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Sunday, November 1, 2015

Roubadinha

Tenho usado a Internet para reservar hotéis, restaurantes e espetáculos. Nesse mundo virtualizado, espera-se que nossas opiniões sejam compartilhadas, construindo (ou não) a reputação de cada local ou evento.

O grande problema é receber inúmeras mensagens semanais de serviços como o Trip Advisor. Desisti! A avaliação pode ser simples, mas ignorar tais mensagens é ainda mais simples. Tenho ignorado até mesmo as avaliações das corridas do Uber e do e-cab (aplicativo de táxi usado por aqui).

Como escolho meus programas com algum critério, dificilmente caio numa roubada. Sempre que precisei “gritar”, usei o Twitter.  Foi rápido e atingiu o objetivo.

Se consegui evitar uma grande roubada, houve “roubadinhas”. O Trip Advisor foi privado de fatos como os que seguem.


Numa cidadezinha da Provence, escolhi um restaurante muito bem localizado, razão pela qual muitos outros turistas fazem a mesma coisa. Sem muita fome, pedi uma salada caprese. O cardápio indicava um preço de 30 euros. Parece caro, mas é aceitável naquele local e na alta temporada. A surpresa viria logo mais com a chegada do prato: Um tomate inteiro e uma bola de mozarela. Olhei para minha esposa e disse: Será que lavaram o tomate?


Aqui em Bruxelas, tem um restaurante estrelado que usa e abusa de trufas. Havia reservado um jantar por lá há algum tempo, aproveitando-me de uma promoção. O espetacular jantar foi um menu-degustação com vários pratos. Em alguns momentos, o garçom ofereceu trufas raladas da mesma forma como se serve queijo parmesão em restaurantes de massa. Entretanto, teria sido mais simpático avisar que cada uma dessas raladinhas custava 20 euros!


E por falar em parmesão, tem um italiano perto de casa. Na última temporada, o tiramisu, minha sobremesa favorita, fazia parte do cardápio. Como sempre, estava animado para degustá-lo, mesmo que fosse pela enésima vez. Quanta decepção! O criativo chef desmontou a tradicional receita italiana, separando o mascarpone, a bolacha, o café e os demais componentes. Horrível! Felizmente, a heresia gastronômica foi excluída do cardápio desta temporada.


Foto: Voltando à Bélgica, uma tomada do Château de Belœil, onde estive um mês atrás.

Thursday, June 18, 2015

Discurso de rei

Junho é mês de eventos na Europa. A razão é muito simples. Maio é mês de feriados e julho é mês de férias.

Além da concentração junina, há também um acúmulo de eventos às terças e quintas. Segunda e sexta são dias evitados pelos organizadores por razões óbvias. Quarta também, por que é feriado escolar (França) e muitos pais adotam um regime de trabalho especial, que permite acompanhar seus filhos.

Nesse contexto, terça-feira, dia 16, fui convidado para cinco eventos sobre a “revolução digital”. Confirmei presença em três e estive em dois. Ando fazendo overbooking de agenda. Na  véspera, decido o que vou encarar. (Já fui mais bonzinho!)

Só não quero mais encarar o discurso do presidente do Uber da França ou da Bélgica. Chega! Também não quero mais palestrantes, que tentam nos convencer de que é preciso mudar para o universo digital. Como disse o Jacques Attali, numa das palestras deste mês, não foi preciso convencer o mundo a adotar a TV há 50 anos. Nem  mesmo o telefone há 100 anos.

A palestra mais inusitada  deste mês repleto de colóquios não foi de nenhum bilionário fundador de start-up, nem de nenhum guru profissional. Foi um depoimento de um executivo que, ao invés de contar vantagem, confessou a sua impotência diante dessa transformação “vertiginosa” (sic).

Trata-se de um dirigente de uma vinícola de Sauternes. Elegante, francês perfeito e fala suave. Um verdadeiro nobre com humildade ímpar. Diante de blogs de vinhos que já são mais influentes do que a Wine Spectator, comerciantes virtuais cada vez mais poderosos, centenas de aplicativos e sites sobre o tema, ele  e os 10 funcionários da vinícola estão simplesmente perdidos.

Quase em tom de despedida, relembrou  os bons momentos vividos com seus clientes e visitantes, que vão pessoalmente ao Château. Ressaltou o privilégio de degustar os vinhos com tantos amigos e clientes, naquele clima especial que surge ao redor de um bom vinho. Bons tempos, hein!

Foi uma oportunidade de pensar revolução digital sob uma outra perspectiva. Isso sim é palestra inspiradora. Nosso executivo certamente não está só.  Ser um produtor de Sauternes não é para qualquer um, mas as transformações mencionadas por ele são implacáveis.

