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Friday, October 22, 2010

É o amor!

Pense rápido e cite cinco filósofos brasileiros. Que tal três? Dois? Um? Se você não se lembrou de ninguém, não fique envergonhado. O Brasil não é a França, que festeja seus filósofos, como já havia comentado em 01/03/10. Também citei Bernard-Henri Lévy (BHL), o filósofo mais popular da atualidade, algumas vezes.

O assunto deste post é Luc Ferry, outra estrela da filosofia 'pop' francesa. Ao contrário de BHL, Luc joga no time do Sarkô, sendo um dos intelectuais mais prestigiados da direita. A novidade da semana é o lançamento do seu livro "A revolução do amor". Não lerei o livro, mas tive a oportunidade de assistir uma longa - e excelente - apresentação do autor, durante a cerimônia de aniversário da ADIRA, a associação dos dirigentes de informática de Rhône-Alpes (região que tem Lyon como capital). Pelo que eu pude pesquisar no Youtube, ele vem repetindo o discurso há algum tempo.

Luc Ferry é de um otimismo peculiar. Afirma que vivemos (os europeus) num momento muito especial da História, onde o amor do Homem pela própria vida bem como a vida dos seus entes queridos nos lança numa nova era de humanismo. Nem sempre foi assim.

Durante séculos, os casais formavam-se por inúmeros fatores, menos pela atração ou respeito mútuo. Os casais possuíam muitos filhos, nem sempre tão amados. A perda de um cavalo era um golpe mais duro do que a perda de um filho. O casamento por amor mudou tudo.

A partir do momento em que passamos a amar o cônjuge de verdade, também amamos os filhos e a família como um todo. Essa lenta transformação, colocando a família como peça central, muda a forma com que nos relacionamos com o Estado, a Religião e a Sociedade. Com a família mais sólida, passamos a procurar a justiça, a fraternidade e a verdade. O conceito de sagrado é outro.

Luc usa a acepção original de sagrado, ou seja, aquilo pelo qual estaríamos dispostos a nos sacrificar. Durante séculos, o sagrado foi reservado à Pátria, a Deus ou à Revolução. Hoje em dia, qual europeu está disposto a se sacrificar por tais abstrações? Felizmente, cada vez menos pessoas.


Fotos: Acima e abaixo, as duas tomadas laterais do magnífico castelo de Schönbrunn.

Monday, March 1, 2010

Enquanto isso, na TV francesa... - Parte 1


O excelente canal de TV franco-alemão "Arte" possui um programa sobre filosofia, apresentado pelo "pop-star" da academia francesa, Raphaël Enthoven, ex-genro de Bernard-Henri Lévy. Eu assisti a um único programa no final de 2009. O tema era a utopia, com a participação de Frédéric Rouvillois, um estudioso de temas sócio-políticos.

Em um dado momento, a partir de uma foto de uma torcedora brasileira com a nossa bandeira, apresentador e convidado passam a discutir o contraste entre lema "ordem e progresso" e a realidade do Brasil. A mensagem positivista de Auguste Comte é associada ao conceito de utopia, em total oposição à imagem de "caos" que o Brasil construiu durante sua história.

O apresentador chega a dizer que o Brasil é uma "zona" ("Le Brésil c'est le bordel"). Aos mais sensíveis, digamos que foi um recurso didático. De qualquer forma, ainda precisaremos de muito tempo para provar que De Gaulle estava errado e que o Brasil é um país sério.

A propósito, o jovem filósofo é o pai do filho da Carla Bruni (Aurélien).

Eis os links para o programa: Em francês e alemão.


Foto: Há duas semanas, aproveitei a vinda de colegas brasileiros para conhecer um restaurante a 15 minutos de Lyon (Le Cascade). Acima, o conjunto hotel-restaurante. Abaixo, o seu entorno.