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Saturday, May 11, 2013

O crime da semana


Há tempos, queria fazer um post sobre criminalidade. Já falei bastante sobre crimes do colarinho branco no Brasil e na França. Porém, nunca escrevi sobre nossos homicidas comuns, aqueles que ceifam a vida de mais de 40 mil conterrâneos a cada ano. Então, vamos lá.

Já nos acostumamos ao "crime da semana". Invariavelmente, temos um evento semanal, que recebe todas as atenções, pois, de alguma forma, ultrapassa a linha vermelha. Esse limite parece residir em dois aspectos, brutalidade e localização. O conceito de brutalidade é evidente. O aspecto geográfico é menos óbvio e mais cruel. Quanto mais perto das áreas nobres, mais grave.

Excepcionalmente, importamos algum crime, que nos faz esquecer do nosso "crime da semana". E, ainda pior, dos outros 40 mil assassinatos que acontecem no Brasil.

Mesmo tendo passado por um histórico período de prosperidade, não houve qualquer progresso nos índices de violência brasileiros. Houve variações internas: melhorou no sudeste e piorou no nordeste. Para mim, é muito claro que a criminalidade não está associada à pobreza em si. Talvez, à sensação de desigualdade, e, com certeza, à falência do sistema policial, judiciário e prisional.

Na onda do "crime da semana", às vezes, nossa sociedade acena com medidas cosméticas. Só bobagens. Até quando? Por que não resolver a questão da segurança pública? Por que tolerar índices de homicídios tão altos?

Acredito que muitos políticos já fizeram a conta e concluíram que não vale à pena abraçar essa causa (e ainda ser taxado de reacionário!). O "crime da semana" não é suficiente para mobilizar a sociedade, ou seja, o grupo de pessoas tocadas diretamente pelas dezenas de eventos anuais não forma uma massa crítica para tal mobilização.

Ainda existem outros 40 mil assassinatos que acontecem nas favelas, morros e área menos favorecidas. But, who cares? Se, algum dia, o Brasil for um país realmente desenvolvido, talvez nossa geração seja vista como genocida.


Foto: A rua junto ao muro de Saint-Paul de Vence

Tuesday, April 30, 2013

Fantasma II


Antes da minha última viagem, o noticiário brasileiro era dominado pelo escândalo das redações do ENEM. Não aquelas com receita de Miojo, falo daquelas com um portugueis essepicional.

Viajei com aquilo em mente, mas não tive tempo de escrever sobre o tema. Felizmente, pois encontrei a resposta que queria num artigo do Le Monde. Tratava-se de um balanço sobre a política de inclusão indiana sob a perspectiva das castas inferiores.

Se há algum país que conhece preconceito e discriminação é a Índia. Por pressões internas e externas, montou-se um forte esquema de inclusão, começando pela abertura da máquina pública aos intocáveis.

Na medida em que os excluídos penetravam na administração das cidades e províncias, o país promovia uma vasta privatização. No mundo privado, não há cotas compulsórias. Não podemos dizer que a privatização só existiu para se burlar a inclusão. Diversos fatores originaram tal movimento, inclusive esse.

A Índia conseguiu trazer um pouco dignidade a dezenas de milhões de habitantes. Porém, é inocente se imaginar que o esforço de inclusão não encontra resistência. Criam-se ou aumentam-se as barreiras naturais a fim de se preservar o status quo.

Hoje, um dos pilares da discriminação na Índia é o domínio da língua. Qual língua? Inglês, é claro! Em meio a mais de 20 idiomas, o inglês funciona como a lingua franca do país, que viabiliza a gestão nacional e a sua excepcional integração no mercado de serviços internacionais.

A muito custo, várias castas inferiores conseguiram espaços. Conseguem até uma boa educação nos idiomas locais. Agora, se dependerem do ensino público de inglês, ficarão onde estão. Fiquem tranquilos, o governo indiano promete melhorá-lo ;-)

Tomei o exemplo indiano para mostrar como a sociedade boicota a inclusão. Conscientemente ou não, você pode estar dentro.