A propósito, o nobre palestrante é nobre mesmo.  Embora tenha apresentado-se como um mero gerente de château, uma rápida consulta ao Google confirmou o que desconfiava. O ilustre membro da Casa de Orleans é cheio de títulos honoríficos e pretendente ao “trono francês”.



Foto: A orangerie do Château de Seneffe, na Bélgica.

Sunday, March 8, 2015

Uber

O Uber é sinônimo de baderna. Ele causa greves, manifestações e agressões. Na última semana, cruzei com uma paralização de taxistas protestando contra o Uber em Bruxelas. O congestionamento engoliu a minha habitual folga para chegar aos aeroportos e estações de trem. Não perdi o trem por alguns segundos.
  
Depois dessa, dá mais vontade de continuar usando o Uber. O serviço é de primeira. Na grande maioria das vezes, chega um carrão limpo e cheio de serviços como revistas, wi-fi, garrafa d’água e balas. O motorista, chamado Mohamed em um terço das vezes,  é muito mais gentil do que qualquer taxista de frota. O melhor de tudo é que sai bem mais barato.

E quem disse que aquele Mercedão é do Mohamed ? Não é mesmo. Ele o aluga por alguns dias e roda o máximo atendendo aos usuários do Uber e fazendo uns trocos.

Acredito que a contribuição mais nobre  do Uber seja quando há um real compartilhamento de veículos (a boa e velha carona) e não apenas a substituição dos motoristas de taxis. Isso sim faz um bem maior para nossas cidades.

O Uber é obviamente injusto com os táxis, que  submetem-se a fiscalizações e regulamentações, quando não pagam uma fortuna pelo ponto. Só resta-lhes uma vantagem, podem andar nos corredores de ônibus e bondes.

Tá com pena deles? Eu não.

Internet é isso mesmo. Desintermediação e ruptura são palavras de ordem. Não se solidarizem com os taxistas.  Melhor mesmo é ficar de olho nas nossas profissões e mercados. Amanhã, poderemos ser os taxistas de um outro Uber.  



Foto: Mais uma cena do centro de Antuérpia.

Wednesday, October 15, 2014

MOOC

Comecei o último post explicando os motivos de estar escrevendo menos. Aí vai mais um deles. Do começo de agosto até ontem, participei de um MOOC. MOOC???

Talvez você não conheça o acrônimo. Então, que tal “Massive Open Online Course”?  Há algum tempo, um colega mostrou-me as ofertas da plataforma Coursera. Fiquei impressionado. Universidades e professores de renome assinando inúmeros cursos interessantes. Deixei de lado pela habitual falta de tempo.

Nunca fui entusiasta desses programas educacionais.Acreditava que eles tinham um papel relevante. Principalmente para os outros. Mudei de opinião.

Quando cheguei  em Bruxelas, começou a sobrar aquele tempo que eu perdia no trânsito de Sâo Paulo. Poderia ter lido alguns livros a mais, no entanto, resolvi encarar um MOOC. Procurei por algo bem interessante, mesmo que fora do contexto profissional.

Num post futuro, voltarei para falar sobre o curso que escolhi (História da Civilização). Foi uma boa aposta, pois o livro texto do curso está ganhando grande repercussão.

A cada semana, recebia uma hora e meia de aulas em  vídeo. Em agosto funcionou bem. Já em setembro, em pleno ciclo orçamentário, foi difícil acompanhar. Nessas horas, fazer a coisa por prazer, sem obrigação, foi essencial para que chegasse até o fim.

Uma das principais deficiências desse tipo de formação é a impossibilidade de interação com o mestre. Para um MOOC de sucesso como este - 30.000 participantes! - é inviável. As discussões no fórum, quando não descambam como qualquer outra rede social, não substituem a experiência da sala de aula. Enfim, isso não invalida o mérito dos MOOC que merecem a nossa atenção como cidadãos ou profissionais.

Graças à tecnologia, pude assistir as aulas nas viagens de trem e avião. O melhor mesmo foram as aulas assistidas pela televisão (Chromecast) lá no sofá de casa. Enfim, um show de tecnologia. Já as minhas anotações consumiram um bom e velho Moleskine e algumas dezenas de post-its.


Foto: Vista dos rochedos diante das praias principais de Biarritz.

Monday, July 21, 2014

Mudança

Enquanto a Copa capturava nossas atenções, nossos partidos políticos confirmaram seus candidatos e fizeram alianças daquele velho jeitinho. Nada de discussões programáticas, apenas o velho toma-lá-dá-cá de olho no tempo na TV. No plano internacional, a crise da Ucrânia e os conflitos do Oriente Médio só pioraram. Enfim, seria melhor voltar para a Copa...

