazia academia com assiduidade. Nunca tive nenhuma ambição esportiva, era a forma mais interessante de fugir do trânsito.

Na minha plenitude esportiva, boa parte do tempo da academia era dividido entre a leitura do jornal, o lanchinho e o banho. No tempo que sobrava, eu queimava umas calorias.


Foto: Mais uma tomada do Château de Belœil, a partir dos seus jardins.

Sunday, June 21, 2015

Waterloo


Passou 2014 e não escrevi  aquele prometido post sobre o centenário da Primeira Guerra. Para falar a verdade, não li tudo o que queria sobre o tema e acabei deixando o assunto de lado. Nesses dias, comemorou-se mais uma data histórica, o bicentenário da Batalha de Waterloo, que representa o fim do perído napoleônico. Dessa vez, não deixo passar em branco.

Quando o assunto é Waterloo, a França faz picuínha. Atrapalha a comemoração dos outros e ainda não envia seus representantes oficiais ao cenário da batalha. O governo faz feio, mas a imprensa foi magnânime. Fez intensa cobertura de um fato histórico tão importante para a formação da Europa. Hollande não foi. Mas eu fui!

Fui eu e mais 60 mil! Como os campos de Waterloo são afastados do centro de Bruxelas, tive meu momento paulistano ao dividir a estrada com 20 mil carros. Imagino que as centenas de milhares de homens e cavalos que lá chegaram, duelaram e pereceram há 200 anos causaram menos impacto do que todos esses automóveis.

A  Batalha de Waterloo é muito apropriada para ser reconstituída.  Foi uma das últimas batalhas à moda antiga, com tropas inimigas emparelhadas, aproximando-se até aquele sanguinário “mano a mano”. O outro aspecto peculiar é que esta batalha realmente ocorreu numa área pequena, viabilizando a reconstituição com muito realismo.

O lado menos interessante do excesso de realismo é a fumaça. Estava atrás da artilharia de Wellington. A fumaça excessiva dos canhões atrapalha bastante a visão. Considerando-se a precisão das armas de fogo da época, entendo que os canhões tinham mais um efeito moral do que letal.

Veio gente de todo mundo assistir ao espetáculo. Os ingleses eram maioria entre os estrangeiros. Óbvio. Um casal de ingleses perguntou: “Você veio do Brasil só para assistir ao show?” Não é bem assim J

Se a reconstituição deste ano foi especial, o evento ocorre todos os anos. Fica a dica!



Fotos do espetáculo da reconstituição da batalha de Waterloo. Acima,  detalhe da artilharia inglesa no meio da fumaça. Abaixo, visão geral do "batalhódromo" atrás da linha inglesa. Mais abaixo, Wellington observa o avanço da infantaria francesa.



Friday, June 20, 2014

Eu e a Copa

Até agora, só pude ver o jogo de abertura da Copa. Depois disso, mais nada! Mesmo assim, eu e meus colegas continuamos acompanhando. Uma janelinha aberta com o placar do jogo, uma ligadinha na televisão no intervalo das reuniões, uma olhadela na TV de um bar indo para o jantar e assim por diante. Sempre tem um jeitinho de saber o que está acontecendo.

A essa altura do campeonato, os comentários sobre o Brasil e a organização do evento são raros. Meus colegas europeus surpreendem-se com o desempenho das equipes latino-americanas. Os franceses saíram da apatia habitual e começam a ver a competição com outros olhos depois da surra aplicada na Suíça nesta tarde. Os belgas estavam muito otimistas, mas depois da vitória suada sobre a Argélia, estão mais comedidos.  E, finalmente, todos nós festejamos a eliminação precoce da Espanha e da Inglaterra.

Enfim, vista de fora, a nossa Copa parece como todas as outras. Tudo padrão FIFA. A única anormalidade transmitida para o mundo foi aquela bagunça do jogo Espanha X Chile.  Nem sem direito o que aconteceu, tudo indica que foi exceção e não regra.

A Copa é o que passa na TV. Se a imprensa não falar de quantos estrangeiros foram assaltados ou perderam-se por aí, ninguém vai saber.  Nessas horas, um pouco de distância é ótimo. Afinal, vai saber o que pode ter acontecido na África do Sul!

Se o meu último post foi escrito no lounge da Air France, este está sendo redigido no da United. Estou voltando para ver dois jogos ao vivo, um em São Paulo e um no Rio. Agora sim, chegou a hora de ver a Copa de perto. Até breve!