Foto: Voltando para Saint-Paul de Vence, na Provence. Na pracinha logo na entrada da cidade, a menina brinca com as bolas de pétanque.

Saturday, April 27, 2013

Fantasma I


Nesta semana, foi divulgado que o The New York Times distribuirá uma coluna assinada pelo Lula. Escárnio geral nas redes sociais. Quem será o "ghost-writer"?  Desde quando o Lula escreve alguma coisa? E assim por diante.

Pode ser engraçado, mas é puro preconceito. Políticos, empresários e celebridades usam o legítimo recurso do "ghost-writer". Não é imoral nem anti-ético. A simples falta de tempo para se escrever um bom artigo justifica a contratação de um profissional.

A boa prática consiste em "brifar" o escritor. Ou seja, passar as grandes linhas do artigo e a mensagem principal. A forma exata da interação entre o autor e o escritor depende da personalidade de ambos.

No caso do Lula, não restam dúvidas de que, após dois mandatos presidenciais e uma longa vida de militância, ele tenha coisas para contar. Só numa recente palestra ao poderoso sindicato dos automobilistas americanos, a UAW (vale à pena, mesmo com uma hora de duração), Lula "brifou" uns quatro artigos. Apesar de ter levado o seu discurso em papel, ele parte para o improviso aos 9 minutos.

Também tenho minhas diferenças com o Lula, mas quero que ele conte suas histórias, mesmo que seja da prisão.


Foto: Ainda pelas ruelas de Eze.

Thursday, April 25, 2013

Eu uso óculos!

Quem não achou graça naqueles gráficos apresentados pela TV venezuelana durante as eleições? Só para refrescar a memória, tem uma amostra logo abaixo. Uma manipulação tão explícita e grotesca é fácil de ser percebida. Milhões de pessoas notaram e ironizaram a televisão chavista. Porém, trata-se de um caso extremo.


O maior desafio não está na identificação das manipulações grosseiras e sim daquelas mais sutis. Aquelas que passam desapercebidas. Ou quase. Presto especial atenção aos gráficos apresentados pela mídia. Seja por incompetência, imprudência ou ma fé, a imprensa está infestada de distorções importantes.

Os gráficos são um convite à ilusão. Recursos matemáticos legítimos podem salientar o que nos interessa sem a necessidade de se falsificar números: Mudam-se as escalas, jogam-se com as unidades, deslocam-se os eixos e assim por diante. E não são apenas os escroques da esquerda bolivariana capazes de tamanha ousadia. A Fox, veículo oficial do que os Estados Unidos têm de pior, não engana mais ninguém.

Este post não é contra a mídia. Pelo contrário, gosto mesmo de veículos com personalidade e posição definida. Essa história de neutralidade e pluralidade é bobagem.

Por definição, toda informação tem algum grau de distorção, por menor que seja. Ao longo da vida, ao acumular educação e conhecimento, formamos uma vasta coleção de lentes. E assim, para cada fonte diferente, escolhemos o par de óculos correto, aquele que corrige tais distorções. Bem, isso é para quem pode, pois a grande maioria nada vê.  


Foto: Voltando às fotos do último verão, os caminhos de Eze.

Sunday, April 21, 2013

Post-it

Em Lyon, fazia um esforço extra para deixar algumas notas bem escritas para a "femme de ménage". Texto claro em letra de forma. Melhor do que isso, impossível. Frequentemente, o post-it era acompanhado de um cheque.

Um dia, esqueci de deixar o cheque. Não foi calote, foi acidente! Aí veio uma troca de bilhetes. Não quero competir com o Piauí Herald sobre o magistral bilhete de Chico Buarque à diarista. Pelo contrário, o post-it que recebi é uma afronta histórica à língua de Victor Hugo!

Claro que guardei o bilhete original e a minha resposta. Na foto abaixo, só apaguei o nome dela. E não é por se tratar de uma doméstica, que a gente dispensa o "Madame"!