Nesse mesmo período, estava ocupado com minha mudança. Uma expatriação sempre dá trabalho. Certamente, vou compartilhar muitas coisas vividas aqui na Europa neste blog, assim como fiz anteriormente.

Moro na parte central de Bruxelas. Já conhecia o “caminho da roça”, mas ainda não a ponto de dispensar o Waze. Por via das dúvidas, estou com Waze em dois celulares com duas operadoras distintas, caso um falhe.

Mais uma vez, cheguei a Bruxelas sob céu azul. Baseado na fama da cidade, já estourei minha cota de tempo bom. Conferi com os locais e tirei mesmo a sorte grande: 2014 tem sido um ano excepcional.

Escrevendo este pequeno texto com um olho no computador e outro na TV, percebo que ainda estou ligado na TV francesa. Também continuo lendo os jornais franceses. Peço aos belgas, que leem meu post com a ajuda do Google, algumas dicas. Que não seja em flamengo, é claro.

A mudança em si não tem data para chegar. Da outra vez foi a mesma coisa. Se o pessoal das alfândegas brasileira e belga não fizer greve, ainda estou no lucro. O importante é que o wifi aqui de casa está funcionando desde o primeiro dia.



Foto: O Guggenheim de Bilbao merece mais de uma foto neste blog. Na foto, a sua entrada.

Saturday, February 22, 2014

Mercado

Geralmente associamos os cartéis às grandes corporações. O recente imbróglio ferroviário paulista é mostra disso. Entretanto, a manipulação do mercado, o cerceamento da concorrência e a imposição de barreiras de entrada são mais banais do que parecem.

Tomo dois exemplos recentes de coisas que estão mais perto da gente do que a contratação de trens, um caso francês e outro brasileiro.

Paris é conhecida pela falta de táxis. Se você não estiver a fim de usar o transporte público, vai depender da loteria que é achar um táxi livre pelas ruas da cidade. Quando achar, ainda existe a chance de que o motorista recuse a viagem. Ah, sim! Isso é muito comum por lá.

O preço do táxi francês é controlado, como em muitos lugares do mundo. O problema está na oferta. A união dos taxistas transformou aquilo num clube fechado. O número total de veículos permanece o mesmo há muito tempo. Um novo motorista só entra se um outro sair e ainda pagando um prêmio de 200 mil euros. Apesar das investidas do governo, a categoria resistiu e não deixou aumentar a frota.

A saída do governo foi criar o serviço de locação de carros de turismo com motorista. Parece complicado? Na prática, é quase a mesma coisa do que o bom e velho táxi. A diferença é que não existe a possibilidade de chamá-los sinalizando-se para o motorista, usa-se exclusivamente a Internet, algo que, por sinal, também tem se tornado comum entre os táxis. Vários serviços como Allocab e Snapcar começam a comer o mercado pelas bordas e transformar Paris numa cidade tão boa para os negócios como é para o turismo.

Já o governo brasileiro tem uma mentalidade diferente. Todos estão alarmados com o aumento dos custos de hotéis e restaurantes em algumas sedes da Copa. Nosso governo está aparelhando-se para o controle de preços ao invés de ter trabalhado para aumentar a oferta há alguns anos. Tarde demais para revogar a lei da oferta e da procura!

Vou ao Maracanã participar da grande festa. Tive que me contentar com um bate e volta de São Paulo. Achei absurdo pagar bem mais de mil reais por noite em hotéis de segunda.

O Rio é mesmo um caso à parte, mas não precisava ser o lugar mais caro do mundo. Mesmo sem Copa e sem Olimpíadas, a cidade já tinha diárias monegascas. Não é novidade para ninguém que existe um cartel de hotelaria na cidade.

Enfim, os grandes cartéis corporativos são manchetes de jornais e alvos de multas milionárias. Mas, no dia a dia, são os pequenos cartéis que nos esfolam.


“People of the same trade seldom meet together, even for merriment and diversion, but the conversation ends in a conspiracy against the public, or in some contrivance to raise prices.”
Adam Smith (A riqueza das nações, 1776)



Foto: Outro cantinho de Amsterdam, foto tirada nas minhas férias de 2013.

Sunday, February 16, 2014

Alçapão

Fico perplexo com algumas bobagens que circulam pela Internet. Artigos falsos ou imagens manipuladas passam por milhões e muitos desses são bem intencionados. Ainda pior, são meus amigos no Facebook!

Poucas dicas são suficientes para poupar qualquer um do constrangimento de espalhar notícias falsas. Por exemplo, se encontrar uma matéria dizendo que a Dilma quer revogar a Lei da Gravidade, não repasse de imediato. Desconfie! Se a matéria for atribuída ao Globo, vá ao site do mesmo e confira. Senão, use o Google e busque “Dilma Revogação Lei da Gravidade”.

