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Wednesday, January 1, 2014

2014 - Prólogo

2014 já estava destinado a ser um ano do esporte, especialmente para nós brasileiros. É quase certo que não daremos muita bola para os Jogos Olímpicos de Inverno, mas o clima de Copa do Mundo por aqui deve ter poucos similares no planeta.

Os últimos acontecimentos garantirão que o esporte cumprirá seu papel de grande circo. Em 2014, acompanharemos as recuperações do Anderson Silva e do Michael Schumacher, além dos esforços para se realizar algum campeonato brasileiro de futebol.

As eleições gerais ficam num segundo plano. Talvez seja melhor assim. Como escrevi em "Eco", não adianta dizer para vocês que o governo da Dilma é ruim, por que vocês já sabem. Não adianta dizer que estamos sendo roubados, por que vocês já sabem. As eleições do ano que vem podem expelir um ou outro "ficha suja", mas, no geral, não devem mudar o quadro político.

Nesses dias entre Natal e Ano Novo, percebi como é difícil derrotar qualquer presidenciável herdeiro de Lula. Os inúmeros críticos do PT são unânimes em relação à sua fraqueza ética. No resto, há divisão. O PT agrada e desagrada à esquerda, assim como agrada e desagrada à direita.

Um esquerdista puro provavelmente está furioso com a recente onda de privatizações. Também não aprecia a forte influência do lobby religioso no governo. Já o direitista não suporta o tamanho da máquina governamental nem a extensão dos programas sociais.

Face ao programa frankensteniano do PT, tanto a direita como a esquerda têm dificuldades de se opor totalmente. Não dá para ser coerente. Além do mais, as escolhas de Lula e Dilma  estão alinhadas à opinião pública. Talvez seja por isso que os candidatos da oposição sejam tão facilmente pulverizados. A oposição deve procurar um outro caminho. Por enquanto, só um candidato do PT poderia bater o próprio PT.

Finalmente, lembro de mais um assunto sério de 2014, o centenário do início da Primeira Guerra Mundial. Levantei o tema em 2012 no post "No Reino da Dinamarca". Voltarei a ele antes da Copa ;-)


Post de 17/10/2012 - "No Reino da Dinamarca"


Foto: O "Botanical Building" do Balboa Park em San Diego.

Saturday, October 5, 2013

Rush


O cinema não aparece neste blog desde abril. Confesso que assisti dezenas de filmes desde então. Cruzei com algumas boas ideias, mas nada genial. O único filme que me surpreendeu explora um dos temas mais difíceis para se fazer um ótimo filme, o mundo do automobilismo.

Adorei Rush de Ron Howard. Bem, pelo diretor, podemos presumir que não seria um filme para simplesmente misturar-se carros, mulheres e muito barulho. O filme relata o duelo entre Niki Lauda (Ferrari) e James Hunt (McLaren) em 1976, uma época em que a Fórmula 1 era muito diferente. Talvez, uma simples confraria de ingleses amantes da velocidade. Nos anos seguintes, uma banho de profissionalismo, dinheiro e tecnologia - não necessariamente nessa ordem - mudaria a cara da F1 para sempre.

O contraste entre o calculista Lauda e o boêmio Hunt pode parecer caricatural, mas todos os testemunhos confirmam os estereótipos. Hoje em dia, a F1 não tem mais espaço para rebeldes românticos como Hunt, privilegiando cordeirinhos fiéis aos grandes patrões do mundo dos automóveis.

Gostei de Rush por que já acompanhava a F1 em 1976. E não era meu primeiro ano de espectador! Nos anos 70, a transmissão por satélite falhava. Ver uma corrida de ponta a ponta sem interrupções era raro. Acho que essa precariedade tecnológica acabava valorizando ainda mais aqueles momentos.

Naquele 1976, o Emerson nos deixou tristes e esperançosos ao mesmo tempo. Tristes por que ele havia  abandonado a ótima equipe McLaren e a chance de um tri. Esperançosos com o primeiro carro nacional, o Copersucar Fittipaldi. Foi justamente a decisão de Emerson que abriu espaço para a entrada de James Hunt na McLaren. No filme, Teddy Mayer, antecessor de Ron Dennis, recorre ao piloto brasileiro carinhosamente como Fuckingpaldi.

Enfim, para mim, é pura nostalgia. O filme é muito bem feito. As cenas de corrida são realistas e os atores estão bem nos seus papeis. Dá para sentir saudades da F1 de antigamente, a menos, é claro, dos acidentes, mais frequentes e mais graves. Esse tema é bem explorado em Rush, graças ao famoso acidente de Lauda. Mas, há controvérsias. Como disse o grande filósofo e antropólogo Nélson Piquet, a gente só assiste corridas para ver os carros baterem :(


Foto: Novas fotos de Bruges, tiradas há uma semana. Tempo bom por lá, muita sorte!