Mesmo quem não sabe nada de francês desconfia de alguma coisa estranha. Bem, já disse que o francês falado e escrito se distanciaram com o tempo. A língua de Voltaire não sofreu tantas reformas como o português.

A minha caríssima empregada só escreveu o que ela ouve e fala. Assim "vous n'avez pas laissé" virou "vous navepa leçe". Ela sim é um gênio, que deve ter alguma ligação com o cearense do post anterior.


Foto: Lojinha em Baux de Provence.

Saturday, April 20, 2013

Moleskine


No post "Viagem", mencionei meu caderninho de notas. De fato, são muitos. Eles vão se acumulando. São posts, artigos, palestras, entrevistas, etc. Acabados ou inacabados. Às vezes, uma anotação avulsa, uma curiosidade ou comentários sobre uma palestra boa suficiente para não me fazer dormir.

O maior problema da minha coleção de caderninhos manuscritos é entender o que escrevi. Pelo menos, estão protegidos ;-) Como disse uma amiga, sou um canhoto de mão direita.

Reconheço que o meu médico tem uma ligeira superioridade. A letra dele, ele entende. Quer dizer, só ele. Por causa da sua caligrafia, agendei um exame errado. Obviamente, ficou só no agendamento. Bem melhor do que a história de um ex-colega que tomou injeção pelo chefe. Melhor não contar muito mais.

Às vezes, me esforço para escrever com boa letra. Ao preencher os raríssimos cheques, na carta anual ao Sindicato dos Engenheiros para isenção da contribuição assistencial e também na hora de pedir a conta e escrever o CPF na notinha.

Outro dia, relaxei e o garçom cearense comentou: Caramba! Esse teu CPF parece até que foi escrito por mim. A nossa letra é igual! Será que temos algo em comum nas nossas árvores "geniológicas"?


Foto: A pracinha de Baux en Provence.

Sunday, April 14, 2013

Orloff II


Barcelona X PSG, o clássico da última semana é muito representativo. O Barça é patrocinado pelo Catar (165 milhões de euros por dois anos) e o PSG pertence integralmente ao mesmo emirado. Digamos que foi um clássico catari! Pelo menos, a UEFA é competente para atrair o capital de milionários e mafiosos árabes, russos, chineses, etc.

Nas últimas semanas, as únicas boas notícias que circulavam pela França eram relativas à campanha do PSG na Champions League. Ou seja, acabaram as boas notícias, pois o time caiu fora, apesar da disputa equilibrada com os catalães. E quando as boas notícias só vêm do futebol, lembro-me do Brasil de anos atrás, estamos diante de uma brasilização!

Sorte nossa, pois passamos por uma europeização. Não por que estamos ficando mais ricos ou educados. Mas, por que estamos ficando mais velhos, regulamentados e com inúmeros setores totalmente estagnados.

O Brasil alcançará a Europa muito antes do que se imaginava, só que pulará as décadas de prosperidade que o velho mundo teve no século XX. Vai direto para essa fase "complicada". (Não quero dizer decadente para evitar chutar cachorro morto).

Não tomem este post como pessimista. Passamos muito tempo presos ao efeito Orloff (eu sou você amanhã), comparando-nos com aquele país, onde nasceu o Messi e o Papa, que preferiu o caminho das repúblicas de bananas.


Foto: No castelo - ou melhor, ruínas - de Les Baux. Algumas réplicas de equipamentos de guerra medievais ilustram a visita.

Saturday, April 13, 2013

Viagem


Já optei por voltar da Europa em vôos diurnos algumas vezes. Ao invés de uma noite mal dormida, posso assistir 5 filmes em sequência. É verdade que bons filmes não merecem o avião como cinema. Por isso, aproveito para rever os filmes que gostei e ver alguns títulos franceses que já não encontraria nos cinemas.

No último vôo, estava decidido a assistir "Cloud Atlas" mais uma vez. Errei, foram duas, totalizando mais de seis horas, por que parei diversas vezes para fazer anotações. Os Wachowskis não fazem filmes comuns. Há muitas referências e pistas espalhadas caprichosamente pelo filme.

