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Sunday, May 11, 2014

¡Aupa Atleti!

Meu sobrinho pediu a camisa do Ibrahimovic, o craque do PSG. Então, durante a próxima viagem à França, passarei na loja do clube para presenteá-lo. Devo reconhecer que esse time árabe radicado em Paris tem subido de produção. Suas camisas conquistam espaço entre aquelas do Barcelona, Real Madrid, Bayern e Manchester.

Por incrível que pareça, os uniformes estrangeiros estão cada vez mais populares aqui no Brasil. Até a Globo rendeu-se à Champions League, transmitindo suas partidas decisivas ao vivo.

Depois do "equilibradíssimo" Campeonato Brasileiro de 2013 e do Paulistinha de 2014, vencido pelo Ituano, entre outros sinais da decadência dos grandes clubes nacionais, só nos resta apreciar os campeonatos europeus.

O Brasil é o maior celeiro de craques do mundo e pode ganhar a Copa que quiser, mas o futebol daqui vai muito mal. Vivemos em função de exportar jovens potenciais para a Europa. Tudo o que importa acontece por lá. Nossos campeonatos locais são marginais. De várzea mesmo!

Poderíamos ter evitado esse quadro colonial? Talvez, se os clubes fossem bem geridos. Não apenas um ou dois clubes, mas a maior parte deles. Entretanto, seus dirigentes preferem locupletar-se em tenebrosas transações deixando-os no caos.

A classe futebolística nacional foi brindada pela sociedade com os novos estádios. Quem sabe possa retribuir tamanha generosidade com gestões mais profissionais, competentes e éticas. Seria um primeiro passo.

O exemplo de esperança vem do próprio futebol europeu. Entre tantos times "imbatíveis" e milionários, o destaque da temporada foi o modesto Atlético de Madrid, a um passo do título da Champions e do Campeonato Espanhol. É uma mostra de que o dinheiro sozinho nem sempre resolve.

Este outro time de Madrid, assim como quase todos os times espanhóis, tem mais obstáculos fora do campo do que dentro dele. Lá na Espanha, tudo favorece o Barcelona e o Real Madrid, que abocanham sozinhos a maior parte da receita da TV e ainda dispõem de status diferenciado, que permite grande endividamento para comprar os melhores jogadores do mundo. E com os melhores jogadores, tudo fica mais fácil.

Enfim, antes de querer ser um Barcelona, os clubes brasileiros precisam inspirar-se no Atlético de Madrid.

¡Aupa Atleti !

Leia também:
Post sobre o caso Neymar (2014)
Post sobre a Champions League (2012)
Post sobre o campeonato brasileiro (2013)


Foto: A sede do governo municipal de San Sebastian, no País Basco (Espanha).

Sunday, April 14, 2013

Orloff II


Barcelona X PSG, o clássico da última semana é muito representativo. O Barça é patrocinado pelo Catar (165 milhões de euros por dois anos) e o PSG pertence integralmente ao mesmo emirado. Digamos que foi um clássico catari! Pelo menos, a UEFA é competente para atrair o capital de milionários e mafiosos árabes, russos, chineses, etc.

Nas últimas semanas, as únicas boas notícias que circulavam pela França eram relativas à campanha do PSG na Champions League. Ou seja, acabaram as boas notícias, pois o time caiu fora, apesar da disputa equilibrada com os catalães. E quando as boas notícias só vêm do futebol, lembro-me do Brasil de anos atrás, estamos diante de uma brasilização!

Sorte nossa, pois passamos por uma europeização. Não por que estamos ficando mais ricos ou educados. Mas, por que estamos ficando mais velhos, regulamentados e com inúmeros setores totalmente estagnados.

O Brasil alcançará a Europa muito antes do que se imaginava, só que pulará as décadas de prosperidade que o velho mundo teve no século XX. Vai direto para essa fase "complicada". (Não quero dizer decadente para evitar chutar cachorro morto).

