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Friday, December 18, 2015

Terror de política - Epílogo

Meu último post foi premonitório. A suspensão do Whatsapp por algumas horas no Brasil é piada pronta. Muitos já escreveram sobre o absurdo que foi punir 100 milhões de usuários.

Fiquei impressionado com os meios encontrados para contornar o bloqueio imposto pela Justiça. Embora milhões de pessoas tenham baixado outros aplicativos, outros milhões contornaram o bloqueio no sentido literal, por exemplo, usando VPN.

A Justiça deu um tiro no pé ao empurrar milhões de brasileiros para aplicativos como o Telegram, dotado de recursos muito mais sofisticados do que o Whatsapp. Certamente, não leram meu blog!

Talvez seja difícil contar com a colaboração do Facebook para atender às inúmeras demandas da Justiça brasileira. Porém, se precisarmos da ajuda da organização que mantém o Telegram, será simplesmente impossível obtê-la. Não colaborar com governos é um dos seus princípios e, mesmo se quisessem, as opções de segurança tornam impossível a decodificação das mensagens trocadas pelo Telegram.

A nossa sábia Justiça empurrou o PCC para o Telegram. Gênios! Deveriam saber que, ruim com o Whatsapp, pior sem ele.



No meu caminho do trabalho para casa, passo pelo centro de recepção de refugiados de Bruxelas. Não é nem um galpão nem um acampamento, é um prédio da Cruz Vermelha, bem integrado ao centro de Bruxelas. Nos últimos meses, o burburinho por ali ficou bem maior.

Recentemente, notei uma novidade na entrada do prédio. A companhia de telefonia móvel local instalou dois carregadores de celulares públicos. São duas peças cheias de escaninhos, cada um com alguns cabos para carregar os diferentes tipos de celulares.

A sede da Cruz Vermelha foi concebida para proporcionar leitos, alimentos, sanitários e atendimento médico. Para os padrões atuais, faltam muitas tomadas. Muitas mesmo. Os refugiados muitas vezes vêm apenas com a roupa do corpo e o inseparável celular.

Num documentário da TV francesa, o jornalista pediu para um refugiado sírio abrir a sua pequena mochila. Quase vazia. Havia uma escova de dentes e um celular. Esses refugiados são como os brasileiros, pobres mas limpinhos.

Acompanhando-se os refugiados através das imagens do longo do caminho da Mesopotâmia até a Europa Ocidental, percebe-se a onipresença dos celulares. Chip turco, chip grego, chip croata, chip bósnio, etc. Vão-se os chips, ficam os celulares.

Tudo isso só vem reforçar os comentários do último post, da importância do celular como instrumento de cidadania.



 Foto: Fechando a série de fotos de Mons, Bélgica.

Saturday, December 12, 2015

Terror de política - Parte 2

Entre as inúmeras reações aos atentados de 2015, houve uma crítica aos recursos tecnológicos, que propiciam a comunicação entre trerroristas. De fato, a tecnologia ajuda a humanidade como um todo, para o bem e para o mal. Felizmente, existe muito mais gente fazendo o bem.

Há muitos anos, assisti a uma palestra do Prof.Stephen Kanitz falando sobre a importância do telefone celular. Se no mundo desenvolvido, a telefonia móvel trouxe benefícios relevantes, nos países como o Brasil, ela trouxe algo a mais, resgatando a cidadania daqueles que ficavam isolados, sem a possibilidade de uma justa integração à sociedade ou ao mercado de trabalho.

O ganho da tecnologia foi muito além da rapidez, da eficiência, da praticidade ou da possibilidade de  entretenimento. As pessoas ganharam uma voz, fontes de informação alternativas, poder de organização e manifestação. As democracias fortaleceram-se.

A crise político-institucional brasileira é exemplo disso tudo. Se não fosse a contribuição das redes sociais e dos aplicativos de comunicação, a abominável Dilma estaria bem mais tranquila.

Graças a ampla divulgação dos fatos, percebemos o quão perverso um governo pode ser. Foi uma dura lição aos brasileiros, argentinos e venezuelanos, entre outros, que escolheram execráveis governos populistas e corruptos, sem quaisquer limites para preservar o poder.

