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Friday, August 6, 2010

Gargalo

Assim como São Paulo, Lyon não concluiu seu rodoanel. Entretanto, há uma grande diferença entre a cidade francesa e a brasileira: O tamanho da frota. São Paulo tem mais veículos parados diariamente no rodízio do que aqueles que circulam em Lyon.

O maior problema do gargalo rodoviário gaulês fica para os parisienses, obrigados a passar por dentro de Lyon (Túnel da Fouvière), quando deslocam-se para a costa mediterrânea. Para o prefeito socialista de Lyon, esse não é um grande problema.

Um fato recente ilustra a gestão dos transportes na cidade. Nas próximas semanas, começa a circular o tramway que ligará o centro da cidade (Part-Dieu) ao seu aeroporto (Saint-Exupéry) em pouco menos de meia hora. A cidade não perdeu tempo. Mesmo antes de inaugurá-lo, impôs obstáculos aos motoristas. Uma avenida vital na ligação com o aeroporto perdeu faixas e um viaduto está sendo destruído. O caminho do bonde, uma nova ciclovia e uma calçada mais larga são prioritários. Os motoristas que se virem.

A abordagem de Lyon é correta. Antes de se pensar na punição aos condutores de automóveis, oferece-se alternativas.


Foto: Fechando a série de fotos da Alsácia, mais uma foto da área central de Colmar.

Thursday, July 29, 2010

Adiós los toros


A Catalúnia já possui tantas glórias esportivas, que pode abrir mão das touradas. Vocês viram que a votação no parlamento catalão foi apertada. A briga é antiga, mas a tradição também.

Muitas cidades francesas e espanholas têm as touradas como pilar da vida cultural e turística. Mesmo que a opinião pública européia seja majoritariamente contrária à prática, as lideranças locais conseguem preservá-la. "Panem et circenses".

A TV francesa entrevistou alguns habitantes de Nîmes, tradicional pólo de "corridas" do sul do país. Um deles resumiu: "Sem as touradas, não somos nada". Este era o espírito da maioria das respostas. Não seria exagero comparar Nîmes sem touradas com o Rio sem as Escolas de Samba.

Os políticos da França estão divididos. Uns não sabem o que fazer para segurar a onda protetora dos animais. Outros, na melhor das hipóteses, serão seguidores. Parabéns à Catalúnia! Parabéns à Espanha por esse seu "vizinho" tão brilhante. Olé!


Foto: Mais duas fotos da Petite Venise de Colmar, Alsácia.

Friday, July 23, 2010

Hamburger da vovó

Quando fui expatriado, tive direito a um prêmio devido a diferença de custo de vida entre o Brasil e a França. A cada ano que passa, o prêmio diminui. Do jeito que as coisas vão, eu e todos os expatriados brasileiros veremos o bônus virar malus.

A Economist mostra isso de outra forma, através do famoso índice Big Mac. O Brasil possui o quarto Big Mac mais caro do mundo, juntando-se a países como Noruega, Suécia e Suíça. Pelo menos, em alguma coisa, a gente alcança eles!

Um colega alertou há uns bons anos: "No Brasil que dá certo, as coisas ficarão caras". Ainda não chegamos lá, mas essa sobrevalorização da nossa moeda pode ser longa. Diz a Economist: "Burgernomics suggests that the Real is overvalued by 31%". Bom para comprar no exterior, mas limita a competitividade de vários setores da Economia. Muita gente deve estar sentindo o aperto no bolso mesmo com o país crescendo.

Recado para Serra e Dilma: A cura dessa distorção não requer mágicas nem manipulações. Usem a receita da vovó: Redução de déficit público, melhor infra-estrutura, estímulo ao investimento e competição, sistema de tributação mais justo, mais crédito, taxa de juros normais, etc.


Foto: Voltando a Colmar, a foto mostra o Museu Bartholdi, antiga residência de Auguste Bartholdi, o célebre escultor da Estátua da Liberdade. Passeando pela França, cruzei com diversas criações do escultor, mas nenhuma a altura do famoso presente francês aos EUA. Sem duplo sentido.

Sunday, June 13, 2010

Façam as suas apostas

A conta gotas, a França vai fazendo a sua desregulamentação. Não por vontade própria, mas por imposição da União Européia. A última novidade é a liberação do mercado de loterias e apostas. Depois de cinco séculos de monopólio da "Française des Jeux", começam a pipocar inúmeros bookmakers, em sua maioria virtuais. Poker, futebol e turfe fazem a alegria de viciados e mafiosos.

