Showing posts with label Alsácia. Show all posts
Showing posts with label Alsácia. Show all posts

Friday, August 6, 2010

Gargalo

Assim como São Paulo, Lyon não concluiu seu rodoanel. Entretanto, há uma grande diferença entre a cidade francesa e a brasileira: O tamanho da frota. São Paulo tem mais veículos parados diariamente no rodízio do que aqueles que circulam em Lyon.

O maior problema do gargalo rodoviário gaulês fica para os parisienses, obrigados a passar por dentro de Lyon (Túnel da Fouvière), quando deslocam-se para a costa mediterrânea. Para o prefeito socialista de Lyon, esse não é um grande problema.

Um fato recente ilustra a gestão dos transportes na cidade. Nas próximas semanas, começa a circular o tramway que ligará o centro da cidade (Part-Dieu) ao seu aeroporto (Saint-Exupéry) em pouco menos de meia hora. A cidade não perdeu tempo. Mesmo antes de inaugurá-lo, impôs obstáculos aos motoristas. Uma avenida vital na ligação com o aeroporto perdeu faixas e um viaduto está sendo destruído. O caminho do bonde, uma nova ciclovia e uma calçada mais larga são prioritários. Os motoristas que se virem.

A abordagem de Lyon é correta. Antes de se pensar na punição aos condutores de automóveis, oferece-se alternativas.


Foto: Fechando a série de fotos da Alsácia, mais uma foto da área central de Colmar.

Thursday, July 29, 2010

Adiós los toros


A Catalúnia já possui tantas glórias esportivas, que pode abrir mão das touradas. Vocês viram que a votação no parlamento catalão foi apertada. A briga é antiga, mas a tradição também.

Muitas cidades francesas e espanholas têm as touradas como pilar da vida cultural e turística. Mesmo que a opinião pública européia seja majoritariamente contrária à prática, as lideranças locais conseguem preservá-la. "Panem et circenses".

A TV francesa entrevistou alguns habitantes de Nîmes, tradicional pólo de "corridas" do sul do país. Um deles resumiu: "Sem as touradas, não somos nada". Este era o espírito da maioria das respostas. Não seria exagero comparar Nîmes sem touradas com o Rio sem as Escolas de Samba.

Os políticos da França estão divididos. Uns não sabem o que fazer para segurar a onda protetora dos animais. Outros, na melhor das hipóteses, serão seguidores. Parabéns à Catalúnia! Parabéns à Espanha por esse seu "vizinho" tão brilhante. Olé!


Foto: Mais duas fotos da Petite Venise de Colmar, Alsácia.

Friday, July 23, 2010

Hamburger da vovó

Quando fui expatriado, tive direito a um prêmio devido a diferença de custo de vida entre o Brasil e a França. A cada ano que passa, o prêmio diminui. Do jeito que as coisas vão, eu e todos os expatriados brasileiros veremos o bônus virar malus.

A Economist mostra isso de outra forma, através do famoso índice Big Mac. O Brasil possui o quarto Big Mac mais caro do mundo, juntando-se a países como Noruega, Suécia e Suíça. Pelo menos, em alguma coisa, a gente alcança eles!

Um colega alertou há uns bons anos: "No Brasil que dá certo, as coisas ficarão caras". Ainda não chegamos lá, mas essa sobrevalorização da nossa moeda pode ser longa. Diz a Economist: "Burgernomics suggests that the Real is overvalued by 31%". Bom para comprar no exterior, mas limita a competitividade de vários setores da Economia. Muita gente deve estar sentindo o aperto no bolso mesmo com o país crescendo.

Recado para Serra e Dilma: A cura dessa distorção não requer mágicas nem manipulações. Usem a receita da vovó: Redução de déficit público, melhor infra-estrutura, estímulo ao investimento e competição, sistema de tributação mais justo, mais crédito, taxa de juros normais, etc.


Foto: Voltando a Colmar, a foto mostra o Museu Bartholdi, antiga residência de Auguste Bartholdi, o célebre escultor da Estátua da Liberdade. Passeando pela França, cruzei com diversas criações do escultor, mas nenhuma a altura do famoso presente francês aos EUA. Sem duplo sentido.

Tuesday, July 20, 2010

Viva España

Viva España (ou "Todo Zapatero tem seu dia de Médici")


Os espanhóis desesperam-se por empregos,

Pior que eles, só os gregos.