A História nos ensina que isso tudo não é privilégio das nossas repúblicas bananeiras. Temos que permanecer vigilantes. É a briga do Snowden, embora muitos não concordem integralmente com ele. Eu mesmo fiz algumas ressalvas à época.

A tecnologia também está aí para nos proteger do maior dos vilões. Já fizemos muitas concessões e é preciso deixar uma espaço para a privacidade, para continuar trocando mensagens que não sejam lidas ou falar sem ser escutado pelo governo ou por qualquer outro.

Aos amigos do Brasil, mais uma vez, boas manifestações, fora Dilma e cana nos petralhas!

Leia também:
Snowden


Foto: Mais uma foto tirada em Mons, no início do ano.

Thursday, December 10, 2015

Terror de política - Parte 1

2015 entra para a história. Paris viveu os atentados de janeiro e novembro. Dois outros foram evitados, o do Thalys (trem) e o da Igreja de Villejuif. Este blog já especulou sobre as causas sociais e econômicas do terror, mas nunca falou da tecnologia a ele associada.

Sempre encontramos aqueles políticos oportunistas, que se aproveitam do momento para tentar acabar de vez com o que nos resta de liberdade e privacidade. Para tratar de assunto tão importante, farei um texto em duas partes. Começamos recapitulando alguns fatos.

Os terroristas são sofisticados. Os vídeos do Estado Islâmico no Youtube orientam o uso de criptografia em qualquer comunicação. Criptografia de 4096 bits. Para os leitores leigos, saibam que é muuuuuuito seguro.

Nem todo terrorista nasceu para informática. Alguns poderiam trabalhar perfeitamente numa equipe de suporte técnico. Outros estão mais para a equipe da Dilma. Entre erros e acertos, não dá para não falar de tecnologia.

Nos atentados ao mercado Kasher, o terrorista filmou seus assassinatos com uma câmera GoPro. Ele não conseguiu colocá-lo no Youtube por problema de sinal (até tu Paris!). Mesmo com a Polícia às portas, ele sacou o cartão de memória da câmera e carregou num computador. Haja sangue frio.

Um dos meios de comunicação usados nesse ataque contrariou as regras do terrorismo internacional, embora seja criativo. A técnica consiste em compartilhar contas de Gmail. Ao invés de enviar a mensagem, eles deixam-na como rascunho. Como a pasta de rascunhos é sincronizada, eles comunicam-se sem trocar mensagens, que são mais facilmente rastreáveis.

No fracassado atentado à Igreja de Saint-Cyr-Sainte-Julitte de Villejuif, um dos terroristas usava a ferramenta de criptografia “PGP” direitinho. Cometeu um único erro - e fatal - ao apagar uma mensagem sem passar pela criptografia. O cesto de lixo é o pote de ouro dos peritos. A partir desta falha, a Polícia francesa fez a festa e desbaratou todo o bando.

Nos atentados de novembro, o uso de aplicativos como Telegram e Signal pegou a Polícia de calças curtas. São ferramentas de chat com criptografia. Uma outra parte da quadrilha teria usado a função de comunicação do Playstation, algo igualmente difícil de ser rastreado. Se cometeram algum erro, foi ter se livrado de um celular. Aquele celular encontrado no cesto de lixo foi a chave para a rápida resposta da inteligência francesa.

Diante de tudo isso, a reação de alguns políticos desesperados para encontrar bodes expiatórios é esquecer dos  verdadeiros problemas e eleger um culpado: A tecnologia!

Sim, para eles, os culpados são a Internet, os aplicativos de mensagens, a telefonia celular e até o Playstation. Um político pediu o fim dos aplicativos com criptografia. Um outro quer “porta dos fundos” em todos os aplicativos.

Em tempos de desespero, pode ser uma tentação trocar liberdade por segurança. Entretanto, é certamente uma armadilha. Isso fica para o próximo post.


Leia também:
Atentados de janeiro: #jesuischarlie
Atentados de novembro: Terror
Porta dos fundos


Foto: Cenas de Mons (Bélgica), cidade escolhida como capital europeia da cultura em 2015.