Foto: Pôr do sol em San Sebastian, País Basco.

Sunday, April 13, 2014

Aeroportos e outros nós

Bem que gostaria de escrever sobre assuntos mais amenos. Devido às nossas eleições gerais, os próximos meses continuarão muito quentes no Brasil. Só mesmo lá de fora, dá para se desligar um pouco de todos esses casos de corrupção e da política de baixíssimo nível.

Naquele final de semana, em que escrevi “Voando”, passei um tempão no aeroporto parisiense devido a um incidente aéreo. Além de ter escrito o post, antecipei as seguintes linhas:


A Air France completa 80 anos e o seu hub, o Aeroporto Charles de Gaulle (CDG), 40 anos. Não menciono tais fatos ao acaso. Nos últimos 28 anos, usei prioritariamente a companhia e a sua base. Exagerando-se um pouco, é a minha segunda casa.

O CDG não está entre os cinco primeiros do mundo em volume de passageiros. Perde em suntuosidade para os novíssimos congêneres asiáticos. É apenas um grande e bem administrado aeroporto, em expansão contínua nessas quatro décadas. Bravo!

Quem conhece o CDG percebe facilmente tal expansão. Os terminais têm estilos arquitetônicos totalmente diferentes, incorporando aquilo que foi o mais arrojado em cada década.

Os dois terminais mais recentes assemelham-se a shoppings envidraçados, uma tendência mundial, que parece ser a inspiração do tão esperado Terminal 3 de Guarulhos.

Os terminais mais antigos foram uma ousadia dos anos 70, ao encurtar a distância da porta do aeroporto ao avião. Ficaram para trás com o crescimento exponencial da aviação civil e serão reformados.

Em quase três décadas, testemunhei a inauguração de 6 terminais do CDG e o início de um ciclo de renovação. Este é justamente o ponto deste texto, o contraste com o aeroporto internacional de São Paulo, vergonhosamente parado no mesmo período.

Mas, é pior do que isso. Mesmo que houvesse uma chuva de dinheiro em GRU, as expansões seriam limitadíssimas. Seu terreno está completamente imerso na mancha urbana da capital. Nem a pista principal poderá ser reformada para receber um A-380.

Enquanto isso, o CDG tem terreno de sobra. Além da reforma dos terminais mais antigos, planeja-se mais um terminal e novas linhas férreas integrando o complexo. Existem planos até 2030, independentemente de quem ganhe as eleições. Seja de direita ou de esquerda, o plano de expansão é bom para o aeroporto, para a companhia aérea, para Paris e para a França.

Enfim, é um pequeno exemplo de uma grande diferença. Infraestrutura não se constrói em ciclos de quatro anos. A visão de futuro deve ser perseguida pela sociedade, seja quem estiver no poder. É um grande compromisso coletivo.

Por outro lado, é difícil priorizar-se a infraestrutura quando o povo não tem as suas necessidades básicas satisfeitas. Existem paliativos como a privatização ou a redução de gastos públicos, mas é preciso reconhecer que o Brasil tem um grande nó.  


Foto:  Uma das ruas estreitas do centro de San Sebastian (País Basco).

Saturday, February 22, 2014

Mercado

Geralmente associamos os cartéis às grandes corporações. O recente imbróglio ferroviário paulista é mostra disso. Entretanto, a manipulação do mercado, o cerceamento da concorrência e a imposição de barreiras de entrada são mais banais do que parecem.

Tomo dois exemplos recentes de coisas que estão mais perto da gente do que a contratação de trens, um caso francês e outro brasileiro.

Paris é conhecida pela falta de táxis. Se você não estiver a fim de usar o transporte público, vai depender da loteria que é achar um táxi livre pelas ruas da cidade. Quando achar, ainda existe a chance de que o motorista recuse a viagem. Ah, sim! Isso é muito comum por lá.

O preço do táxi francês é controlado, como em muitos lugares do mundo. O problema está na oferta. A união dos taxistas transformou aquilo num clube fechado. O número total de veículos permanece o mesmo há muito tempo. Um novo motorista só entra se um outro sair e ainda pagando um prêmio de 200 mil euros. Apesar das investidas do governo, a categoria resistiu e não deixou aumentar a frota.

A saída do governo foi criar o serviço de locação de carros de turismo com motorista. Parece complicado? Na prática, é quase a mesma coisa do que o bom e velho táxi. A diferença é que não existe a possibilidade de chamá-los sinalizando-se para o motorista, usa-se exclusivamente a Internet, algo que, por sinal, também tem se tornado comum entre os táxis. Vários serviços como Allocab e Snapcar começam a comer o mercado pelas bordas e transformar Paris numa cidade tão boa para os negócios como é para o turismo.