Nunca houve tanto tempo para siesta!

Mas eles têm Nadal, Contador e Iniesta.

Cantar "Viva España" lava as almas,

somente por uma ou duas semanas.

Sem nada na panela e muito mimo,

o espanhol é apenas um argentino.



Foto: Praça central de Mulhouse. A cidade é "muito grande" (estou ficando mal acostumado) comparada com as mostradas nos posts anteriores. De qualquer forma, vale pelo Museu do Automóvel e do Trem. Nada mais.

Saturday, July 17, 2010

Salvem os blogs!

Já que os jornais e as emissoras de televisão são geralmente submissos aos caprichos do Governo, a blogosfera tem sido a salvação da imprensa mais ou menos livre. O deputado Gerson Peres, PP/PA, recém integrante da tropa dilmista, quer acabar com essa exuberância democrática, através de um projeto de lei que coloca rédeas nos blogueiros do Brasil.

Mesmo sem PNDH 3 ou a lei acima, o Brasil ocupa a septuagésima-primeira posição no ranking de liberdade de imprensa dos repórteres sem fronteiras. O site da ONG sintetiza:

Brazilian journalists are exposed to serious risks in some parts of the country, especially when they cover sensitive subjects such as corruption, trafficking or environmental issues. The media are often the target of judicial harassment by local authorities.

The leading daily O Estado de São Paulo and its website Estadão have been subject to a similar order since 31 July 2009 forbidding them to publish any information about court cases involving businessman Fernando Sarney, the son of former President José Sarney (who is now senate speaker). Unfair distribution of state advertising is another of the methods that are used to punish news media that ruffle feathers.


Fotos: Duas tomadas do castelo de Hohlandsbourg, do século XIII. Suas muralhas, no alto da colina, são imponentes. Na prática, é um polo de entretenimento. Assim como inúmeros castelos franceses, primavera/verão é época de festas medievais. Acima, uma representação teatral, que me lembrou os cavaleiros que dizem "Ni" do Monty Python. Abaixo, a visão mais ampla, com Colmar ao fundo.


Wednesday, July 14, 2010

Canicule

Após três anos de sucesso, no meu quarto verão em Lyon, não consegui escapar da "canicule", a onda de calor que, excepcionalmente, toma conta da França. Evito passar o mês de agosto por aqui, pois é muito quente. Entretanto, há coisas que nem o polvo Paul pode prever. Depois de uma primavera sofrível, veio uma sequência de dias com temperaturas na casa dos 40 graus. Para piorar, mesmo à noite, o termômetro não sai dos 30 graus.

O tempo é excelente para quem já está de férias. A partir dos primeiros dias de julho, Lyon fica bem mais vazia. Ao contrário de Paris, a população local não chega ser totalmente substituída por turistas. Lyon fica morta até o final de agosto.

Já Paris, tem alguns graus a menos no termômetro e alguns milhões a mais de turistas. A volta dos brasileiros e americanos é comemorada pelo comércio local. Até mesmo a capital mundial do turismo não pode abrir mão dos nossos perdulários compatriotas! Outro grupo cada vez mais presente, são os chineses.

Fazer turismo em Paris em julho e agosto é quase certeza de tempo bom. Mas também tem muita fila e péssimo atendimento. Consegui aproveitar os meses de agosto de 2007 a 2009, com roteiros alternativos, conhecendo diversas regiões como Provence, Périgord, Normandia, Languedoc, etc. Foram raríssimas as filas. Se você curtir uma fila e não se contentar com a espera das atrações parisienses, o jeito é ir para Shanghai ver a Expo 2010.


Fotos: Vistas do Château du Haut-Kœnigsbourg, originário do século XV, mas totalmente reconstruído no início do século XX, quando a Alsácia estava sob domínio alemão. A faraônica obra de reconstrução tinha como objetivo consolidá-lo como símbolo de uma Alsácia germânica.

Saturday, July 10, 2010

Revista do cinema - S1/2010

O inverno rigoroso do começo do ano foi um convite ao cinema, mas a safra do semestre foi muito ruim. Não é para menos, num ano em que o ex-casal Cameron/Bigelow disputa o melhor filme, é que a coisa está preta. Até mesmo o vencedor de Cannes é um daqueles filmes ruins, que só serve como sonífero.