Redistribuir informações diretamente das páginas de fontes consagradas oferece menos riscos. Evite aqueles blogs quase desconhecidos ou textos copiados e colados no Facebook. Mesmo com todos os cuidados, o risco de retransmissão de algo ruim sempre existe.

Recentemente, também fui vítima de um golpe jornalístico. Nos primeiros dias de Sochi, a NBC publicou um “scoop”. Sua matéria alertava que, chegando-se à sede dos Jogos, todo celular era instantaneamente "hackeado”. Retransmiti a matéria pelo Twitter. Eu e milhares de pessoas.

Achei a notícia interessante, pois serve de alerta para o potencial de bisbilhotagem possibilitado pela tecnologia, sobretudo quando está nas mãos de um governo muito mais bandido do que aquele que patrocina a NSA. 

Os smartphones realmente podem ser violados dessa forma. Já foi o tempo em que para ter seu celular invadido era necessário baixar um aplicativo podre ou clicar num endereço suspeito. Basta receber um torpedo camarada e PUFF, já era! Se você for escolhido como alvo dos hackers, a invasão pode vir pelo wifi, bluetooth ou pela porta dos fundos

Ficou preocupado? Ótimo, era isso mesmo que eu queria. Siga os conselhos do seu consultor de TI preferido e não transforme seu aparelho num repositório de intimidades. 

Voltando aos Jogos. Alguns jornalistas mais sérios perceberam os erros e a manipulação escancarada da NBC. Nas horas seguintes, todos desmentiam - e eu também - o alçapão digital de Sochi. 

Entretanto, não devemos nos iludir: 1) A Rússia monitora tudo o que se passa em Sochi de uma forma muito mais brutal do que a NSA. 2) Usando a velha máxima dos computadores, celular seguro é celular desligado.


Foto: Outra cena de Amsterdam.

Tuesday, October 22, 2013

Mané

Nossas caixas de entrada recebem cada vez mais mensagens com armadilhas. Até mesmo pessoas cautelosas já caíram em algumas ciladas. O castigo vai desde a entrada de um vírus até um desfalque considerável.

Acompanho a evolução da criminalidade digital há algum tempo, mas não tenho evidências concretas da eficácia de cada tipo de golpe aplicado na praça. Na última semana, um episódio matou minha curiosidade.

Recebi uma mensagem do Serge, um colega francês aposentado. Gente boníssima! Como não falava com ele há tempos, foi uma surpresa agradável. A mensagem era bem curta e terminava sugerindo que ele passava por dificuldades. Respondi de imediato, pedindo mais detalhes.

Minutos depois, ele respondeu com uma história horrível. Foi sequestrado durante uma visita ao Marrocos, sofreu violências junto com sua esposa e perdeu tudo o que tinha com ele. Deu detalhes da violência física e sexual imposta ao casal. Finalmente, pedia algum dinheiro para se organizar e voltar para França.

Aí você pergunta: Alguém cai num conto desses?

Vamos aos fatos. A conta G-Mail do Serge foi violada. Os invasores enviaram a mesma mensagem que recebi para todos seus 300 contatos. Três pessoas acreditaram e transferiram um total de 11 mil euros para os escroques. Pois é, 3 em 300, um índice de 1%.

Os três caras são uns manés? Não necessariamente. As mensagens estavam escritas em bom francês. Havia alguns indícios, mas nem todos estão cientes dos riscos. Nessas horas, a melhor coisa a fazer é checar com amigos comuns.

 O Serge é tão correto, que está reembolsando parte das perdas dos seus amigos, enquanto aciona os meios oficiais.



Lendo um artigo recente, aprendi mais uma. Vocês já devem ter recebido aquelas mensagens de alguém com uma herança a receber num país exótico, que pede um valor adiantado para acelerar a papelada. Se ajudar um "amigo" parece improvável, imaginem um ilustre desconhecido!

Até pouco tempo, esse tipo de golpe era usado apenas para surrupiar o dinheiro alheio. No entanto, há um número crescente de casos em que os bandidos realmente depositam parte do montante prometido. Pois eles não querem roubar, eles querem um "laranja" para esquentar o dinheiro. A vítima não perde nada, mas terá o ônus de provar que não faz parte da gangue.

Pior do que perder 1000 dólares é passar o resto da vida na cadeia. Isso sim é ser MANÉ!



Foto: Mais uma tomada do centro de Gante.