Muita gente se assusta com filmes que contam diversas histórias em paralelo, como "Cloud Atlas". Na realidade, nosso cérebro é excepcional para tal. Relaxe, curta e você perceberá que o nosso limite é bem acima disso. Entretanto, se alguém perguntar qual é a cor da camisa usada pelo Tom Hanks numa cena de 5 segundos atrás, aí a coisa pega. Enfim, foi por esse motivo que estava com meu caderninho.

Um colega perguntou: "Por que você não aproveita um vôo tão longo para abrir o micro? Rever um Powerpoint, por exemplo". Bem, isso eu faço quando quero dormir, em vôos noturnos!

Muitos pesquisadores especulam sobre os impactos da ditadura do Powerpoint em todos os meios. Provocaria uma imbecilização generalizada? Não sei, mas tenho uma certeza: comigo, funciona como sonífero. É o meu Valium. E não dizem que a Microsoft só faz drogas?


Foto: Na entrada do castelo de Baux de Provence.

Tuesday, April 9, 2013

De volta!


Minha ausência deste blog foi maior do que esperava. Há bons motivos. Sempre que vou à França, entro no modo "esponja". Desligo do Brasil e passo a absorver tudo que posso do noticiário local: jornal, televisão e web. Confesso que minhas fontes andaram mais à direita do que o normal. Ninguém é perfeito.

Sob qualquer ponto de vista, a desconstrução do François chega ser hilária. A situação da Europa é preocupante, mas o presidente francês tem mostrado incompetência ímpar. Os anos passam e a piada é a mesma dos tempos de Lula e Sarkozy: Dilma e François têm 100% de popularidade. Os dois juntos! Ela com 70 e ele com 30. Voltarei a falar do pobre François em breve (não confundir com o François dos pobres, o Papa).

Consegui encaixar uma esticada na Provence. Revisitei Les Baux de Provence para conhecer as Carrières de Lumières, uma pedreira desativada transformada em espaço de arte graças às projeções digitais. Experiência única para se entrar dentro da obra de Monet, Renoir e Chagall, entre outros. Veja o site.

Não tive ânimos para correr pelos parques de Lyon ou Paris. Estava muito frio para a época. Até mesmo na Provence, não foi fácil suportar os ventos gelados. Faltou um incentivo amigo para encarar zero graus sem roupas especiais. Não foi a primeira vez que deixo meus calçados de corrida intactos na mala. Eles adoram fazer milhagem!


Foto: Rua de Les Baux de Provence no último domingo de Páscoa.

Saturday, March 23, 2013

Linhas tortas


Não garanto que a novela da inspeção veicular em São Paulo tenha terminado. Agora, o foco será nos veículos antigos, deixando um regime muito mais flexível para os mais novos. Enfim, parece razoável, como esperávamos que fosse desde o início. Se o final é feliz, o caminho foi tortuoso.

A inspeção foi criada como uma mágica arrecadatória e desmontada com demagogia. A única coisa em comum entre todos os envolvidos é que nenhum deles está preocupado com o meio ambiente, o suposto beneficiário da tal inspeção.

Democracia é assim mesmo. Durante nossas vidas, vemos um monte de bobagens e injustiças. No longo prazo, a sociedade faz as correções.

A corrupção e a incompetência atrapalham a vida pública. Nem por isso, tudo é desprezível. Algumas discussões do Congresso refletem legítimas fraturas da sociedade diante de certos assuntos, sobrepondo-se ao habitual fisiologismo e à disputa entra governo e oposição. Exemplo: Os royalties do petróleo e todas as questões de impacto religioso (jogos, gays, aborto, etc).

Assisti ao filme "Lincoln" com olhos de quem acabara de acompanhar o julgamento do Mensalão. As cenas de corrupção de deputados parecem de certa inocência para o século XXI. Entretanto, a crença de Lincoln no processo democrático, mesmo com as suas imperfeições, é um dos seus grandes legados.