Tenho que admitir que o Oscar de melhor filme estrangeiro para o argentino "El secreto de sus ojos" foi bem merecido. Sem dúvidas, um dos melhores filmes do semestre.

Destaco também o retorno em massa dos mais ilustres atores franceses. Mesmo aqueles que haviam se mudado para Hollywood voltaram e enriqueceram a produção local. Juliette Binoche dá um show de interpretação em "Copie Conforme", mas o filme é sofrível. Gérard Depardieu, Jean Reno e o casal Christophe Lambert & Sophie Marceau participam de diversas produções medíocres. A mais honrosa exceção é Mathieu Amalric que dirige e interpreta "La Tournée".

Já comentei em posts anteriores "Invictus" e "Alice". Neste semestre, os filmes americanos entraram quase simultaneamente no Brasil e na França, portanto a minha revista é de pouca utilidade nesses casos. Então, fiquem de olho nas demais produções. Eis o meu ranking:


*** Nenhum

** El secreto de sus ojos - ARG - Juan José Campanella
** Invictus - USA - Clint Eastwood
** A serious man - USA - Ethan & Joel Coen
** A matter of size - ISR - Sharon Maymon
** The ghost writer - FRA/ALE/UK - Roman Polanski
** La tournée - FRA - Mathieu Amalric
** Alice in Wonderland - USA - Tim Burton
** Rabia - MEX/ESP/COL - Sebastián Cordero
** La rafle - FRA - Roselyne Bosch

* Shutter Island - USA - Martin Scorsese
* La tête en friche - FRA - Jean Becker
* A single man - USA - Tom Ford
* Up in the air - USA - Jason Reitman
* Copie conforme - FRA/ITA/BEL - Abbas Kiarostami
* L'immortel - FRA - Richard Berry
* L'autre Dumas - FRA - Safy Nebbou
* Une éxecution ordinaire - FRA - Marc Dugain
* Serge Gainsbourg, vie héroïque - FRA - Joan Sfarr
* White material - FRA - Claire Denis
* The Men Who Stare at Goats - USA - Grant Heslov
* Sherlock Holmes - USA - Guy Ritchie
* The road - USA - John Hillcoat



Foto: A última tomada de Kaysersberg (Alsácia), na onipresente Rue du Général de Gaulle.

Thursday, July 8, 2010

Porque nós valemos muito

O recente escândalo em torno dos acionistas da L'Oréal é refresco perto da saga familiar dos Schueller-Bettencourt, que inclui passagens misteriosas, até hoje mal compreendidas. E é melhor que permaneçam assim, para evitar que algumas feridas da sociedade francesa voltem à tona.

Eugène Schueller, fundador da L'Oréal, era um fascista de mão cheia, um dos líderes da organização secreta "La Cagoule", inspirada na KKK americana. Os escritórios da empresa francesa foram sede das mais diversas conspirações. Não demorou muito para que Eugène encontrasse o menino prodígio do colaboracionismo, André Bettencourt, um antissemita convicto, que trabalhava diretamente para a cúpula do Reich. Juntos, lutaram por uma França livre de comunistas, maçons e judeus. A empresa, leal a Vichy e a Hitler, prosperou imensamente durante a Segunda Guerra.

Após desentendimentos internos dos colaboracionistas franceses e o declínio alemão, André mudou de lado. Ao final da guerra, estava entre os resistentes, assim como outros oportunistas de última hora (e.g. François Mitterrand). A sua esperteza foi vital para salvar Eugène e outros colaboracionistas do virtual fuzilamento. Assim como, a própria L'oréal.

A retribuição de Eugène foi imensa. André foi agraciado com posições importantes dentro do grupo. E, mais para frente, esposa a sua única filha, a famosa Liliane.

Eugène usou o grupo L'Oréal para salvar amigos da Cagoule. A essa altura, era um dos maiores acionistas da Nestlé, que também foi usada para os mesmos fins. Faleceu em 57, deixando Liliane como herdeira e mulher mais rica da França desde então.

Ao final dos anos 40, André começa uma comportada carreira política. Sessenta anos de dedicação à vida publica, honrarias e distinções, enterraram a sua vida pregressa.