Sunday, September 1, 2013

Eco

É verdade que as redes sociais fazem revoluções. Foi assim nas manifestações brasileiras, na primavera árabe e em muitas outras situações. Tem sido um meio de denunciar, participar, reclamar, enfim, de se exercer a cidadania.

Por outro lado, não podemos confundir o que vemos nos “news feed” das redes sociais com a visão correta da realidade.  Pode ser tudo verdade, mas é produto da ação de um grupo muito específico de pessoas: os seus “amigos”. Quando consulto o Facebook, 9 entre 10 publicações são manifestações anti-PT, anti-Lula ou anti-Dilma. Imagino que isso esteja acontecendo com alguns de vocês. Todos?!

Algumas publicações são bem feitas. Muitas são verdadeiras e cruelmente reais.  E tudo isso dá uma falsa sensação de unanimidade.  Até parece que as eleições de 2014 já estão decididas!

Infelizmente, eu e muitos de vocês estamos num mundinho de amigos e colegas que pensam de forma parecida, que é muito distante da percepção dos 200 milhões de brasileiros. Por isso, mesmo aqueles com mil amigos no Facebook estão confinados.  Ou, mais tecnicamente, têm no conjunto de amigos uma amostragem viciada da nossa população.

O “news feed” proporciona uma visão distorcida, mesmo que tudo que esteja nele seja verdadeiro. Portanto, continuem usando e abusando das redes sociais, mas não se iludam com a eficácia das suas mensagens políticas. Muitas vezes vocês estarão ouvindo seus próprios ecos.


Na foto, uma pracinha em Bruges (Bélgica). 


Sunday, August 4, 2013

A capa

Há alguns dias, recebi uma nobre encomenda: preparar uma visão de longo prazo. Não exatamente fazer um plano estratégico, mas descrever o mundo em 2020.

Depois de duas horas e meia de reflexão e mais o mesmo tempo de Powerpoint, estava pronto. Modéstia à parte, muito mais bem feito do que os slides divulgados pelo Snowden.

Precisei de duas horas de meia de Powerpoint, pois estava usando um micro novo. Perdi tempo com um teclado diferente. Já com relação ao tempo de "brainstorming", foi o necessário para colocar as ideias que vagavam pela minha mente numa sequência apresentável. Na prática, pensei no assunto muito mais do que duas horas e meia .

Com o intuito de ser bem ilustrativo, entre os inúmeros slides, mostrei algumas manchetes de 2020, como se fossem capas dos principais jornais e revistas da época.

Neste post, não falo sobre as notícias em si, mas pergunto se realmente teremos tais manchetes em 2020? Alguém vai ligar para a capa da versão impressa do New York Times? Ou para o seu site? Vai existir o New York Times? Vai sobrar algum jornal impresso?

No meu Powerpoint, pedi licença para seguir com os exemplos de notícias. Uma licença didática para continuar com tamanho anacronismo. Em 2020, teremos notícias. Não serão capas do Wall Street Journal ou do Estadão, mas chegarão até nós de alguma forma.

Além dos nossos inseparáveis smartphones, esperamos por uma nova geração de produtos conectados: óculos, relógios, roupas, tatuagens, chips sob a pele, etc. Sem contar nossos carros e casas, que estarão igualmente conectados. Receberemos mensagens e informações permanentemente.

No meio dessa abundância de informação, onde poderemos instalar filtros para escolher as notícias preferidas, não existirá mais espaço para a capa da Veja ou a para a primeira página da Folha. A imprensa escrita pode ter seus defeitos, mas a distribuição de notícias numa folha de papel ou num site ajuda-nos a formar a visão do todo ou a estabelecer o peso das coisas. Perderemos tais referências?

Imagino que a maioria dos leitores já esteja se acostumando a navegar pelas notícias no hiperespaço, pulando de um site para o outro. É só uma questão de hábito. Quem sempre procurou informação, saberá onde encontrá-la, assim como ainda existirão milhões de alienados, mesmo que - literalmente - envolvidos  pela informação.

Novos conceitos deverão surgir para substituir as referências da mídia impressa. Imagino coisas como os já conhecidos "mais lidos", "mais comentados", "mais curtidos", "mais retuitados", etc.

Em 2020, estaremos um pouco mais velhos. Sentiremos saudades ao passar pelas bancas de jornais e perceber que lá já não há mais nenhum jornal ou revista à venda.

   
Foto: A Praça do Mercado e o Campanário Belfort (1240), em Bruges.

Wednesday, July 24, 2013

Clicando o Papa

Um post sobre o Papa? Sobre religião? Nada disso! Aproveito a vinda do Papa para compartilhar duas imagens que vi numa apresentação recente. As imagens são autoexplicativas. Dá para perceber o que vem acontecendo no mundo nos últimos anos.