Já o governo brasileiro tem uma mentalidade diferente. Todos estão alarmados com o aumento dos custos de hotéis e restaurantes em algumas sedes da Copa. Nosso governo está aparelhando-se para o controle de preços ao invés de ter trabalhado para aumentar a oferta há alguns anos. Tarde demais para revogar a lei da oferta e da procura!

Vou ao Maracanã participar da grande festa. Tive que me contentar com um bate e volta de São Paulo. Achei absurdo pagar bem mais de mil reais por noite em hotéis de segunda.

O Rio é mesmo um caso à parte, mas não precisava ser o lugar mais caro do mundo. Mesmo sem Copa e sem Olimpíadas, a cidade já tinha diárias monegascas. Não é novidade para ninguém que existe um cartel de hotelaria na cidade.

Enfim, os grandes cartéis corporativos são manchetes de jornais e alvos de multas milionárias. Mas, no dia a dia, são os pequenos cartéis que nos esfolam.


“People of the same trade seldom meet together, even for merriment and diversion, but the conversation ends in a conspiracy against the public, or in some contrivance to raise prices.”
Adam Smith (A riqueza das nações, 1776)



Foto: Outro cantinho de Amsterdam, foto tirada nas minhas férias de 2013.

Saturday, February 8, 2014

Sochi

Se algum brasileiro está muito preocupado com os grandes eventos esportivos de 2014 e 2016, existe um atenuante. A expectativa é tão ruim, que dificilmente faremos pior. Já para o governo, aconteça o que acontecer, será sempre um sucesso.

Seremos perdoados. Não precisamos mais nos comparar com a Rússia e sua suntuosa sede de Sochi. No ranking econômico, a Rússia e a China estão num patamar acima, são países propulsores do desenvolvimento mundial, aquilo que sobrou do antigo BRIC. O Brasil, agora, é parte do grupo "fragile five", com a África do Sul, Índia, Indonésia e Turquia. O mais triste é que o custo dos grandes eventos nos deixará ainda mais frágeis.

Apesar do bilionário investimento feito em Sochi, os hotéis inacabados viraram motivo de chacota. Mesmo que todo o resto dê certo, Sochi é um escândalo. Os russos - e os europeus em geral - enxergam a organização das Olimpíadas do frio, da mesma forma que nós vemos os eventos locais: corrupção, roubalheira, improbidade, indecência, etc.

Nas palavras da Economist: "Corruption comes in different forms: overstating costs, giving contracts to friends and relatives (some of whom have no qualifications) and reworking the same construction site several times over to justify charging more. Most of the money came directly from the state or via state banks".

Não se assustem com a familiaridade do texto, o Brasil ainda é institucionalmente mais evoluído do que a Rússia.

Para não ficar só em desgraça, confesso que estou esperando pelo campeonato de curling e que gostei muito da abertura dos Jogos. Acho que o uso de projeções digitais está apenas começando e tem grande potencial. É certamente uma ferramenta para se valorizar grandes eventos e cidades sem graça como São Paulo.


Veja também: Campeonato de corrupção em Sochi


Foto: O Begijnhof de Amsterdam, algo como uma vila de beatas. A origem dessas comunidades é medieval. Outras cidades holandesas e flamengas ainda conservam seus Begijnhof. Possivelmente, publicarei algumas dessas fotos.

Thursday, January 9, 2014

A hora da caça

A explosão de violência no Maranhão é só uma face da migração da criminalidade do eixo Rio-São Paulo para o resto do país, especialmente para o Nordeste. Os índices relativos de homicídios das capitais nordestinas são dignos da Venezuela.

O quadro faz lembrar um capítulo da história da aventura humana, como conta Jared Diamond em "Armas, Germes e Aço".

Os homens primitivos espalharam-se pela Ásia e Europa a partir da África. Com as habilidades que os diferenciavam dos outros animais, tornaram-se exímios caçadores. Neste processo, as caças também evoluíam. Sobreviviam aquelas que tinham o reflexo da fuga, que não caíam nas armadilhas mais básicas e assim por diante. Ao longo de milênios, tal interação fez do homem um grande caçador e também permitiu a seleção dos animais mais espertos.

