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Wednesday, December 2, 2020

Macapá


Durante a forte tempestade de ontem, houve um problema com o fornecimento de energia. Foram boas horas sem luz. Um dia de Macapá num bairro nobre de São Paulo.

Os habituais cortes de energia programados para o final de semana são fichinha. No domingão, sempre tem coisa melhor para fazer. Porém, um corte inesperado numa terça-feira em tempos de “work from home” é uma baita sacanagem.

De repente, toda aquela parafernália eletrônica comprada para melhorar nossas “lives” não serve para nada. A gente se vira com o smartphone mesmo. Aliás, onde andam meus poderosos carregadores de celular? Faz meses que não preciso deles! 😉

Um bom smartphone comporta tudo o que precisamos fazer: calls, leituras, anotações, etc. Passar muitas horas com ele pode ser divertido. Porém, quando é por obrigação, a coisa é diferente.

As horas passavam e eu acreditando na volta iminente da energia. A uma determinada altura, já estava de olho na tomada do hall social, ligada ao gerador do condomínio. Ela garantiu o celular até a hora de dormir.

Ao cair da tarde, a preocupação era outra. Comer é fácil, afinal o iFood está aí para isso. Minha esposa, no entanto, teve outra ideia. Levar alguns equipamentos da cozinha para o hall social, onde usaríamos aquela tomada. Felizmente, não tem detector de fumaça por lá. O resultado foi um delicioso jantar à luz de velas.

Noite adentro, a energia do computador ainda sustentou uma luminária com tomada USB por um par de horas. Minha esposa escrevia a sua monografia e eu aproveitava a luminosidade para ler um livro no Kindle com mais conforto. Rendeu uma centena de páginas. Poderia ter rendido mais se o capítulo do livro em questão fosse menos indigesto.

A energia voltou durante a madrugada, tempo limite para não comprometer o que estava na geladeira. A gente se vira muito bem. Nada comparável aos nossos irmãos do Amapá, que sofreram o apagão dos apagões.

 

Foto: Monastério de Perissa em Santorini (2016).

 


Sunday, April 27, 2014

Bode

Todos os problemas da nação são mais graves em ano de eleições. Entretanto, 2014 parece ser um ano especial. Vivemos uma estagnação econômica, a iminência do apagão, o risco de falta d’água e até uma epidemia de dengue, coisas que acontecem de tempos em tempos, mas não no mesmo ano.

A avalanche de denúncias de corrupção, propícia do clima pré-eleitoral, está indo mais longe do que o habitual. A nação está mais dividida do que nunca.

Diante de tantas evidências de um Brasil que não dá certo, o clima de revolta com a Copa do Mundo tende a piorar. Escrevi em janeiro que o tempo de protestar contra a Copa já passou. Quem quiser protestar contra a situação, que escolha um alvo mais adequado e, no mínimo, que vote melhor em outubro.

Nesse ambiente nada motivador, fico espantado com a parcela da população que escolheu a FIFA como grande vilã, causadora dos nossos males. A moda pegou.  Parece bobagem, mas não é. Trata-se de um problema recorrente, o bode expiatório. Esquece-se das seculares mazelas brasileiras e elege-se um culpado. Muito simples.

 A FIFA paga pelo sucesso com que gere o futebol, o esporte número um do mundo. Organiza campeonatos milionários e movimenta bilhões, fazendo inveja a qualquer outra organização mundial. No sistema do Futebol, a FIFA é tão vilã quanto nossos craques, times, televisões, federações e outras entidades. Um depende do outro.

O aspecto discutível é se o padrão imposto pela FIFA não obriga a um país pobre desviar gastos sociais para a organização do evento. A resposta da FIFA: “Foi o Brasil que pediu para realizar a Copa”.  Dá para discordar?  Cá entre nós, sem roubalheira e com um pouco mais de planejamento, a Copa não seria tão intragável.

O apito inicial está próximo. Fica a dúvida se a Copa entra ou não para o rol de tragédias de 2014, seja pelo sucesso do evento ou pelo desempenho da Seleção. A proximidade com a Páscoa sugere que só mesmo uma sequência de pragas de proporções bíblicas seja capaz de derrubar a nossa Faraó. Ou seria Faraôa?


Leiatambém: #NãoVaiTerCopa


Foto: O velho porto de San Sebastian ganha um colorido especial em dia de regata de pesqueiros.