Ambas as fotografias foram tiradas na Basílica de São Pedro (Vaticano). Acima, uma foto de 2005, quando do falecimento de João Paulo II. Abaixo, uma foto deste ano, quando da posse de Francisco. Notaram a diferença? ;-)


Atenção, as fotos não são minhas (sou um daqueles que vai a Roma e não vê o Papa), são da Associated Press, respectivamente de Luca Bruno e Michael Sohn. Também foram publicadas no fotoblog da NBC.

Tuesday, July 16, 2013

Porta dos fundos

O que significa "porta dos fundos" para você? Alguns dos meus leitores são do tempo que era apenas uma saída secundária da casa. Outros, mais modernos, lembram da trupe de humoristas que possui o canal mais popular do Youtube no Brasil. E, é claro, tem aqueles que associam o termo ao próprio traseiro. Lamento informar que este post não é sobre nada disso.

Se você leu alguma coisa sobre o escândalo da espionagem americana, já sabe o que é a porta dos fundos no sentido de informática. Trata-se de um acesso privilegiado a um sistema ou computador permitindo o controle do mesmo. Tais portas são oriundas de falhas ou podem ter sido planejadas para tal.

Após o caso Snowden, os grandes nomes da informática mundial estão sendo acusados de colaboracionistas, mantendo uma porta dos fundos para a espionagem de Estado. Além do Google, Facebook e outros, acusa-se a Microsoft de entregar deliberadamente tudo o que se passa no Skype.

Pensando no Skype, vou contar uma história real. Tenho que disfarçá-la para proteger a fonte. A propósito, o Skype foi criado na Europa em 2003, passou pela e-Bay e só caiu nas mãos da satânica Microsoft em 2011. Este episódio aconteceu antes de 2011, num tempo em que o Skype era "puro", não estava vendido para a CIA e, muito menos, para qualquer outro governo.


Um executivo ocidental foi expatriado no Oriente. Os primeiros meses fora de casa costumam ser difíceis. Depois do período de adaptação, é tudo de bom. Nosso protagonista matava a saudade da família com o milagroso Skype. Tudo de graça! 

Seria uma história muito trivial, se não fosse por um detalhe. Ele usava um dialeto para se comunicar com a família. Uma dessas línguas em extinção, falada por poucos, mas que ainda consegue manter uma tradição oral, sendo passada de pai para filho.

Um dia, dois oficiais do governo daquele país bateram-lhe à porta. Não era a dos fundos, era a principal mesmo. Naquela cena típica de Alemanha nazista, o oficial mais graduado vai direto ao ponto. Curto e grosso: "quando estiver usando o Skype, use uma língua mais conhecida ou será expulso daqui".



Portanto, não leve muito a sério tudo que você ler sobre porta dos fundos. Nem precisa. Seremos espionados de qualquer jeito. A infinidade de acusações contra Google, Microsoft e Facebook só serve para alimentar os advogados de ambas as partes. Enquanto isso, vá se divertindo com os vídeos do Porta dos Fundos.


Foto: Outra tomada da "Grande-Place" de Bruxelas.

Sunday, July 14, 2013

Snowden

O aprofundamento da discussão sobre a privacidade e os limites da vigilância do Estado será uma grande contribuição do Caso Snowden. A imprensa está inundada de artigos criticando os EUA, defendendo a liberdade e reverenciando o ex-agente americano.

Até no Brasil, onde nunca se deu a mínima para o assunto, Snowden virou herói e Obama passou a encarnar o próprio Satã. Vi pouquíssimas matérias fazendo um contraponto, por isso recomendo a leitura do artigo do Mario Vargas Llosa.

Não gostaria de julgar o Snowden, até por que só estamos vendo a pontinha do iceberg. Num mundo cheio de segredos, nunca saberemos as suas reais motivações. Ele pode ser um herói de verdade ou o pior dos canalhas. Tanto faz.

O maior problema é a demonização dos EUA. Na prática, estamos fazendo o jogo que interessa aos países que realmente censuram, que mantêm exércitos de hackers ou que promovem o mal de forma deliberada. Com o argumento de "se os EUA fazem, nós também podemos", acabaram-se as esperanças de algum controle sobre o Big Brother. O legado de Snowden pode ser um mundo muito pior.

Um lembrete aos leitores brasileiros indignados com a bisbilhotice americana. Enquanto você está preocupado com o Snowden, tem alguém muito mais próximo fuçando as suas fotos, tentando entrar na sua conta bancária ou prestes a chantagear um membro da sua família.

A maior prova da ineficácia da super espionagem norte-americana é não ter antecipado o próprio Snowden. Portanto, cuidado. Para fins práticos, o grande problema do mundo virtual não é o Big Brother, mas os milhares de maltrapilhos que nos cercam.