L'Oréal e Nestlé foram devidamente profissionalizadas e hoje são líderes mundiais em seus setores. André faleceu em 2007. A vida ainda lhe proporcionou uma última surpresa. Françoise, sua única filha com Liliane, casou-se com um judeu, cujos avós morreram em Auschwitz. Os dois netos de André foram educados na melhor tradição judaica. Mazal tov!

Bem, o resto da história vocês conhecem. Os relacionamentos da viúva Liliane, a briga entre ela e Françoise, a contribuição de campanha para Sarkô, as contas na Suíça e a corrupção do ministro são coisas que vocês lêem todos dias nos jornais. Portanto, vou poupá-los. Porque nós valemos muito.


Foto: Acima e abaixo, duas tomadas do centro de Kaysersberg, com especial atenção à ponte fortificada sobre o Weiss (1514).


Monday, July 5, 2010

Tour de France 2010 - Parte II

A trapaça bioquímica é cada vez mais arriscada. Seja pela fiscalização ou pelo próprio dano à saúde dos atletas. Então, a última trapaça do ciclismo são as bicicletas motorizadas. Parece inacreditável, mas é verdade. Na Tour de France, todas as bicicletas estão sendo escaneadas periodicamente para se buscar motores escondidos na sua estrutura. Como engenheiro, fico maravilhado com a tecnologia e o seu grau de miniaturização. Como cidadão, envergonhado com esse bando de trapaceiros.

A evidência veio da última Paris-Roubaix, uma prova tradicional criada em 1896, alguns anos da Tour de France. O suíço Fabian Cancellara ganhou a prova com facilidade. Após a análise dos vídeos, percebeu-se que o desempenho do ciclista é sobre-humano. Vejam o vídeo clicando aqui. Acompanhem o ciclista de vermelho por um minuto.


Foto: O filho mais ilustre de Kaysersberg é Albert Schweitzer, Nobel da Paz de 1952, que não mereceria ter o seu nome num post sobre ciclismo. Na foto, a casa onde nasceu e viveu. Hoje, museu e templo protestante.

Sunday, July 4, 2010

Tour de France 2010 - Parte I


As notícias da Tour de France começam a ocupar o espaço deixado pelo futebol. Todo mês de julho é assim. A mais famosa prova do ciclismo é um grande evento, atraindo multidões para as cidades do interior francês, onde passam os ciclistas.

Os escândalos sucessivos de doping mancharam a Tour. A briga nos bastidores em torno do controle do doping continua a todo vapor. A prova de 2009 foi muito tranquila graças à "tolerância" dos fiscais e não a uma revolução ética no esporte.

O lendário norte-americano Lance Armstrong, vencedor de 1999 a 2005, diz que o ciclismo é perseguido, pois em todos os esportes há trapaça. Diga-se de passagem, há inúmeras evidências e denúncias envolvendo Armstrong, um verdadeiro campeão na busca de novas formas de doping e na arte de se escapar do seu controle. Um ex-companheiro de equipe declarou que os atletas fazem até transfusões de sangue para fugir do flagrante. Inclusive Armstrong.

Por essas e outras, é melhor assistir Futebol. Mesmo com juiz roubando, soa mais honesto. Ou então, fazer como milhões de pessoas, que assistem à Tour de France, apenas para ver o seu belo cenário.


Foto: Casas de Kaysersberg às margens do Weiss.

Friday, July 2, 2010

Virada

Errei! Eu imaginava a eliminação do Brasil, mas não desta forma. Achava que tomaríamos o primeiro gol e o nosso timeco não seria capaz de virar o jogo. Mais ou menos como na derrota para a França na última Copa. Virada é coisa raríssima em Copa. Quem faz o primeiro gol, muda o esquema de jogo e arma a retranca.

Do ponto de vista ludopédico, a virada da Holanda por 2X1 é parte da vida. Do ponto de vista estatístico, é humilhante. Até 2014!


Foto: Ainda na Alsácia, passando de Riquewihr para Kaysersberg, outra bela cidadezinha.

Sunday, June 27, 2010

Greve

Minha ausência deveu-se a uma sequência de viagens e eventos. Também é difícil falar sobre qualquer coisa que não seja futebol. Iria fazer uma crônica sobre a disputa pelo controle do Le Monde ou o escândalo envolvendo a maior acionista da L'Oréal, Liliane Bettencourt. Mas, quem se importa?