Os EUA elegem seus presidentes sem interrupção há mais de 200 anos, algo que representa um marco na história da humanidade. Daqui a 100 anos, quase ninguém saberá o que foi um petista ou um tucano. O importante é que estejamos escolhendo nossos líderes, apesar de todos os acidentes de percurso vindouros.


Foto: No topo da cidade de Eze, nas ruínas do seu castelo, há um jardim de plantas exóticas decorado com esculturas de Jean-Philippe Richard.

Saturday, March 9, 2013

Horário de pico


No dia a dia, muitas coisas acabam me impedindo de escrever um pouco mais neste blog. Assuntos não faltam. Cheguei a mentalizar vários textos enquanto estava parado no trânsito de São Paulo. Sobre o Papa, as Coreias, as atrapalhadas do Congresso, etc. Só não pensei no caudilho de Caracas, por que uma linha neste post já é demais para ele.

Ah, esse trânsito! Mesmo com toda minha ginástica para adaptar a rotina e fugir dos piores horários, nesses dias de temporais, tem sido impossível. O horário de pico agora é das 7 às 23!

O paulistano aprendeu usar GPS e Google Maps para fugir dos congestionamentos. Tenho usado o recurso nos dias mais críticos, daqueles com grandes temporais. Ontem, por exemplo.

Evitei as maiores paradas, mas dei grandes voltas, cruzando diversos bairros da capital. Imagino a reação de alguém, que estivesse me rastreando, diante daquele trajeto errático: É o caminhão de lixo? É entrega de jornal? Seria o carro do Google StreetView?

Mesmo saindo às 21:30, fiz 10km em 90 minutos. Se tivesse enfrentado pacientemente o meu caminho tradicional, faria o percurso no mesmo tempo. Bem, é melhor rodar, não acham?

De fato, muitos preferem percorrer um caminho bem maior a ficar parado no mesmo lugar. O fator segurança também estimula. Porém, quando muitos fazem a mesma coisa, os congestionamentos se espalham ainda mais e esgotam-se os caminhos alternativos. Pior ainda, à custa de um maior gasto de combustível. Enfim, apenas mais uma evidência da falência da nossa metrópole.


Foto: A belíssima Eze, na Côte d'Azur.

Monday, February 25, 2013

Depois do Oscar


Além da revista semestral, meu último post de cinema foi sobre Argo. À época, sem ter assistido aos demais candidatos ao Oscar, disse que o filme estava com a taça na mão. De fato, Argo e Amor arrebataram todos os grandes prêmios internacionais, numa rara convergência.

Graças à sensível melhora na distribuição dos filmes no Brasil, que chegam cada vez mais rápido, consegui assistir a todos os candidatos ao Oscar de melhor filme antes da premiação. No título original: Amour, Argo, Beasts of the Southern Wild, Django Unchained, Les Misérables, Life of Pi, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark Thirty.

Sem dúvidas, são nove bons filmes, mas nenhum é excepcional. Se ainda estiver inspirado para falar sobre cinema, volto em breve com um post sobre o filme Amor. Reconheço os méritos do filme, mas não gosto muito do tema.

Apesar de tantas atuações marcantes, faltam boas histórias. Uma linha sobre cada filme:

Amour - Interpretação esplendorosa do casal de atores veteranos.
Argo - Se fosse ficção, seria um delírio hollywoodiano.
Beasts of the Southern Wild - Uma visão dos EUA bem incomum.
Django Unchained - Just for fun!
Les Misérables - Como é bom relembrar aquelas músicas!
Life of Pi -  Só vale pelas imagens deslumbrantes.
Lincoln - É dos poucos que nos faz pensar: Política e democracia.
Silver Linings Playbook - Veremos os "louquinhos" com outros olhos.
Zero Dark Thirty - Será que o Bin Laden morre no final?!

Se você quiser ver algo diferente dentro dessa lista, fique com Beasts of the Southern Wild (Indomável Sonhadora). Um filme fora dos padrões de Hollywood, daqueles gravados com câmera na mão, que é lindo e original. Também conquistou muitos prêmios pelo mundo.