Não tomem este post como pessimista. Passamos muito tempo presos ao efeito Orloff (eu sou você amanhã), comparando-nos com aquele país, onde nasceu o Messi e o Papa, que preferiu o caminho das repúblicas de bananas.


Foto: No castelo - ou melhor, ruínas - de Les Baux. Algumas réplicas de equipamentos de guerra medievais ilustram a visita.

Monday, August 13, 2012

Notas Olímpicas 3


Ainda é muito cedo para se avaliar os resultados dos Jogos para a cidade de Londres. Certo é que a Grã-Bretanha mostrou que tinha um projeto olímpico, transformando-se numa potência esportiva. Vale notar que essa importante ascensão começou bem antes. Vejam a evolução do seu total de medalhas de 2000 a 2012: 28->30->47->65.

Jogos Olímpicos nem sempre dão certo. O exemplo grego é trágico. O país não digeriu o custo do investimento, não virou uma potência olímpica e tampouco transformou a sua capital. Não é fácil fazer algo pior do que Atenas 2004!

Os jogos de Barcelona 1992 não fizeram da Espanha uma campeã olímpica, mas alavancaram o progresso e o turismo da capital catalã. O renascimento de Barcelona através dos Jogos é um dos melhores exemplos de legado olímpico.

Como nem tudo é perfeito, houve um efeito social perverso. A valorização imobiliária acabou expulsando muita gente para a periferia. Se fosse no Brasil, as encostas do Montjuic estariam devidamente ocupadas ;-)

E os jogos do Rio em 2016?

Em termos esportivos, estamos no pior dos mundos. Melhoramos o nosso desempenho, passando de 15 para 17 medalhas. Porém, nesse período, nosso o governo colocou 100 milhões a mais no bolso do COB. Eu escrevi A MAIS! Aparentemente, o Irã, a Coreia do Norte e o país do Borat foram mais sábios.

Se o investimento em medalhas é duvidoso por si só, pior é gastar e nem obtê-las. A conversa entre Dilma e os dirigentes do COB não será das mais amistosas.

Fica a esperança de uma grande contribuição das Olimpíadas para o Rio de Janeiro. É claro que o investimento direto na infraestrutura da cidade é um real benefício, o difícil é alavancar os bilhões que vão para o circo olímpico. Deixo a reflexão para o leitor.


Foto: Outra tomada do conjunto do "Templo do Buda de Esmeralda" em Bangkok, Tailândia.

Sunday, May 20, 2012

Die Meister, Die Besten


Cada vez mais, estamos ligados na Liga dos Campeões.
Vi muita gente dando uma escapadinha do trabalho para ver as suas semifinais, quando da eliminação dos times espanhois.


A Liga tem sido o sonho dos tempos europeus, assim como a Libertadores por aqui. No campeonato europeu, sobra organização, dinheiro e um grupo de talentosos jogadores comprados do mundo inteiro. É por tamanha concentração de craques, que o torneio só perde em prestígio para a Copa do Mundo.

Quando posso assistir a um jogo deste super campeonato da UEFA, faço a questão de fazê-lo desde o começo, para não perder a vinheta de abertura. O hino da Liga arrepia torcedores e jogadores .

A música de Tony Britten, inspirada em Handel, está ali para reverenciar os maiores craques do planeta. Sua letra diz (alemão, francês e inglês): "Die Meister / Die Besten / Les grandes équipes / Os campeões".

Muito dinheiro. Muitos craques. Muita organização. Hino maravilhoso. E o futebol? Bem, vamos com calma, por que nada é perfeito. Há controvérsias.

Quando eu era mais jovem, jogar como o Chelsea, num esquema defensivo 4-5-1, era visto como antifutebol. Não é nem apostar no contra-ataque, é um esquema covarde mesmo, contando com o acaso, com o erro alheio. Tem dado certo.

