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Friday, July 15, 2016

Pé frio?


Para quem possa interessar: declaro que, nesta quinta-feira, 14 de julho de 2016, estava em São Paulo - SP.

Pode parecer bobagem, mas para quem esteve em Paris e Bruxelas no momento das respectivas tragédias, fica aquela dúvida, seria eu um pé frio?

O serviço de inteligência portuguesa, depois de meses cruzando terabytes de dados de passagens aéreas e estadias em hotéis, estava chegando perto de colocar o meu nome na lista de suspeitos de terrorismo internacional. Felizmente, pararam a investigação para comemorar o título da Eurocopa.

Por falar em futebol, realmente tive meu momento de Mick Jagger até as quartas de final do torneio europeu. Os times pelos quais torcia perdiam. Porém, dei uma dentro com relação a Portugal. Depois da sua campanha pífia na primeira fase, disse que estava com pinta de campeão.

Fiquei mais tranquilo mesmo com relação a ser ou não ser um pé frio quando cheguei ao Brasil. Após um verão belga com chuva todos os dias e resfriado por algumas semanas, fui brindado com um generoso inverno paulistano, quando finalmente pude vestir camiseta, calção e chinelos. Ufa!

Estou aliviado. E vocês podem ficar tranquilos. Na próxima semana, volto para a Europa ;-)


Foto: Junto às muralhas de Vannes, na Bretanha.

Sunday, February 10, 2013

Best sellers


Em artigo do Estadão, Sérgio Augusto comenta a “degradação cultural no Brasil”, tomando como base a lista de best sellers. Embora concorde com muitas afirmações do autor, discordo da utilização da lista de livros mais vendidos como base para qualquer coisa.

O autor relembra o tempo em que grandes escritores brasileiros e estrangeiros ocupavam tais listas. Até o difícil Ulisses de James Joyce foi “campeão de vendas” no Brasil de tempos atrás. O que aconteceu com o Brasil?

A lista de mais vendidos é apenas um ranking. Ela desconsidera o tamanho do mercado editorial à sua época. Não faz muito tempo, Buenos Aires tinha mais livrarias do que o Brasil inteiro. Enfim, uns poucos milhares de livros consumidos por uma fração mínima da população do país faziam um best seller. Ainda não podemos nos orgulhar da leitura no país, mas a produção de livros cresceu muito.

Talvez a venda de Ulisses esteja no mesmo patamar ou tenha crescido muito pouco dos anos 80 para cá. Entretanto, outros livros de apelo mais popular vendem muito mais. Até que ponto ter Stephenie Meyer ou E.L. James como motores da indústria editorial é um problema?

Aí vai minha opinião. Não é problema! Uma parte dos leitores de “trash” vai adquirir o hábito de ler e, possivelmente, buscar títulos e autores mais relevantes. É um longo ciclo de aprendizado e renovação.

Os bons livros terão um público crescente na medida em que melhoramos a educação e o acesso aos mesmos. Listas de best sellers são um outro mundo e não devem nos envergonhar, até por que não inventamos nem Stephenie Meyer nem E.L. James.


Foto: Centro histórico de Nice.

Monday, January 28, 2013

Saída


Não sou frequentador de casas noturnas, mas a crônica é oportuna.

Foi uma baladinha regada a rock e vinho há alguns anos. A casa noturna ficava no centro velho de Lyon, onde os prédios têm 300 anos ou mais. Daqueles que, na hora da venda, o corretor diz: "Não dou nem 250".

O problema era mais embaixo, pois a pista e palco ficavam no sub-solo. Pensamento coletivo: "Vamos às catacumbas". O corredor mal iluminado e estreito desembocava numa escada em curva com degraus irregulares. Pior que isso, só molhado. Bem, estava  molhado. Alguém na minha frente disse: "Se eu beber, não consigo mais sair daqui". Retruquei: "Me contento em conseguir sair sóbrio daqui".