Este post foi escrito domingo à tarde. Só não publiquei antes da premiação por que a NET estava fora do ar lá em casa. 


Foto: Outra tomada nas ruelas de Saint-Paul deVence, na Provence.

Thursday, February 14, 2013

Bife a cavalo


Já vi inúmeros escândalos de contaminação de carne halal na Europa. Ninguém dá bola. Afinal, para a maioria, é só um hábito maluco de uma comunidade de fanáticos. Pois os muçulmanos vivem descobrindo carne suína misturada em tudo. Incrível, até parece sacanagem!

De certa forma, a indignação islâmica está sendo vingada. Milhões de europeus, ricos e pobres, do norte e do sul, do leste e do oeste, têm comido carne de cavalo misturada à carne bovina. Parece bobagem, mas, para muitos, comer carne de cavalo é algo abominável.

Agora sim, virou assunto de Estado. Cabeças vão rolar. Os europeus são mestres em criar barreiras sanitárias para nos ferrar (ops!), porém, é evidente, que mal conseguem gerir sua própria produção.

As evidências desse escândalo vieram de testes de DNA, cada vez mais banalizados. A vigilância sanitária do futuro próximo não vai se contentar em procurar coliformes e salmonelas na pia da cozinha. Vai pegar um pedacinho do filezinho para ver se é mignon ou miau. Enfim, vamos descobrir os grandes enigmas da humanidade: O que tem dentro das salsichas e o que tem no hambúrguer do McDonalds.


Foto: Chegando em Saint-Paul de Vence, na Provence.

Sunday, February 10, 2013

Best sellers


Em artigo do Estadão, Sérgio Augusto comenta a “degradação cultural no Brasil”, tomando como base a lista de best sellers. Embora concorde com muitas afirmações do autor, discordo da utilização da lista de livros mais vendidos como base para qualquer coisa.

O autor relembra o tempo em que grandes escritores brasileiros e estrangeiros ocupavam tais listas. Até o difícil Ulisses de James Joyce foi “campeão de vendas” no Brasil de tempos atrás. O que aconteceu com o Brasil?

A lista de mais vendidos é apenas um ranking. Ela desconsidera o tamanho do mercado editorial à sua época. Não faz muito tempo, Buenos Aires tinha mais livrarias do que o Brasil inteiro. Enfim, uns poucos milhares de livros consumidos por uma fração mínima da população do país faziam um best seller. Ainda não podemos nos orgulhar da leitura no país, mas a produção de livros cresceu muito.

Talvez a venda de Ulisses esteja no mesmo patamar ou tenha crescido muito pouco dos anos 80 para cá. Entretanto, outros livros de apelo mais popular vendem muito mais. Até que ponto ter Stephenie Meyer ou E.L. James como motores da indústria editorial é um problema?

Aí vai minha opinião. Não é problema! Uma parte dos leitores de “trash” vai adquirir o hábito de ler e, possivelmente, buscar títulos e autores mais relevantes. É um longo ciclo de aprendizado e renovação.

Os bons livros terão um público crescente na medida em que melhoramos a educação e o acesso aos mesmos. Listas de best sellers são um outro mundo e não devem nos envergonhar, até por que não inventamos nem Stephenie Meyer nem E.L. James.


Foto: Centro histórico de Nice.

Monday, January 28, 2013

Saída


Não sou frequentador de casas noturnas, mas a crônica é oportuna.

Foi uma baladinha regada a rock e vinho há alguns anos. A casa noturna ficava no centro velho de Lyon, onde os prédios têm 300 anos ou mais. Daqueles que, na hora da venda, o corretor diz: "Não dou nem 250".

O problema era mais embaixo, pois a pista e palco ficavam no sub-solo. Pensamento coletivo: "Vamos às catacumbas". O corredor mal iluminado e estreito desembocava numa escada em curva com degraus irregulares. Pior que isso, só molhado. Bem, estava  molhado. Alguém na minha frente disse: "Se eu beber, não consigo mais sair daqui". Retruquei: "Me contento em conseguir sair sóbrio daqui".