O futebol mudou muito nos últimos anos. Os esquemas defensivos superam os ofensivos, os jogadores são os mais exigidos fisicamente, uma guerra de talentos virou guerra de nervos e até o Brasil joga "feio". Enfim, considerando-se esta nova realidade, o Barcelona é que joga o antifutebol. 



Foto: Acima, a casa Arthur Heurtley, projeto de Frank Lloyd Wright, de 1902. Dá para entendre o arrojo do arquiteto pelo estilo que dominava Oak Park à sua época, como mostra a foto abaixo.




Tuesday, December 27, 2011

Revista do Cinema S2/2011

No meu único post sobre cinema neste semestre, "Novelão e Cinemão", antecipei dois filmes que serão destaque nos próximos meses:

"Drive" já é cult. Na minha opinião, o melhor do semestre. Ryan Gosling, que também estrelou "Tudo pelo Poder", está com tudo. Ele só não pode continuar fazendo o mesmo estilo do heroi solitário a vida inteira.

"The Artist" me surpreendeu. Não por ser ótimo, mas pela repercussão deste filme mudo francês nos EUA (vide abaixo). Fala-se em Globo de Ouro e Oscar. Antes, o diretor Michel Hazanavicius e o ator Jean Dujardin fizeram algumas paródias de 007. Puro pastelão. Um filme mudo no estilo de Hollywood de quase um século atrás é diferente, mas longe de ser genial.

Ainda pensando fora do Brasil, lamento não ter assistido ao iraniano "A Separação". Deparei-me com o filme algumas vezes na França e acabei optando por algum lixo ocidental. Espero que ele passe em São Paulo. Pelo que eu li, trata-se um filme excepcional.

No Brasil, pude assistir um monte de filmes. Nem vou listá-los, por que muitos nem merecem uma menção neste blog. O que mais me agradou foi o argentino "O Conto Chinês", uma comédia de ótimo gosto. O ator principal, Ricardo Darín, esteve em outro filme elogiado por este blog, "O Segredo dos Seus Olhos".

Além dos filmes acima, gostaria de comentar brevemente sobre outros, que estão num patamar bem inferior:

"Margin Call - O Dia Antes do Fim": Para um filme que se passa num banco, na iminência da crise financeira, o diretor fez muito em criar um ótimo clima de thriller, explorando muito bem o lado humano de quem faz o mercado.

"Missão Impossível - Protocolo Fantasma": O quarto MI não é um filmaço, mas é melhor do que os anteriores. Pelo menos, restabelece o espírito de equipe de MI, tão marcante no seriado original. Os filmes anteriores faziam de Tom Cruise um ridículo James Bond.

"A Pele que Habito":  O filme se destacou com uma história super original e bem feita. No meio de tantos filmes medíocres, foi dos mais inspirados do semestre.

"Tudo pelo Poder": É um prazer ver um elenco tão bom trabalhando junto: Ryan Gosling, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e George Clooney, que também dirige (e bem). Pena que o enredo seja bem fraquinho, tão óbvio como a falta de ética na política.

Como não comentarei todos os filmes medianos que asssisti, destaco o belga  "O Garoto da Bicicleta", tão aclamado pela crítica, mas que não convence. Afinal, depois de quatro anos na França, estourei a minha cota para esse tipo de drama.

"O Palhaço" foi um dos brasileiros que prestigiei. O filme é razoável e poderia ser muito melhor. Ainda não entendi se os produtores visavam ao público juvenil ou adulto. Para o primeiro público, está de bom tamanho.

Alguns artigos sobre "The Artist":
Slate
New York Times
Washington Post


Foto: Fiz um pit-stop em Barcelona. Na verdade, não foi tão curto assim, foram cinco dias inteiros num congresso, com pouco espaço para turismo. Da janela do hotel, apreciava os treinos do Camp Nou, mas é melhor nem tocar nesse assunto. Na foto, a escultura de Frank Gehry sobre o cassino do Porto Olímpico.