Saturday, January 24, 2015

#JeSuisMusulman


Os atentados e as manifestações ficaram para trás, mas o debate continua por aqui. Não é para menos, a questão é muito complexa. Pouco fala-se da grande maioria fiel às causas republicanas,  o “x da questão” é a minoria discordante.

Uma minoria sem dúvidas. Porém, uma minoria de muitos milhares de jovens da periferia.  São aqueles que não respeitaram o minuto de silêncio em homenagem às vítimas, que aderiram às teorias conspiratórias ou que apoiaram explicitamente os terroristas.

É desse meio que saem inúmeros djihadistas. É desse meio que saem futuros terroristas. As periferias das grandes cidades são incubadoras do radicalismo. A França pergunta-se onde errou. Depois de gerações de imigrantes que lutaram pela integração, deparam-se com um sério revés, confrontando-se com a afirmação religiosa e a negação da democracia.

Como disse no primeiro post sobre o tema, misturam-se fatores econômicos, sociais, culturais, entre outros. Os holofotes estão na Educação. Com certeza, há alguma coisa errada nas escolas. Bem, eu não queria estar na pele dos professores, que dão aulas em salas onde  metade dos alunos chama-se Mohamed.

Circulando pelas ruas de Paris e Bruxelas, ainda percebemos o estado de alerta. Soldados e policiais estão em todos os lugares, sem contar o pessoal da inteligência. Para acompanhar um potencial terrorista, a França mobiliza um overhead de 20 a 25 agentes. A ameaça terrorista em si é capaz de sangrar ainda mais a já combalida economia.

Se existe um lado menos triste nesta história, é a visibilidade que ganhou o quase falido Charlie. Graças aos terroristas, suas caricaturas espalharam-se pelo mundo. Nunca a blasfêmia fez tanto eco. Maomé tem mesmo que chorar.



Foto: Um outro cantinho simpático de Bruxelas, perto de casa, o Egmont Park, que abriga a "brasserie" mostrada na foto.
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