Chegamos cedo lá embaixo. Havia apenas 30 pessoas. A minha preocupação crescia pois, uma hora depois, éramos 300 e aumentando. Falar em pânico seria exagero, estava tenso. E, felizmente, a tensão teve um fim. Quando alguns amigos começaram a reclamar do calor, alguém sugeriu: "Então vamos ficar mais perto da porta". Porta, que porta?!

O ceguinho aqui não tinha reparado. Numa das paredes, junto à pista e ao palco, havia um grande portal. Discreto como a porta de uma igreja. Dava direto para a rua de trás. Passava uma boiada por aquela saída. Agora sim, a minha noite começava.


Foto: O porto de Nice.

Saturday, January 26, 2013

"MUTE"


Audioconferências são parte da nossa vida profissional há muitos anos. O aspecto mais positivo é poder trabalhar de casa, do carro ou de qualquer lugar, algo que cai muito bem numa cidade como São Paulo.

Reunir muitas pessoas virtualmente via áudio exige alguns cuidados. A recomendação mais importante, por exemplo, é deixar o telefone em "mute", quando não estiver falando. Não seguir essa regra de ouro pode trazer experiências constrangedoras ou engraçadas.

Vários ruídos estranhos costumam invadir nossas sessões de trabalho. Latidos são comuns. Mais incomum foi quando um cachorro não se contentou em interromper um colega que falava, mas também sequestrou o seu mouse.

Bebês e crianças também fazem as suas aparições. Até aí, estamos no campo do engraçado, quando a reação coletiva é um "que gracinha", ou, no original, "qu'est-ce qu'il est mignon".

Tem coisa mais chata. O barulho de talheres batendo é muito comum. Quando fazemos reuniões com participantes das Américas, Ásia e Europa, a melhor forma de se conciliar as diferenças de fuso é fazê-lo no horário do almoço europeu. Pelo menos, é melhor ouvir o tilintar dos talheres do que ver alguém comendo e falando ao mesmo tempo.

No campo do constrangedor, fico com o ronco. Considerando-se as tais diferenças de fusos horários, digamos que é humano adormecer e roncar. Entretanto, é uma imbecilidade não colocar o telefone em "mute". Da minha parte, já transmiti o ruído típico paulistano para o mundo durante as minhas falas: Buzinadas, helicópteros, obras e trovoadas.

Na última semana, estávamos numa áudio importante. Havia mais de 20 conexões pelo mundo. Em alguns lugares, como no Brasil, os participantes estavam agrupados em salas de reuniões. Estava nesta sala. A maior parte dos executivos conectados eram homens.

A reunião ia de vento em popa. Alguém apresentava um determinado assunto, quando uma das mulheres, excelente profissional e muito admirada, cometeu o pecado número 1 das audioconferências. Ignorou o apresentador e começou a falar com um desconhecido, ou melhor, tagarelar.

Não foi um mero "liga depois" ou "agora estou ocupada", foi uma verdadeira reunião paralela. Ignorava completamente seus colegas e nada de ligar o "mute". A sua fala intercalava-se com a do apresentador e bagunçava a áudio. Comentário na nossa sala: "Só podia ser mulher".

Fiquei impressionado como todos nós deixamos aquela bagunça sonora prosseguir. Acho que ninguém se sentia a vontade para calá-la, mesmo que gentilmente. A mulher continuava a dividir a áudio com o apresentador, quando finalmente surgiu a voz salvadora. Uma outra mulher levantou a voz, mandou parar tudo e pediu para a tagarela encerrar a sua conversa ou ficar em "mute". Comentário na nossa sala: "Só podia ser mulher".


Foto: Centro histórico de Nice. Nos próximos posts, mais algumas fotos de Nice, Saint-Paul-de-Vence e Eze, tiradas em agosto último. As três cidades são do Departamento dos Alpes Marítimos, que por sua vez, compõe a região PACA (Provence-Alpes-Côte d'Azur).