Sunday, February 16, 2014

Alçapão

Fico perplexo com algumas bobagens que circulam pela Internet. Artigos falsos ou imagens manipuladas passam por milhões e muitos desses são bem intencionados. Ainda pior, são meus amigos no Facebook!

Poucas dicas são suficientes para poupar qualquer um do constrangimento de espalhar notícias falsas. Por exemplo, se encontrar uma matéria dizendo que a Dilma quer revogar a Lei da Gravidade, não repasse de imediato. Desconfie! Se a matéria for atribuída ao Globo, vá ao site do mesmo e confira. Senão, use o Google e busque “Dilma Revogação Lei da Gravidade”.

Redistribuir informações diretamente das páginas de fontes consagradas oferece menos riscos. Evite aqueles blogs quase desconhecidos ou textos copiados e colados no Facebook. Mesmo com todos os cuidados, o risco de retransmissão de algo ruim sempre existe.

Recentemente, também fui vítima de um golpe jornalístico. Nos primeiros dias de Sochi, a NBC publicou um “scoop”. Sua matéria alertava que, chegando-se à sede dos Jogos, todo celular era instantaneamente "hackeado”. Retransmiti a matéria pelo Twitter. Eu e milhares de pessoas.

Achei a notícia interessante, pois serve de alerta para o potencial de bisbilhotagem possibilitado pela tecnologia, sobretudo quando está nas mãos de um governo muito mais bandido do que aquele que patrocina a NSA. 

Os smartphones realmente podem ser violados dessa forma. Já foi o tempo em que para ter seu celular invadido era necessário baixar um aplicativo podre ou clicar num endereço suspeito. Basta receber um torpedo camarada e PUFF, já era! Se você for escolhido como alvo dos hackers, a invasão pode vir pelo wifi, bluetooth ou pela porta dos fundos

Ficou preocupado? Ótimo, era isso mesmo que eu queria. Siga os conselhos do seu consultor de TI preferido e não transforme seu aparelho num repositório de intimidades. 

Voltando aos Jogos. Alguns jornalistas mais sérios perceberam os erros e a manipulação escancarada da NBC. Nas horas seguintes, todos desmentiam - e eu também - o alçapão digital de Sochi. 

Entretanto, não devemos nos iludir: 1) A Rússia monitora tudo o que se passa em Sochi de uma forma muito mais brutal do que a NSA. 2) Usando a velha máxima dos computadores, celular seguro é celular desligado.


Foto: Outra cena de Amsterdam.

Wednesday, July 24, 2013

Clicando o Papa

Um post sobre o Papa? Sobre religião? Nada disso! Aproveito a vinda do Papa para compartilhar duas imagens que vi numa apresentação recente. As imagens são autoexplicativas. Dá para perceber o que vem acontecendo no mundo nos últimos anos.

Ambas as fotografias foram tiradas na Basílica de São Pedro (Vaticano). Acima, uma foto de 2005, quando do falecimento de João Paulo II. Abaixo, uma foto deste ano, quando da posse de Francisco. Notaram a diferença? ;-)


Atenção, as fotos não são minhas (sou um daqueles que vai a Roma e não vê o Papa), são da Associated Press, respectivamente de Luca Bruno e Michael Sohn. Também foram publicadas no fotoblog da NBC.

Wednesday, January 11, 2012

A volta do Cavaleiro Negro


Setembro de 2009. Apresentei Xavier Niel aos leitores deste blog pelo post "Cavaleiro Negro". Recomendo a sua leitura. O empreendedor francês não tem amigos no governo nem no empresariado e, através da Free Telecom, revolucionou os serviços de telecom na França, impondo o valor de 30 euros mensais como referência de assinatura de Internet/Telefone/TV, o que é muito competitivo em qualquer lugar do mundo.

Quando escrevi o post, a Free brigava por uma concessão de telefonia celular. Apesar das pressões para que as portas se fechassem ao ousado Niel, ele venceu. Posteriormente, ainda conseguiu comprar uma fatia do Le Monde, mais uma vez, contra a vontade de Sarkô e seus amigos.

