Thursday, January 9, 2014

A hora da caça

A explosão de violência no Maranhão é só uma face da migração da criminalidade do eixo Rio-São Paulo para o resto do país, especialmente para o Nordeste. Os índices relativos de homicídios das capitais nordestinas são dignos da Venezuela.

O quadro faz lembrar um capítulo da história da aventura humana, como conta Jared Diamond em "Armas, Germes e Aço".

Os homens primitivos espalharam-se pela Ásia e Europa a partir da África. Com as habilidades que os diferenciavam dos outros animais, tornaram-se exímios caçadores. Neste processo, as caças também evoluíam. Sobreviviam aquelas que tinham o reflexo da fuga, que não caíam nas armadilhas mais básicas e assim por diante. Ao longo de milênios, tal interação fez do homem um grande caçador e também permitiu a seleção dos animais mais espertos.

Em algum momento da história, nossos ancestrais entraram na Oceania e na América. Lá, os hábeis caçadores encontraram animais que jamais haviam convivido com o homem. Foi uma festa, pois caçá-los era muito fácil. Foram séculos de fartura e muito churrasco até a extinção completa dos grandes mamíferos dos dois continentes. A falta desses animais foi um dos fatores que condenaram ao atraso civilizações como as pré-colombianas e os aborígenes australianos, que não tinham animais de porte para puxar o arado, para o transporte e nem mesmo para uma alimentação correta.


Voltando ao século XXI. No Rio e em São Paulo, a polícia e os bandidos também evoluíram juntos. À cada ação de um lado, uma reação do outro lado. Após décadas jogando de caçador e caça, atingimos um certo equilíbrio. E o que acontece quando a bandidagem dessas cidades chega aos outros estados, onde encontra um corpo policial subdimensionado, despreparado e desequipado? A resposta é óbvia, a hora é da caça. Assim como é óbvio tudo que os governos devem fazer para reverter este quadro.

Nossos índices de violência são muito altos. Nem mesmo todo crescimento dos últimos anos não foi capaz de melhorá-los. Compreendo a visão humanista que norteia os partidos como PT e PSDB, mas clamo por uma ação mais enérgica. Sob o risco de que, amanhã, um espertalhão chegue ao Planalto prometendo apenas "colocar a ROTA na rua".


Foto: Última foto de San Diego, ainda no Balboa Park.
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