Foto: A "Grande-Place" de Bruxelas num domingão festivo. A Praça é a principal da cidade e integra o Patrimônio da Unesco.

Friday, January 4, 2013

LinkedIn, no cravo e na ferradura


O endosso de competências (skills and expertise endorsement) é um ótimo exemplo de aproveitamento do potencial de uma rede social. De vez em quando, o LinkedIn manda uma mensagem solicitando a validação de uma determinada competência de um dos nossos contatos. Fulano é especialista em pirotecnia? Beltrano domina o esperanto? Basta um clique para confirmar.

Um só clique! Não incomoda nem toma tempo. Quando dezenas de pessoas endossam uma competência de alguém, seu perfil no LinkedIn tem muito mais valor. Afinal, cada um escreve o que quer e acredita quem quiser. Se Ciclano se declarar especialista em físico-química do solo marciano e obtiver endosso de 100 pessoas, certamente ele tem algum talento ;-)

O furo do LinkedIn são as pesquisas usadas para fazer avaliações de 360 graus. Sim, já respondi a algumas. Não basta apenas um clique e, se bem feita, pode exigir muito mais de 5 minutos. Nada contra a oferta deste recurso, mas o seu uso indiscriminado perturba.

Não reclamo do incômodo gerado pela multiplicação dessas avaliações 360 graus. O problema é a sua eficácia. Já é difícil fazer uma boa avaliação das pessoas que trabalham conosco, imaginem dos contatos de uma rede social. Muito provavelmente, o feedback obtido fica nas obviedades de pouca utilidade, a menos que o receptor do feedback tenha um problema de auto-estima.

Raramente, teremos uma resposta útil, que nos faça corrigir algum comportamento, crescer ou até mesmo repensar uma carreira. Para se colocar o dedo na ferida ou dar uma chacoalhada necessária é preciso estar bem mais próximo. Aliás, nesse tipo de coisa, a rede social não substitui uma boa e sincera conversa.


Foto: Um conjunto de prédios novos na região das Confluences, em Lyon.

Tuesday, July 24, 2012

Hotel 1


Ontem, um dia depois de ter chegado da Europa, passei numa lavanderia paulistana para pegar um pacote de roupas deixado uma quinzena antes. Sabia que deveria pagar R$ 56,80. Separei de antemão uma nota de cinquenta, uma de cinco e 1,80 em moedas. Mais tarde, no estabelecimento, a gentil atendente reagiu: "Sr., essas moedas são de euros!".

Tenho viajado muito. E, por falar em viagem, além de somar milhas, conheci muitos hotéis. Neste post, comento três problemas comuns, que encontro por aí.

1) Wi-fi 

Qualquer espelunca oferece conexão wi-fi, o problema é a banda disponível para cada hóspede. Numa época em que facilmente conectamos até três aparelhos na rede do hotel, é preciso se rever os conceitos. Bons hotéis precisam de conexões poderosas. Já foi o tempo em que o serviço de acesso à Internet era um luxo, dirigido para executivos estressados ou nerds solitários. Hoje, é um serviço essencial.

Já vi hotéis que recebem convenções e eventos profissionais falharem nesse quesito. Aquela rede compartilhada por centenas de pessoas nos faz lembrar do já extinto acesso discado. Imperdoável! Mereceriam perder uma estrela!

Mesmo um hotel voltado ao turismo deve proporcionar uma conexão razoável. Tarefas como falar com a família pelo Skype, fazer check-in no próximo vôo ou buscar as informações sobre os locais a serem visitados são rotineiras.

Um dia (e esse dia está chegando) ainda pagaremos para ficar completamente desconectados. Será uma espécie de tratamento de choque contra o excesso de conectividade. Mas, não é o caso deste comentário.

2) Ar condicionado

Já encontrei muitos brasileiros na Europa questionando o funcionamento do sistema de ar condicionado em certos hotéis.

Começo esclarecendo que o gosto europeu pelo condicionamento é diferente do nosso e, sobretudo, dos americanos. É algo que varia de pessoa para pessoa, mas, em média, eles preferem ambientes com temperaturas bem mais elevadas, tanto no verão como no inverno.

Inúmeros hotéis, bem razoáveis por sinal, têm sistema único de aquecimento e refrigeração. Assim, no inverno, a tubulação espalha ar quente. No verão, ar frio. Sim, é só um de cada vez! E não adianta reclamar pois, em alguns lugares, a mudança quente/frio e vice-versa é feita apenas duas vezes por ano.

Outros hotéis são mais flexíveis. Basta pegar o gerente do hotel delicadamente pelo pescoço e gritar que não está pagando 200 euros por dia para dormir na sauna!