Janeiro de 2012. A Free Mobile é lançada para abocanhar um naco do mercado dominado pela Orange, SFR e Bouygues. Para se ter uma ideia dos preços propostos pela Free:

- Assinatura 3G (Internet, DDI e SMS ilimitados) para assinantes da Free: 15 euros
- Idem para não assinantes: 20 euros
- Assinatura social (60 minutos e 60 torpedos): 2 euros

Recomendo a leitura do artigo seguinte sobre a revolução da Free: "How France’s Free will reinvent mobile".

Xavier Niel é o inovador-empreendedor por excelência. Uma pessoa que corre riscos, que explora os mercados de alto potencial sem medo de enfrentar os carteis. Especialmente no Brasil, conhecemos muitos que parecem pensar da mesma maneira, mas não são capazes de fazer qualquer coisa sem uma mãozinha do BNDES.

Wednesday, August 17, 2011

iPocalypse

O termo IPocalypse retrata um cenário de pane geral da Internet pela falta de endereços IP. Esteve muito em voga, pois o sistema de endereçamento atual aproxima-se do seu limite e a transição para o novo faz-se necessária. Na esteira do IPocalypse, veio o iPocalypse, referindo-se a panes diversas no mundo Apple, que poderiam ocasionar perda de dados, perda de músicas, desconexão, etc.

Mais recentemente, o termo iPocalypse tem sido usado para retratar a nossa ligação com os smartphones, tablets e outros equipamentos móveis que carregamos para todos os lados. Pesquisas diversas - sérias ou não - convergem: As pessoas abririam mão de muitas coisas para ter ou manter seu iPhone, por exemplo.

O excesso de apego a tais gadgets, ícones do nosso mundo materialista, retrataria a decadência da nossa sociedade?

Discordo. Exageros à parte, é verdade que desenvolvemos uma certa dependência de tais gadgets, mas jamais por desvalorizar o contato humano ou menosprezar valores espirituais. Nós queremos simplesmente ser mais produtivos, mais rápidos e mais bem informados. É uma resposta a uma sociedade mais exigente e competitiva.

As pessoas não querem abrir mão dos seus smartphones, pois reconhecem a sua utilidade. Além de tudo - e está mais do que provado - se esses aparelhos nos ajudam um pouco, eles fornecem a milhões de pessoas do mundo inteiro algo ainda mais básico: A cidadania.

Talvez a sociedade decadente esteja na crise econômica, no aquecimento global ou na corrupção generalizada. Já os smartphones têm ajudado a derrubar ditaduras, mobilizar povos na defesa dos seus direitos e democratizar o acesso à informação. Considerando-se que apocalipse significa revelação, quem cunhou o termo talvez tenha acertado por linhas tortas.



Fotos: Ainda no feriado prolongado de junho deste ano, passei por Dijon (Borgonha). O motivo da visita será relatado mais para frente. Por enquanto, fiquem com algumas fotos das suas atrações principais. Acima, o coração da cidade, a Place de la Libération, diante do Palácio dos Duques de Borgonha.

Sunday, February 13, 2011

Nokia. Tudo ou nada!

Nos últimos dias, troquei diversos tweets sobre o acordo Nokia-Microsoft. Vou usar este meu espaço para esclarecer a minha opinião.

Em primeiro lugar, toda discussão em torno da Nokia é símbolo dos nossos tempos. Há pouquíssimo tempo, o grupo finlandês era referência mundial de gestão e inovação. Conquistaram 40% do mercado de celulares, desbancando gigantes como a Motorola, Sony, Ericsson e tantos outros.

Dois outsiders entraram no jogo e mudaram tudo. A Apple, com o iPhone, cujo sucesso dispensa comentários. E, ainda mais surpreendente, o Google, com a escalada do seu sistema operacional, o Android, que assumiu recentemente a liderança do mercado.

Tarde demais para reagir, o sistema operacional da Nokia, o Symbian, parece mesmo virtualmente morto. Com o seu market-share sendo comido todos os dias, resta à Nokia a triste opção de aderir aos sistemas existentes. Como a Apple não está disposta a compartilhar o seu, na verdade, as alternativas são duas: O líder Android, adotado pela maioria dos perseguidores da Nokia na liderança do mercado, e a promessa da Microsoft, o Windows Phone, com uma penetração de mercado muito aquém de marginal.