Chegamos cedo lá embaixo. Havia apenas 30 pessoas. A minha preocupação crescia pois, uma hora depois, éramos 300 e aumentando. Falar em pânico seria exagero, estava tenso. E, felizmente, a tensão teve um fim. Quando alguns amigos começaram a reclamar do calor, alguém sugeriu: "Então vamos ficar mais perto da porta". Porta, que porta?!

O ceguinho aqui não tinha reparado. Numa das paredes, junto à pista e ao palco, havia um grande portal. Discreto como a porta de uma igreja. Dava direto para a rua de trás. Passava uma boiada por aquela saída. Agora sim, a minha noite começava.


Foto: O porto de Nice.

Saturday, January 26, 2013

"MUTE"


Audioconferências são parte da nossa vida profissional há muitos anos. O aspecto mais positivo é poder trabalhar de casa, do carro ou de qualquer lugar, algo que cai muito bem numa cidade como São Paulo.

Reunir muitas pessoas virtualmente via áudio exige alguns cuidados. A recomendação mais importante, por exemplo, é deixar o telefone em "mute", quando não estiver falando. Não seguir essa regra de ouro pode trazer experiências constrangedoras ou engraçadas.

Vários ruídos estranhos costumam invadir nossas sessões de trabalho. Latidos são comuns. Mais incomum foi quando um cachorro não se contentou em interromper um colega que falava, mas também sequestrou o seu mouse.

Bebês e crianças também fazem as suas aparições. Até aí, estamos no campo do engraçado, quando a reação coletiva é um "que gracinha", ou, no original, "qu'est-ce qu'il est mignon".

Tem coisa mais chata. O barulho de talheres batendo é muito comum. Quando fazemos reuniões com participantes das Américas, Ásia e Europa, a melhor forma de se conciliar as diferenças de fuso é fazê-lo no horário do almoço europeu. Pelo menos, é melhor ouvir o tilintar dos talheres do que ver alguém comendo e falando ao mesmo tempo.

No campo do constrangedor, fico com o ronco. Considerando-se as tais diferenças de fusos horários, digamos que é humano adormecer e roncar. Entretanto, é uma imbecilidade não colocar o telefone em "mute". Da minha parte, já transmiti o ruído típico paulistano para o mundo durante as minhas falas: Buzinadas, helicópteros, obras e trovoadas.

Na última semana, estávamos numa áudio importante. Havia mais de 20 conexões pelo mundo. Em alguns lugares, como no Brasil, os participantes estavam agrupados em salas de reuniões. Estava nesta sala. A maior parte dos executivos conectados eram homens.

A reunião ia de vento em popa. Alguém apresentava um determinado assunto, quando uma das mulheres, excelente profissional e muito admirada, cometeu o pecado número 1 das audioconferências. Ignorou o apresentador e começou a falar com um desconhecido, ou melhor, tagarelar.

Não foi um mero "liga depois" ou "agora estou ocupada", foi uma verdadeira reunião paralela. Ignorava completamente seus colegas e nada de ligar o "mute". A sua fala intercalava-se com a do apresentador e bagunçava a áudio. Comentário na nossa sala: "Só podia ser mulher".

Fiquei impressionado como todos nós deixamos aquela bagunça sonora prosseguir. Acho que ninguém se sentia a vontade para calá-la, mesmo que gentilmente. A mulher continuava a dividir a áudio com o apresentador, quando finalmente surgiu a voz salvadora. Uma outra mulher levantou a voz, mandou parar tudo e pediu para a tagarela encerrar a sua conversa ou ficar em "mute". Comentário na nossa sala: "Só podia ser mulher".


Foto: Centro histórico de Nice. Nos próximos posts, mais algumas fotos de Nice, Saint-Paul-de-Vence e Eze, tiradas em agosto último. As três cidades são do Departamento dos Alpes Marítimos, que por sua vez, compõe a região PACA (Provence-Alpes-Côte d'Azur).