A França eliminada da Copa já está voltando à vida normal. Ou seja, menos futebol e mais greves. Desta vez, eu vou aderir. Farei uma greve no meu próprio blog. Blogueiros unidos...


Fotos: Acima, as fachadas que marcam Riquewihr, na Alsácia. Abaixo, a casa conhecida como "arranha-céu".



Monday, June 21, 2010

Galudopédicas

Antes do início da Copa, alguns colegas franceses indagavam sobre a possibilidade da França chegar à final. Eu questionava abertamente se a França seria capaz de marcar um gol. Já foram dois jogos e nada de gols. Tal desempenho não seria inédito na história do futebol do país, apesar de ter alcançado as finais em 1998 e 2006.

O técnico Raymond Domenech é tão odiado como o Dunga. Tão teimoso quanto o Dunga. Só não é tão elegante quanto o Dunga. Mas, entre eles, existe uma diferença brutal, Raymond Domenech perdeu totalmente a sua autoridade perante o grupo. O desgaste vem desde a última Copa, quando fora submetido às vaidades de estrelas como Zidane e Henry. O anúncio da sua demissão após o final dessa Copa pareceu-me uma estupidez da Federação Francesa de Futebol. Deu no que deu.

A derrota humilhante para o México, as ofensas públicas, a greve de treino, o caríssimo hotel escolhido como base da França, o escândalo sexual que antecedeu a Copa e tudo o que ronda a seleção francesa virou assunto de Estado. A Ministra da Saúde e Esportes, despachando da África do Sul, acaba de anunciar uma grande auditoria no futebol francês.

A única boa nova é que o contrato com a Adidas termina este ano. A Nike assume o patrocínio dos Bleus por 42 milhões de euros por temporada até 2018. O mesmo fornecedor paga 13 milhões de euros para os canarinhos. Afinal, quem é mesmo que precisa de auditoria?


Foto: Riquewihr é cercada por vinhedos de todos os lados. E, por sinal, uma excelente AOC de Riesling, o Schœnenbourg. Na foto, uma vista da cidade a partir dos seus vinhedos.

Friday, June 18, 2010

A última piada de belga


O possível fim da Bélgica tem sido notícia por aqui há algum tempo. Com a recente vitória eleitoral dos independentistas flamengos, é só uma questão de tempo. Potencialmente, Flandres seria um novo país. A Valônia poderia ser anexada à França. Bruxelas, quem sabe, uma cidade-estado.

Tudo isso é uma tragédia. O que será do mal-humorado povo francês sem as piadas de belga? Imaginem se nos tirássem todas as piadas de portugueses? Nem dá para pensar em tamanha perda para a cultura brasileira.

Grande parte das piadas de belgas são as mesmas que as de portugueses. Não me perguntem quem copiou de quem. Entretanto, há uma diferença fundamental: No Brasil, a gente ouve e propaga as piadas sobre nossos irmãos lusos com muito mais empenho. Então, antes que as piadas de belgas percam a validade, aí vão algumas:

#1
Um belga, um italiano e um francês conversam sobre as suas mulheres.
O francês: - A minha mulher é muito burra. Foi passar o feriado numa estação de esqui e nem sabe esquiar.
O italiano: - A minha é mais burra ainda. Comprou uma Ferrari para passear e fazer as compras e nem tem carta de motorista.
O belga: - A minha é a mais burra de todas. Foi para o Club Med com a bolsa cheia de camisinhas e ela nem tem pinto.

#2
Inscrição comum no fundo das piscinas da Bélgica: "Não esqueça de voltar à superfície".

#3
O belga que dirigia de Paris para Lyon parou na estrada para dar carona a uma mulher atraente. Mudando de marcha, a mão do motorista belga encosta na perna da caronista, algo que se repete algumas vezes. Ela aprova e o estimula. De repente, ela pergunta: "Você quer ir mais longe?". O belga não teve dúvidas, passou Lyon e seguiu dirigindo até Marselha.

#4
O que é um esqueleto dentro do armário? Um belga que ganhou a brincadeira de esconde-esconde.

#5
Acidente de ônibus na Bélgica faz 40 mortos: 20 no acidente e 20 na reconstituição.

#6
Quatro belgas passeando por Paris cruzam o Bois de Boulogne, famosa área de prostituição. Eles param o carro e abordam uma garota.
O motorista: - Quanto é?
A garota: - 300 na frente e 400 atrás.
O belga do banco de trás: - Sacanagem! Por que é mais caro para mim?

