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Sunday, April 19, 2015

Fênix

Faz tempo que não escrevo por aqui. Uma das razões é que faz tempo que não paro em algum lugar. Se tudo der certo, continuarei assim por mais alguns meses, aproveitando a primavera e o verão europeu.

Entre inúmeros compromissos, também passei pelo Brasil. Foi um “pit-stop” para renovar alguns documentos. A burocracia brasileira ainda é campeã em criar documentos que expiram em poucos anos. Por outro lado, o Poupatempo paulista funciona e os cartórios estão bem informatizados. Assim, meus problemas - que não deveriam exisitr - foram resolvidos facilmente. Criam-se dificuldades, vendem-se facilidades.

Depois de alguns meses de ausência do Brasil, a alta dos preços foi notável. Tudo que pude consumir estava mais caro, entre serviços e mercadorias. Além dos preços, vi muita gente reclamando dos negócios e da perspectiva.

Não é a economia em má fase que mais me assusta. A crise político-institucional é muito grave. O governo Dilma e a máquina petista são asquerosos. O pior de tudo é que o impeachment está longe de ser uma solução.  

Por aqui, o Brasil é motivo de chacota. Piada sobre a corrupção generalizada, piada sobre a Petrrobrás, piada sobre o crescimento e assim por diante. Melhor mesmo voltar às piadas do 7X1.

Com todas as ressalvas a este governo incompetente e corrupto, estou naquela fase de ter que defender o país como um todo. Afinal, o Brasil é muito mais do que um bando de esquerdistas mafiosos.

Para defender a honra nacional tenho apelado para chavões como: “é só uma fase ruim”, “a gente vai dar a volta por cima”, “governos sobem e caem”,  “depois da tempestade vem a bonança”, “vamos renascer das cinzas”, etc. Que assim seja.


Foto: Fechando a série sobre Antuérpia, um detalhe encravado no casario típico flamengo.

Wednesday, January 15, 2014

Blasfêmia


O especial de Natal do “Porta dos Fundos” despertou a fúria de diversos grupos cristãos. O tema não é novo neste blog. Nos tempos de Europa, comentei várias vezes sobre as reações de grupos religiosos aos cartunistas mais ousados.

De uma forma geral, acho positivo que os humoristas não encarem religião como tabu e utilizem-na como mote para suas criações. Se existem limites, que sejam delineados pelo bom senso e não por burocratas.

Muita gente já inspirou-se na Bíblia para fazer rir, por exemplo, Mel Brooks (A História do Mundo) e Monty Python (A vida de Brian). Cá entre nós, na maioria dos filmes do gênero, a piada já está quase pronta!

Uma das técnicas mais comuns para se fazer graça com história ou religião é recriar o passado com referências do presente, sejam nos costumes, na linguagem ou na tecnologia. No vídeo em questão, o presente trazido por Melquior não era mirra, mas uma outra erva. Num outro quadro, Maria diz: “Esse Império Romano é um ovo”. Já no final, Jesus diz para Tibério: “Você tem a maior mão de fada”.

Até aí tudo bem. O debate esquenta ao se afrontar um dogma da religião. É o que acontece, por exemplo, quando algum cartunista europeu faz uma representação de Maomé. Já a trupe brasileira fez piada com a maternidade de Maria. Apesar de ter gostado de grande parte do vídeo, reconheço que isso seria dispensável. Justamente por ser uma piada tão fácil, beira o mau gosto. Por outro lado, não concordaria com a sua censura.

Os tais grupos cristãos tiveram o mesmo comportamento dos petistas. Até ironizarem Lula e Dilma, o “Porta dos Fundos” era um grupo genial. Depois, virou um grupo tucano. Há poucas semanas, o grupo avacalhou alguns costumes islâmicos e ninguém falou nada.

Esse é o problema de quem leva religião muito a sério. Toda religião possui seus mitos e dogmas. Nem todos acreditam em tudo, mas respeitam. O problema começa quando alguns acham que as suas crenças são mais verdadeiras do que as dos outros.  

E se o “Porta dos Fundos” pisou na bola fazendo piada com Maria, coube a ninguém menos do que Deus a fala mais inspirada do polêmico vídeo, que serve de resposta aos tais grupos cristãos e a outros fanáticos. No final do primeiro quadro, diante de um José incrédulo de que a história do seu filho Jesus seja convincente, Deus diz: “Querido, isso aí relaxa. O pessoal acredita em qualquer coisa. Vai por mim”.



Foto: Abrindo uma série de fotos de Amsterdam tiradas em agosto de 2013.

Saturday, September 18, 2010

Lapso

Nos vôos curtos que cruzam a França, a Air France oferce um serviço de bordo bastante modesto. Nada de refeições completas, apenas bebidas simples e um biscoito, salgado ou doce, a escolher. Na última sexta-feira, como previsto, a aeromoça dirigiu-se a mim e perguntou: "Sucré ou salé?"

Apesar de ter respondido à mesma pergunta dezenas de vezes, não é automático. Sempre penso alguns poucos segundos antes de pedir aquilo que mais quero no momento. E sempre pinta uma dúvida. Com respeito à Air France, talvez a escolha seja pelo biscoito menos ruim. Desta vez, diante das alternativas "sucré" ou "salé", respondi: Sacré!

A aeromoça não entendeu nada. Bloqueou por um instante. Antes que ela providenciasse uma hóstia ou matzá, eu corrigi a minha resposta. Ela prosseguiu seu trabalho e eu continuei rindo sozinho.

Para meu consolo, uma cena ainda mais estranha aconteceu diante da mesma aeromoça. Um cara (mais novo) colocava as suas duas malas no compartimento de bagagens. Como não havia muito espaço, colocou a primeira mala sobre quinta fileira de poltronas. Poucos segundos depois, colocou a segunda mala sobre a primeira fileira. Ao fechar o último bagageiro, fez uma cara apavorado e perguntou: "Onde deixei a outra mala?". A aeromoça estava atenta e indicou o bagageiro sobre a quinta fila. Como observador, fiquei impressionado com o lapso de memória em tão curto espaço de tempo.

Consolo ainda melhor foi a piada que um colega havia contado no dia anterior. Um cinquentão, preocupado com os pequenos lapsos de memória cotidianos vai ao médico. "Doutor, por várias vezes, esqueci de fechar o zíper depois de urinar". O médico respondeu: "Não se preocupe. O problema mesmo é quando você começar a esquecer de abrir o zíper antes de urinar".



Foto: Um close da Abadia de Sénanque. O símbolo da Provence não é mais o mesmo. O campo de lavanda anexo à mesma não existe mais. Ainda existe um grande campo bem próximo, mas não permite aquela foto de cartão postal tão famosa.