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Sunday, September 16, 2012

Cassando as Caçadas


O debate sobre a censura à obra « Caçadas de Pedrinho » ganhou força. Foi um dos primeiros livros que li ainda criança. Àquela época, não percebi seu caráter racista, assim como muitos milhares de leitores. Eram outros tempos. Hoje, os termos usados por Monteiro Lobato para descrever a Tia Nastácia podem chocar.

O politicamente correto levado ao extremo poderia banir tantas obras, que o seu efeito seria ainda mais perverso. Se tirarmos de circulação todas as obras racistas, antissemitas, machistas, homofóbicas, preconceituosas ou ofensivas, não sobrará muita coisa. Nem a Bíblia.

Melhor mesmo é que todos sejam expostos às mais variadas ideias, podendo discernir o que é bom e o que é ruim. “Caçadas de Pedrinho” e “Tintin no Congo” não são responsáveis pelo preconceito aos negros. Assim como “O Mercador de Veneza” e “Oliver Twist” não inventaram o antissemitismo.

Em 2011, fiz um post análogo sobre o escritor francês Céline. Retomo uma citação de Bernard-Henri Levy: “É preciso mostrar o mistério que faz de uma pessoa um grande escritor e um perfeito canalha ao mesmo tempo.” Canalha? Talvez. Não precisamos festejar Monteiro Lobato, apenas lê-lo.

Leia também: Céline e "80 anos de Tintin"


Foto: Começo a minha série londrina, com algumas fotos da “Hampton Court”, uma das mais belas residências históricas da monarquia inglesa.

Thursday, January 15, 2009

80 anos de Tintin



Um dos meus primeiros posts no antigo fotolog falava sobre o Tintin, um campeão de vendas e eterno ídolo da juventude europeia. Também falei da proibição de "Tintin no Congo" em diversos países, por causa de um processo de racismo contra Hergé.

Hergé é acusado de ser racista, colonialista, colaboracionista, de extrema direita e anticomunista. Cá entre nós, é verdade! Fica a dúvida se a leitura de todos os seus álbuns é capaz de influenciar alguém. Acho que não, ela apenas traduz (às vezes de forma muito sutil) sentimentos dominantes à sua época. Apesar do deslize antissemita de "A estrela misteriosa", não há qualquer outro tropeço. Pelo menos não foi suficiente para desanimar Steven Spielberg a investir na volta do jovem jornalista às telas em 2010.

Hoje em dia, aos 80 anos do personagem, o alvo das principais acusações não é mais o criador, mas a criatura: Tintin é gay! Tintin é homossexual e misógeno. Hergé, enquanto vivo, tentou explicar as razões do mundo sem mulheres de Tintin, mas aí passaram a desconfiar que ele também fosse do mesmo time.

Apesar das controvérsias, Hergé e Tintin são respeitados e os álbuns vendem muito. Vou prestar atenção no noticiário e ver se algum "skinhead" declara Hergé como ídolo. Certamente, algumas bichas vão declarar Tintin como símbolo. O meu veredito é que Hergé é menos racista e anticomunista do que Monteiro Lobato.


Foto: Lyon, passarela sobre o Saône, com a insistente bruma que não sai de cima da França há muitos dias.