Em algum momento da história, nossos ancestrais entraram na Oceania e na América. Lá, os hábeis caçadores encontraram animais que jamais haviam convivido com o homem. Foi uma festa, pois caçá-los era muito fácil. Foram séculos de fartura e muito churrasco até a extinção completa dos grandes mamíferos dos dois continentes. A falta desses animais foi um dos fatores que condenaram ao atraso civilizações como as pré-colombianas e os aborígenes australianos, que não tinham animais de porte para puxar o arado, para o transporte e nem mesmo para uma alimentação correta.


Voltando ao século XXI. No Rio e em São Paulo, a polícia e os bandidos também evoluíram juntos. À cada ação de um lado, uma reação do outro lado. Após décadas jogando de caçador e caça, atingimos um certo equilíbrio. E o que acontece quando a bandidagem dessas cidades chega aos outros estados, onde encontra um corpo policial subdimensionado, despreparado e desequipado? A resposta é óbvia, a hora é da caça. Assim como é óbvio tudo que os governos devem fazer para reverter este quadro.

Nossos índices de violência são muito altos. Nem mesmo todo crescimento dos últimos anos não foi capaz de melhorá-los. Compreendo a visão humanista que norteia os partidos como PT e PSDB, mas clamo por uma ação mais enérgica. Sob o risco de que, amanhã, um espertalhão chegue ao Planalto prometendo apenas "colocar a ROTA na rua".


Foto: Última foto de San Diego, ainda no Balboa Park.

Thursday, December 19, 2013

Escolhas


Alguns assuntos que foram notícias durante a semana mostram como a nossa sociedade é complexa. Na mão dos líderes daqui e dali, não existem decisões óbvias.
  • Um dos debates paulistanos é a circulação de táxis nos corredores de ônibus. A sua proibição traz benefícios evidentes para a maior fluidez dos coletivos. Por outro lado, acredito que um sistema de táxi rápido e competitivo complementa o próprio transporte coletivo. É essencial para os negócios da cidade e pode ser um fator de peso numa decisão de se abandonar o carro próprio.
  • Há três anos, fiz um post satirizando a demora na decisão de compra dos novos caças da FAB. Outra questão difícil, cada alternativa tinha seus prós e contras. A opção sueca agrada aos militares. O Lula tinha uma visão mais política dessa compra. Concordo com ele, pois uma parceria com a França ou Estados Unidos poderia ser muito mais ampla, envolvendo trocas mais importantes do que apenas os aviões.
  • O governo desconversa quando é questionado sobre o pedido de asilo do Snowden. De fato, a coisa parece não ter sido formalizada corretamente. Snowden pode ser um “mico”, mas também pode trazer um pouco mais de brilho e protagonismo ao Brasil no debate global sobre privacidade.  Não seria ruim para os EUA. Afinal, qualquer coisa é melhor do que deixá-lo sob a guarda do democrático e honesto Putin.
  • Ainda sobre o Snowden, é difícil de acreditar que o assunto não esteja na pauta diária da Casa Branca. Quando escrevi meus posts sobre o caso, não imaginava um estrago tão grande. Há uma série de repercussões negativas internas e externas, gerando desgastes e perdas econômicas. Os EUA devem negociar com Snowden? Ó dúvida cruel! Acho que sim. Tudo indica que tenha revelações ainda mais bombásticas e não esteja blefando. Bem, neste caso ainda é preciso encontrar uma saída honrosa para o pessoal de Washington.

Enfim, neste post mostrei quatro decisões difíceis. Nenhuma seria isoladamente certa ou errada. Talvez não façam sentido sozinhas, estão inseridas dentro de um contexto, associadas a outras escolhas. Ao final, julgaremos Haddad, Dilma e Obama pelo “conjunto da obra”. Como disse Camus: “A vida é a soma das nossas escolhas”.


Foto: Jardim japonês do Parque Balboa em San Diego.

Saturday, November 16, 2013

Feriadão na estrada?


Neste feriadão, milhões de paulistanos passaram muitas horas nas estradas. Muuuuuitas horas! Se o descanso no literal ou no interior compensa o estresse da viagem depende do julgamento de cada um. Nesse caso, é correto esculachar o governo e reclamar da falta de infraestrutura viária ?

As maiores deficiências do nosso sistema de transporte estão no transporte urbano e no de mercadorias, dois gargalos que atravancam a economia e perturbam nossas vidas. Turismo interno e lazer soam como prioridades menores diante dessas duas. Investir em estradas, que ficarão ociosas a maior parte do tempo, não é a melhor aplicação dos recursos da sociedade, sejam públicos ou privados.