A vantagem para o Estado é que todos pagam impostos. Como sempre, o governo se sai melhor sendo sócio do que gerindo tudo sozinho com um bando de gente que não quer nada. A liberação veio em boa hora. Querem coisa melhor do que a Copa do Mundo?

Dei uma olhadela nos novos sites franceses de apostas. A aposta no Brasil no jogo contra a Coréia do Norte não paga nada: 1 para 1. A maior barbada da Copa! Mas, se o Dunga quiser ficar milionário, é muito fácil! A Coréia paga 26 vezes o valor apostado!

O próximo mercado a ser liberado na França é o serviço de correios. A classe de carteiros e similares resiste bravamente. Aliás, para que servem os correios mesmo?



Foto: O Museu Unterlinden de Colmar possui um patrimônio artístico relevante, passagem obrigatória na visita a Alsácia. O tesouro do museu é o Retábulo de Issenheim de Matthias Grünewald.

Saturday, June 12, 2010

Home sweet home

Passei a semana num congresso em Portugal. Não pude escrever nenhum post. A continuação de "Você sabe que não está no paraíso quando" fica para depois. Também não entrei no clima da Copa. Até tentei assistir a um jogo entre a última palestra do congresso e o jantar. Não encontrando nada na TV aberta, acompanhei superficialmente pela Internet.

Neste dia dos namorados, Portugal celebra 25 anos de adesão à União Européia. Um quarto de século de casamento exemplar. Entretanto, a crise conjugal que se anuncia não tem precedentes. Portugal é um dos PIGS, citados diversas vezes nos posts anteriores.

O longo período de prosperidade fez muito bem para Portugal. A primeira vez que estive no país fiquei muito bem impressionado. Recomendo a sua visita a todos os brasileiros. Nesta segunda vez, a principal diferença é o melancólico testemunho dos brasileiros, encontrados em todos os lugares. A conversa é uma só: Arrumar as malas e voltar para casa.


Foto: Casas do centro de Colmar, na Alsácia.

Saturday, June 5, 2010

Você sabe que não está no paraíso quando... 2

Se o Big Mac é referência internacional de paridade de poder de compra, o meu indicador de segurança pública é a venda de cartuchos da Gilette. Há muito tempo, os cartuchos mais caros da marca não são acessíveis livremente nas gôndolas. Em alguns lugares, temos que solicitá-los para o caixa. Em outros, os cartuchos vêm com um dispositivo de segurança maior do que eles. Com a tecnologia atual, dá para se garantir a segurança com mais discrição.

O aspecto triste dessa observação é que em quase todo mundo é assim. Já visitei supermercados em inúmeros países. Cingapura foi o único lugar, onde encontrei os produtos da Gilette "leves e soltos", inclusive a linha Fusion. Bem, Cingapura a gente conhece. Tudo tem o seu preço. Mas que foi um barbear inesquecível, isso foi... ;-)


Foto: Ainda na Petite Venise de Colmar, Alsácia.

Thursday, June 3, 2010

Você sabe que não está no paraíso quando... 1

No final do século passado, numa das minhas primeiras visitas a Lyon, usei o metrô da cidade. Acostumado ao congênere parisiense, encontrei uma rede menor e bem menos frequentada. Ufa, que alívio! Entrei na estação e, de repente, estava dentro do trem. Não vi catraca nem bilheteria. Por alguns segundos, cheguei a pensar se era gratuito. A primeira viagem foi sem pagar mesmo. Depois, prestei mais atenção e descobri as máquinas de venda e validação dos bilhetes.

Infelizmente, metrô sem catracas virou algo inimaginável na França. Pouco tempo depois, todas estações estavam devidamente protegidas.

O bonde (tramway) não tem catraca, mas um esquema de fiscalização aleatório bastante presente. Cada vez que a turma de fiscais cerca o bonde, há uma boa dúzia de autuações. Sinal dos tempos!

No extremo oriente a preocupação é outra. Os metrôs são recentes e incorporam a melhor teconologia de transporte e de controle. O duro é convencer chineses e indianos a não cuspir no chão.



Fotos: Continuando a viagem pela Alsácia. A parte mais interessante de Colmar, a Petite Venise, com as casas típicas alsacianas ao longo do Rio Lauch. As duas fotos foram feitas no mesmo lugar.