#7
Do alto de um viaduto, antes do seus primeiros saltos, dois belgas iniciantes no "bungee jumping" conversam entre si:
- Você tem certeza que o elástico é seguro?
- Não se preocupe, colocamos 10 metros de elástico a mais para garantir.

Quem quiser mais algumas dúzias de piadas (em francês) clique aqui.


Foto: Abaixo, o Hôtel de Ville de Riquewihr serve como uma das portas de acesso à cidade. Riquewihr é murada e tem tráfego permitido apenas aos residentes. Acima, uma entrada mais autêntica, a Porte Haute, integrada às muralhas construídas em 1500.

Tuesday, June 15, 2010

Gália profunda

Sempre digo aos meus colegas franceses, que o país precisa de um banho de capitalismo. Eles não gostam e defendem o aparato social desenvolvido durante as últimas décadas. Por outro lado, acenam com um voto cada vez mais à direita, garantindo a reeleição do Sarkô, apesar dos seus abissais índices de popularidade.

De alguma forma, o povo sabe que o remédio para a França não está mais no ideário socialista. Além de tudo, a fogueira das vaidades do PS incomoda mais do que o estilo esnobe do Sarkô e seu ridículo casamento de fachada. A mobilização da direita para a eleição presidencial já começou.

Depois das festas gigantes organizadas pelo Facebook, a última moda francesa são os mega eventos, regados a vinho e porco. Mais precisamente, sopa de porco ou salsichão. Segundo os organizadores, é a restauração do melhor tradição gaulesa. A intenção é aberta e declarada: Muçulmanos de fora. Os ultralaicos e a extrema direita estão juntos contra a islamização de alguns bairros das metrópoles francesas.


Foto: Dia de festa na cidade mais charmosa da Alsácia, Riquewihr. Até a guarda napoleônica desfila na principal rua da cidade, a onipresente General de Gaulle.

Sunday, June 13, 2010

Façam as suas apostas

A conta gotas, a França vai fazendo a sua desregulamentação. Não por vontade própria, mas por imposição da União Européia. A última novidade é a liberação do mercado de loterias e apostas. Depois de cinco séculos de monopólio da "Française des Jeux", começam a pipocar inúmeros bookmakers, em sua maioria virtuais. Poker, futebol e turfe fazem a alegria de viciados e mafiosos.

A vantagem para o Estado é que todos pagam impostos. Como sempre, o governo se sai melhor sendo sócio do que gerindo tudo sozinho com um bando de gente que não quer nada. A liberação veio em boa hora. Querem coisa melhor do que a Copa do Mundo?

Dei uma olhadela nos novos sites franceses de apostas. A aposta no Brasil no jogo contra a Coréia do Norte não paga nada: 1 para 1. A maior barbada da Copa! Mas, se o Dunga quiser ficar milionário, é muito fácil! A Coréia paga 26 vezes o valor apostado!

O próximo mercado a ser liberado na França é o serviço de correios. A classe de carteiros e similares resiste bravamente. Aliás, para que servem os correios mesmo?



Foto: O Museu Unterlinden de Colmar possui um patrimônio artístico relevante, passagem obrigatória na visita a Alsácia. O tesouro do museu é o Retábulo de Issenheim de Matthias Grünewald.

Saturday, June 12, 2010

Home sweet home

Passei a semana num congresso em Portugal. Não pude escrever nenhum post. A continuação de "Você sabe que não está no paraíso quando" fica para depois. Também não entrei no clima da Copa. Até tentei assistir a um jogo entre a última palestra do congresso e o jantar. Não encontrando nada na TV aberta, acompanhei superficialmente pela Internet.

Neste dia dos namorados, Portugal celebra 25 anos de adesão à União Européia. Um quarto de século de casamento exemplar. Entretanto, a crise conjugal que se anuncia não tem precedentes. Portugal é um dos PIGS, citados diversas vezes nos posts anteriores.

O longo período de prosperidade fez muito bem para Portugal. A primeira vez que estive no país fiquei muito bem impressionado. Recomendo a sua visita a todos os brasileiros. Nesta segunda vez, a principal diferença é o melancólico testemunho dos brasileiros, encontrados em todos os lugares. A conversa é uma só: Arrumar as malas e voltar para casa.