Alguém poderia argumentar que se tivéssemos uma malha ferroviária mais desenvolvida, o gargalo rodoviário seria bem menor. É verdade, mas é tarde demais. Para um efeito perceptível, precisaríamos de uma malha ferroviária tão grande, que a relação custo-benefício do investimento seria muito discutível. Na Europa, mesmo com toda a malha disponível, as rodovias também chegam a parar nos feriadões!

O governo tem seu papel. Cabe a ele garantir a segurança dos viajantes, fazer melhorias constantes no sistema, desengargalar estradas e, excepcionalmente, construir nova rotas. De qualquer modo, não tem milagre! Não há sistema de transporte que resista a alguns milhões de pessoas saindo da cidade ao mesmo tempo.


Foto: Mais uma tomada de Gante, na Bélgica.


Tuesday, November 12, 2013

Êh São Paulo...


Os jornais paulistanos estão num momento particularmente interessante. Escândalos de corrupção sempre são notícia, mas nem sempre eles surgem ao mesmo tempo nas três esferas do poder! A teia da roubalheira está presente no município, no estado e na federação. Ela engloba diferentes partidos e as mais diversas áreas da administração pública.

Jamais duvidei da abrangência da corrupção na nossa cidade e estado. Ver o jornal recheado de notícias de corrupção local serve de alerta àqueles que acham que São Paulo carrega um fardo, por sustentar um país corrupto e atrasado. Não temos moral para falar do Sarney ou do Collor. Além do mais, a máquina que assola a nação foi desenvolvida pelo PT de São Paulo!

Leitores, não é preciso ficar com vergonha de São Paulo! Muito pelo contrário. Tanto o município como o estado são os mais bem aparelhados do Brasil. Bastam alguns bons funcionários públicos para que as irregularidades apareçam.

Temos que enaltecer o papel da imprensa. Em São Paulo, ela tem mais recursos e liberdade para investigar e denunciar. Talvez o Estado e a Folha não sejam os mais perfeitos exemplos de imprensa independente do planeta, mas no resto do Brasil é muito pior. Sem contar nossos grotões, onde eliminar jornalistas é rotina.

Muito provavelmente, a maioria dos denunciados pelas últimas edições dos jornais paulistanos não irá para a cadeia. Isso não é motivo de descrença. De alguma forma ou de outra, eles serão punidos, terão bens bloqueados, perderão cargos e seus parentes serão expostos à humilhação. O mais importante é que estejamos complicando cada vez mais a vida dos desonestos e, é claro, servindo de exemplo para o Brasil.


Foto: Outra tomada de Gante, na Bélgica.

Sunday, October 27, 2013

Festa 2


Espero que vocês tenham lido o post anterior sobre a minha festa de 50 anos. Não dá para falar de todos os amigos que estiveram por lá. Então, no estilo do apresentador francês Laurent Ruquier, vou falar de quem não foi.

Políticos ilustres foram convidados.

- O prefeito Fernando Haddad disse que viria de ônibus para dar exemplo. Bem, esperamos ele até às 4 da manhã.
- O governador Geraldo Alckmin condicionou a sua vinda à inclusão de picolé de chuchu entre as sobremesas, mas o chef disse que não dava mais tempo para mudar o cardápio.
- A Dilma Roussef, sempre que passa por São Paulo, visita o Lula. Ela prometeu que, assim que o Lula bebesse a última dose de whisky, viria para a festa. Também não chegou.

Convidei os presidenciáveis.

- Aécio Neves perguntou se iria rolar um pó. Eu disse que não, pois era festa família. Ele declinou.
- Marina Silva condicionou a sua vinda à celebração de um culto evangélico lá pelas 23:30 horas. Tive que negar, pois essa era a hora do "parabéns a você".
- José Serra não veio por que estava em transe com a ascensão do Palmeiras.
- Pedi para convidarem o Eduardo Campos, mas os organizadores da festa não sabiam de quem se tratava.

Algumas celebridades foram convidadas.

- Chamei o Eike Batista. Infelizmente, ele estava sem dinheiro para comprar a passagem para São Paulo. Alguns convidados sugeriram que parte dos donativos arrecadados fosse remetida ao ex-bilionário. Finalmente, um convidado muito querido fez uma proposta melhor: mandar só os alimentos vencidos ;-)



Foto: Regina Pistelli e José Padilha anunciam a ação solidária mencionada no post anterior. (Fotógrafa Tahia Macluf - Foto A2)

Festa 1


Celebrei meus 50 anos neste sábado. Pedi aos amigos que dispensassem presentes e trouxessem alimentos não perecíveis. O saldo da noite foi de 8 caixas de donativos, que serão entregues a um asilo.