Dar tiro no pé ou na cabeça? Optar pelo Android é bater de frente com Samsung e Motorola. A Nokia pode não morrer, mas já entraria em desvantagem num terreno muito comoditizado. Precisaria de alguns anos para ajustar a sua máquina para encontrar vantagens competitivas em relação aos demais e tentar abocanhar um pedaço dos saudosos 40% do mercado. Enfim, seria jogar pelo empate. Seria uma opção para não morrer.

A alternativa Windows é muito mais arriscada, até por que a sua base de clientes é quase nula. Porém, a experiência de ambos, Microsoft e Nokia, pode gerar um produto diferente e, por que não dizer, melhor do que o Android. Nesse caso, a Nokia estaria de novo a frente dos seus concorrentes. Claro que é uma aposta de risco. É tudo ou nada.

Apenas para clarificar, sei que existem outros players nesse mercado: O moribundo Palm (HP) e o Blackberry (RIM). O Palm morreu mas esqueceram de avisar a HP. Dizem por aí que a RIM já estuda a sua adesão ao Android.

Meu Deus! Este post parece um cemitério da tecnologia...


Foto: Última foto de Cingapura, a famosa piscina dos jardins suspensos do Marina Sands.

Wednesday, September 23, 2009

Cavaleiro negro 2


Por razões óbvias, os consumidores querem uma nova operadora de celular, a quarta da França. A expectativa é que ela traga um novo dinamismo ao mercado: Novas ofertas e novos preços. A França pode ser competitiva na Internet e telefonia fixa, mas quando o assunto é celular, a coisa não é tão boa assim.

Ao contrário do mundo emergente, o mercado europeu está saturado, tem mais celular do que gente! As empresas vivem de torpedos e outros serviços. Não há novos mercados, os clientes pulam de uma operadora para outra.

A Free é candidata única à quarta licença. Os operadores tradicionais estão fazendo de tudo para bloquear a sua entrada. Eles conhecem a criatividade e a ambição desmedida do seu fundador Xavier Niel. Além do lobby tradicional e da vasta rede influência da Orange, SFR e Bouygues, a grande amizade pessoal de Sarkô com este último não é de se descartar.

Mesmo que uma maior competição seja interessante para o governo, os três grandes possuem um belo coringa. As duas primeiras licenças custaram 5 bilhões de euros (Orange e SFR). A terceira licença saiu por 600 milhões (Bouygues). A Comissão Européia, em nome de uma concorrência justa, mandou o governo corrigir o preço das duas primeiras para 600 e devolver a diferença. Agora, a quarta licença está cotada a 240 milhões. Imaginando que a Comissão Européia imponha o mesmo critério, o governo francês estaria arriscando muito. A propósito, por que nunca se discutiu este assunto no Brasil?

Orange, Bouygues e SFR anunciaram que a chegada de um operador low cost poderia suprimir até 30 mil empregos nos seus quadros. No momento em que a Europa está vivendo, esse tipo de chantagem assusta. Cabe a Free dizer quantos empregos ela poderá criar.

No vale tudo contra a Free, entra até o apelo à histeria nacional. A sociedade começa a se mobilizar contra as Estações Rádio Base das redes de celulares. Há inúmeras batalhas na Justiça para remover antenas nas proximidades de escolas, hospitais e residências. Os processos existentes estimulam outras pessoas a aderir à causa. As operadoras defendem-se na Justiça. Elas ganham muitas vezes, até pela falta de embasamento científico dessas ações. De qualquer maneira, espalha-se por aí que uma operadora a mais representa ainda mais antenas.

O processo de licitação está no final. Apesar do seu caráter técnico, os políticos terão a última palavra. Vamos ver a habilidade de política de Xavier Niel para contornar todas essas barreiras. Experiência não falta. Quem foi cafetão durante tanto tempo sabe lidar muito bem com deputados, senadores e burocratas em geral.


Foto: A Praça do Anfiteatro em Lucca. O anfiteatro foi-se há muito, mas a praça conservou o formato. A bela cidade de Lucca é uma das atrações da Toscana, marcada principalmente pelas muralhas intactas que cercam a cidade.