Foto: Casas do centro de Colmar, na Alsácia.

Saturday, June 5, 2010

Você sabe que não está no paraíso quando... 2

Se o Big Mac é referência internacional de paridade de poder de compra, o meu indicador de segurança pública é a venda de cartuchos da Gilette. Há muito tempo, os cartuchos mais caros da marca não são acessíveis livremente nas gôndolas. Em alguns lugares, temos que solicitá-los para o caixa. Em outros, os cartuchos vêm com um dispositivo de segurança maior do que eles. Com a tecnologia atual, dá para se garantir a segurança com mais discrição.

O aspecto triste dessa observação é que em quase todo mundo é assim. Já visitei supermercados em inúmeros países. Cingapura foi o único lugar, onde encontrei os produtos da Gilette "leves e soltos", inclusive a linha Fusion. Bem, Cingapura a gente conhece. Tudo tem o seu preço. Mas que foi um barbear inesquecível, isso foi... ;-)


Foto: Ainda na Petite Venise de Colmar, Alsácia.

Thursday, June 3, 2010

Você sabe que não está no paraíso quando... 1

No final do século passado, numa das minhas primeiras visitas a Lyon, usei o metrô da cidade. Acostumado ao congênere parisiense, encontrei uma rede menor e bem menos frequentada. Ufa, que alívio! Entrei na estação e, de repente, estava dentro do trem. Não vi catraca nem bilheteria. Por alguns segundos, cheguei a pensar se era gratuito. A primeira viagem foi sem pagar mesmo. Depois, prestei mais atenção e descobri as máquinas de venda e validação dos bilhetes.

Infelizmente, metrô sem catracas virou algo inimaginável na França. Pouco tempo depois, todas estações estavam devidamente protegidas.

O bonde (tramway) não tem catraca, mas um esquema de fiscalização aleatório bastante presente. Cada vez que a turma de fiscais cerca o bonde, há uma boa dúzia de autuações. Sinal dos tempos!

No extremo oriente a preocupação é outra. Os metrôs são recentes e incorporam a melhor teconologia de transporte e de controle. O duro é convencer chineses e indianos a não cuspir no chão.



Fotos: Continuando a viagem pela Alsácia. A parte mais interessante de Colmar, a Petite Venise, com as casas típicas alsacianas ao longo do Rio Lauch. As duas fotos foram feitas no mesmo lugar.


Tuesday, June 1, 2010

Coleção Schlumpf

No último feriado, estive na Alsácia, mais precisamente em Colmar e suas vizinhanças. Aproveitei para ir a Mulhouse, onde visitei o Museu Nacional do Automóvel, conhecido também como Coleção Schlumpf, considerado um dos principais do mundo. Como eu tenho vários leitores que adoram um "Salão de Automóvel" e similares, fica a dica. Se quiserem programar um bate e volta a partir de Paris, eu posso ajudar.

A maior atração do Museu é a coleção única de Bugatti. São 150! Entre eles, os automóveis mais valiosos do mundo, dois Bugatti Royale. Ettore Bugatti, italiano radicado na Alsácia, foi um dos pioneiros da indústria automobilística, eternizado como um dos mais inovadores. Eu o citei no antigo fotolog, quando da visita ao Museu Malartre.

A série Royale, com apenas seis unidades produzidas, destinava-se às famílias reais européias. A performance dos carros era muito superior à concorrência dos anos 20: 8 cilindros, 300CV e 200 km/h. O preço também. Custando três vezes um Rolls-Royce, a Royale foi um fracasso comercial. Um dos modelos expostos em Mulhouse acabou se tornando o carro pessoal de Bugatti. O Museu tem uma riquíssima coleção de Mercedes-Benz, Rolls-Royce, Ferrari e muitas outras marcas de prestígio, desde os modelos pioneiros do final do século XIX até os dias de hoje.


Fotos: Acima, o detalhe da fachada do prédio principal do museu. Abaixo, uma tomada mais distante. Ainda abaixo, na montagem, a partir do canto superior esquerdo no sentido horário. A coleção única de Bugatti. Um Mercedes-Benz Cabriolet 540K de 1936. O Bugatti Coupé Type 41 "Royale" de 1929. O Hispano-Suiza Coupé Chauffeur J12 de 1934.