A ideia de substituir presentes por doações tem dois aspectos. O primeiro é a promoção da filantropia, que dispensa comentários. O segundo é uma mensagem para se evitar o desperdício, o acúmulo excessivo de bens pouco úteis e o consumismo. A combinação dos dois é uma ação pela sustentabilidade.

Inspirados pelo meu convite, um grupo de executivos de TI fez uma ação solidária numa região muito carente da periferia de São Paulo.

Nosso amigo Jenner Lopes estava engajado em ações de apoio à Comunidade Fazendinha, Zona Norte de São Paulo. Ele e outros voluntários ajudaram a realocar uma família que morava em condições absolutamente precárias. Para piorar um dos filhos da D.Neilda é autista, exigindo cuidados especiais. A solução foi encontrar um terreno e construir uma casa para esta família.

Para felicidade de todos, o dinheiro dos voluntários acabou na época em que o grupo de executivos de TI procurava um projeto de solidariedade para encampar. Graças a essa ajuda, a nova casa está pronta e devidamente equipada.

Fiquei muito honrado com a iniciativa do grupo e a adesão de inúmeros outros participantes. Tenho quase certeza de que esse movimento não para mais.


Obrigado a todos que me cumprimentaram pessoalmente e virtualmente!  Obrigado a todos que se juntaram a essa ação solidária!



Foto: O bolo do cinquentão (Fotógrafa Tahia Macluf - Foto A2)

Sunday, October 20, 2013

2014


No meio político, a grande dúvida é se a Dilma será reeleita no primeiro ou no segundo turno. Parece inacreditável. Há poucos meses, as massas invadiam as ruas e acenavam para um futuro diferente.

As manifestações foram habilmente esvaziadas. A infiltração orquestrada de baderneiros assustou aqueles que se manifestavam legitimamente. Além disso, o "mico" passou para os governos estaduais de São Paulo e do Rio, criticados quando reprimem e quando não reprimem.

O programa Mais Médicos foi uma cartada genial. Quase escrevi um post sobre o assunto, mas preferi esperar pela opinião dos especialistas.  Podemos criticar os métodos e a forma do governo impor o programa, mas não a sua lógica.

Além de fazer sentido sob o prisma sócio-econômico, é uma ação política decisiva, capaz de consolidar a vitória da Dilma e ainda ameaçar os últimos bastiões tucanos. Resta à oposição o medíocre papel de ficar denunciando médicos argentinos e cubanos que cometam deslizes. Algo que começa a aparecer nas redes sociais, mas é estatisticamente irrelevante.

Num país tão desigual, um governo populista sempre poderá achar uma cartada para virar o jogo e ganhar mais quatro anos de poder. E temos que admitir que não foi este governo que criou um dos países mais desiguais do mundo.

A questão é onde parar. De cartada em cartada, o Brasil vai definhando. O desempenho do país na era Dilma não é mais o mesmo. Graças a contínua deterioração dos indicadores, nossos 15 minutos de fama já acabaram. Estamos andando para trás.

Se serve de consolo, falta um ano para as eleições. É bem verdade que os rivais da Dilma são umas mulas, tão ruins quanto ela, mas, em um ano, muita coisa pode acontecer. Afinal, nosso país é regido pela antiga máxima: "o Brasil cresce enquanto os políticos dormem".


Foto: Mudando de Bruges para Gante, ainda na Bélgica.

Saturday, August 17, 2013

Poltergeist

Alguns artigos estrangeiros celebram a queda da criminalidade no primeiro mundo. Bem, só podia ser lá fora, é óbvio! O mais interessante é que até mesmo a profunda crise não modifica a tendência. Segundo especialistas, o fenômeno deve-se a uma série de fatores como a vigilância onipresente, o envelhecimento da população, a eficácia das modernas técnicas de investigação, etc. Enfim, sob tais condições, o crime não compensa.

Já no terceiro mundo, o crime continua compensando. E muito. Em maio, escrevi o post "o crime da semana", sobre os eventos bárbaros que continuam nos chocar frequentemente. Convido você à sua releitura. Como será o próximo crime da semana?

Numa perspectiva histórica, Rio e São Paulo reduziram fortemente seus índices de criminalidade, mas ainda estão num patamar inaceitável. Em termos relativos, São Paulo é a capital menos violenta do Brasil. Nossos irmãos nordestinos, contudo, rivalizam com países em plena guerra civil. Suas taxas de homicídios são piores do que as iraquianas.

Uma das explicações mais comuns é que a bandidagem prosperou no Sudeste e invadiu o Norte e Nordeste, onde encontrou mais pobreza e uma polícia ainda mais despreparada. Atenção, eu disse "ainda mais"! Terreno perfeito para a explosão da violência. Se nós, paulistanos e cariocas, não admiramos nossas polícias, imaginem os outros!

Sonhamos com uma polícia preparada e competente, que investigue e solucione todos os crimes, independentemente das vítimas, seja um colunável ou o Amarildo. Sabemos que hoje é impossível. Desta forma, penso que quando se trata do "crime da semana", quando os holofotes da mídia estão sobre as 'otoridades', eles não deveriam falhar. É a chance de mostrar que a 'corporação' tem um pingo de seriedade.

A título de exemplaridade, para motivar os seus quadros e inspirar a confiança da população, esses crimes deveriam ser resolvidos. Que tragam especialistas de fora e usem os recursos mais modernos que a tecnologia proporciona!

Infelizmente, as polícias do Rio e São Paulo perdem essa oportunidade. Brindam-nos com histórias pouco críveis. Exemplos? No Rio, tivemos o poltergeist do Amarildo, quando vários dispositivos eletrônicos falharam simultaneamente. Em São Paulo, a história policial já nos trouxe personagens fantásticos como o Homem Invisível na Rua Cuba, o Homem Aranha no sequestro do Sílvio Santos e, mais recentemente, o malvado Chuckie, matador de famílias.


Foto: Um convento no centro de Bruges. Tranquilidade pura.

Saturday, August 10, 2013

Cartel

O caso dos trens paulistanos terá uma repercussão desproporcional. Se depender do PT, ele será explorado até as últimas consequências, com o intuito evidente de se abafar os escândalos dos governos petistas.

Ninguém duvida da existência de um cartel. Os grandes atores do mundo ferroviário já receberam punições exemplares fora do país. É assim em todo o mundo! Fica uma questão para os economistas, talvez seja ilusão querer uma real competição no setor.

A grande dúvida é o envolvimento do governo ou de funcionários públicos. Embora o valor das supostas propinas não pareça exorbitante, corrupção é corrupção e deve ser punida.

Se confirmado, o caso ilustrará como a corrupção está profundamente impregnada na máquina pública brasileira, independente de partido. Como neste caso, no Mensalão e em tantos outros, os grandes desvios são feitos em parceria com agentes privados, encobrindo-se mais facilmente os rastros da operação.

Muito provavelmente, essa história estava preparada para eclodir no momento certo. Era um coringa petista. Depois das manifestações e da queda brutal de popularidade da Dilma, o escândalo vem colocar a disputa PT X PSDB num empate técnico moral.

A essa altura do campeonato, não sei como  FHC poderá convencer o povo de que não é farinha do mesmo saco (nas suas próprias palavras). Precisaria de uma senhora retórica, recorrendo à Ética, Economia e Filosofia. Tudo que o povo não quer ouvir. Luta inglória.

Mesmo com algumas dúvidas sobre o caso, para mim, é mais uma evidência de que não mudaremos nada em 2014. Não é uma questão de nomes. O sistema está doente. Se as manifestações não servirem para reformar a política nacional, então não serviram para nada. O cartel dos atuais partidos brasileiros é infinitamente pior do que o cartel dos trens.


Foto: Outra tomada da Praça do Mercado, em Bruges.

Friday, June 21, 2013

Elefantes

Ainda no começo da semana, numa reunião do nosso comitê diretor, disse para meus pares - todos estrangeiros - não se impressionarem com as notícias sobre o Brasil, pois não estávamos diante de uma "primavera brasileira". Errei.

Admiro a mobilização. Fiquei encantado com as hostilidades ao pessoal ligado a partidos. Porém, ainda acho que, sem uma pauta mais precisa, o movimento pode enfraquecer. Veremos nos próximos dias. Encontrei tantas coisas interessantes para explicar e sustentar tais manifestações, que resta pouco a acrescentar.


Na França, li uma matéria enorme do Le Monde sobre os elefantes brancos brasileiros. Saibam vocês que a preparação do Brasil para a Copa é motivo de piada. Eles sabem que os estádios estarão prontos, o problema é fora deles.

Os gastos com a Copa aparecem na pauta dos manifestantes. Apesar de ser apenas uma gota d´água no oceano da corrupção brasileira, é uma gota que cai nos nossos olhos diariamente, como se fosse aquele colírio bem ardido. Abrir mão da Copa e dos Jogos Olímpicos depois de fazer boa parte do investimento seria um grande desperdício. É pena que o povo tenha acordado muito tarde.

O mesmo argumento vale para os Jogos Olímpicos. A essa altura do campeonato, a Expo 2020 em São Paulo está ameaçada. De todos os três eventos, simpatizava mais com a Expo. Ele é mais modesto, pode até deixar uns elefantinhos brancos, mas permite passar a limpo um bom pedaço da cidade, no caso, Pirituba.

Ficarei fora do Brasil nas próximas duas semanas. Conto com todos vocês para me representarem nas ruas de São Paulo ;-)


Foto: A margem do Tejo na área onde foi a Expo 98 de Lisboa.

Sunday, June 16, 2013

Manif

Não pude assistir aos jogos da Seleção. Para falar a verdade, não venho assistindo há tempos. Até veria Brasil X França, se tivesse encontrado algum canal londrino transmitindo o jogo. De qualquer forma, era hora de jantar e a fome apertava. Desci ao restaurante com um tablet e fui acompanhando o andamento da partida por um site brasileiro.

Meu objetivo era curtir o jogo sozinho durante a refeição. Entretanto, foi muito melhor. Alguns colegas franceses chegaram logo depois e juntaram-se a mim. A conversa estava muito boa, mas tive que interrompê-la três vezes. Sem estardalhaço. Com classe. 1, 2 e 3.


Se São Paulo está aprendendo a conviver com as manifestações, a Europa já é craque nisso. Na França, é algo tão comum, que a palavra foi encurtada para "manif". E a manif da semana foi a do controle aéreo. Vocês se lembram do que uma greve de controle aéreo pode fazer? Pois é, fez. 50% dos vôos foram cancelados entre terça e quinta.

A Europa cogita a unificação do controle do seu espaço aéreo, algo bem razoável pelo tamanho do continente. Evidentemente, isso traria uma sinergia significativa. A resistência da categoria é natural.

Tive alguma sorte, pois meus vôos foram confirmados. Já os atrasos foram consideráveis. Enfim, com alguma tensão, passei por Londres, Paris e cheguei em Lisboa.

Estive em Lisboa algumas vezes, apesar de não ter publicado nenhuma foto neste blog. Desta vez, tive duas experiências novas: 1) fiquei hospedado numa área que não conhecia, onde fica o "legado" da Expo 1998 (São Paulo é candidata à realização da Expo 2020). 2) cheguei em plena festa de Santo Antônio.

Bom, esses são meus ganchos para os próximos posts. Até breve!


Foto: A Torre de Belém, no fim de tarde da última quinta-feira.

Saturday, June 8, 2013

Petit comité

Estou numa intensa sequência de viagens, daí as minhas postagens nem tão frequentes. Pôxa, mal poderei acompanhar a Copa das Confederações :(

Em compensação, no final de ano, serei o anfitrião. Faremos um "petit comité" no Brasil, assim como em 2011. Não será nem em São Paulo nem no Rio. Sempre temi impor uma conexão pelos nossos aeroportos aos meus 20 a 30 convidados estrangeiros. Mas, dessa vez, vou encarar. Afinal, eles estarão prontinhos para a Copa ;-)

Fiz uma pequena lista de critérios desejáveis para a escolha da sede da nossa reunião e abro mão apenas de um deles: 1- proximidade à praia; 2- hotelaria de primeira; 3- possibilidade de se sair do hotel a pé em segurança; 4- existência de algum lugar histórico relevante a 90 minutos no máximo; 5- existência de opções de restaurantes e bares nas proximidades; 6- local a uma conexão aérea de SP ou Rio mais translado rodoviário de até 2h.

Não adianta pensar num resort magnífico. Resorts não agradam a todos. Uns dizem que são todos iguais e a diferença entre estar no Brasil, no Caribe ou na Polinésia acaba sendo minimizada. Outros detestam ficar "trancados" num hotel, por melhor que seja.

Enfim, parece fácil, mas não é. Fácil é perceber o quanto o Brasil deixa de aproveitar o seu potencial. Se tiver alguma sugestão, comente o post ou escreva diretamente para mim. Até breve!


Foto: Terminando a sequência de imagens do Château de Vincennes, eis a sua Sainte-Chapelle.