3) Check-out

As redes de hotéis brasileiras e europeias precisam copiar as americanas, que aboliram o check-out há tempos. Para ser justo, há umas poucas exceções.

Estou reclamando por 10 minutos de espera? Para mim, aqueles minutos em pé na hora de ir embora parecem uma eternidade. De qualquer modo, se o hotel pode fazer seu cliente ganhar esses minutos, então, por que não?


Foto: Ainda passeando pelo Templo de Mármore de Bangkok.

Wednesday, January 25, 2012

Foursquare

No dia 24/01/12, completei dois anos de uso do Foursquare, aquela rede social baseada em geolocalização. Comecei em Lyon. Eram tão poucos usuários, que cadastrei inúmeros locais da cidade, especialmente restaurantes.

Rede social precisa de massa crítica de usuários para funcionar, senão não é rede, nem social. O legado desta fase francesa foi pegar o hábito de fazer o “check-in” nos lugares que visito.

O Foursquare é muito mais interessante nos EUA. Com milhões de usuários, quase todos estabelecimentos já estão cadastrados. Há muitas promoções baseadas no Foursquare. O melhor de tudo é pesquisar lugares para ir. Você descobre o que existe ao seu redor, lê os comentários sobre eles e ainda pode saber quais deles estão “bombando” naquele momento.

São Paulo ainda está aquém das grandes cidades americanas. Porém, já começa ser bem interessante. Nesses dois anos, gostei mais de:

- Utilizar o serviço para descobrir endereços interessantes.
- Organizar uma lista de lugares a conhecer.
- Ser avisado quando algum conhecido estiver no mesmo local.

O Foursquare premia seus usuários com pontos, "badges" e "mayorships". Acumular pontos não tem muito sentido para mim. "Badges" até que são legais. "Mayorships" costumam dar privilégios, como por exemplo, uma sobremesa de cortesia num restaurante.

Enfim, tenho gostado do serviço. Meu conselho é não conectá-lo automaticamente ao Facebook e ao Twitter para não poluir a "timeline" dos seus amigos. O mapa com as minhas estatísticas de uso do Foursquare é bem interessante.


Foto: Em destaque, a Trump Tower de Chicago. Projeto do escritório Skidmore, Owings & Merrill, um dos mais destacados da atualidade. O projeto original previa um edifício ainda maior, mas o atentado de 11/9 levou a objetivos mais modestos.

Wednesday, January 11, 2012

A volta do Cavaleiro Negro


Setembro de 2009. Apresentei Xavier Niel aos leitores deste blog pelo post "Cavaleiro Negro". Recomendo a sua leitura. O empreendedor francês não tem amigos no governo nem no empresariado e, através da Free Telecom, revolucionou os serviços de telecom na França, impondo o valor de 30 euros mensais como referência de assinatura de Internet/Telefone/TV, o que é muito competitivo em qualquer lugar do mundo.

Quando escrevi o post, a Free brigava por uma concessão de telefonia celular. Apesar das pressões para que as portas se fechassem ao ousado Niel, ele venceu. Posteriormente, ainda conseguiu comprar uma fatia do Le Monde, mais uma vez, contra a vontade de Sarkô e seus amigos.

Janeiro de 2012. A Free Mobile é lançada para abocanhar um naco do mercado dominado pela Orange, SFR e Bouygues. Para se ter uma ideia dos preços propostos pela Free:

- Assinatura 3G (Internet, DDI e SMS ilimitados) para assinantes da Free: 15 euros
- Idem para não assinantes: 20 euros
- Assinatura social (60 minutos e 60 torpedos): 2 euros

Recomendo a leitura do artigo seguinte sobre a revolução da Free: "How France’s Free will reinvent mobile".

Xavier Niel é o inovador-empreendedor por excelência. Uma pessoa que corre riscos, que explora os mercados de alto potencial sem medo de enfrentar os carteis. Especialmente no Brasil, conhecemos muitos que parecem pensar da mesma maneira, mas não são capazes de fazer qualquer coisa sem uma mãozinha do BNDES.

Sunday, October 30, 2011

Paz na Terra

A semana passada foi dominada pelas difíceis negociações em torno do Euro. Se a união monetária é uma ousada etapa dentro do projeto europeu, ninguém duvida de que o grande valor deste esforço de integração é a PAZ. Parece banal, mas olhando-se para o passado, não encontramos muitos períodos em que as principais nações europeias não estivessem guerreando entre si.

Falando de guerra e paz, o novo livro de Steven Pinker, "The Better Angels of Our Nature", tem sido muito comentado. O livro mostra como a violência vem caindo ao longo dos séculos, contrapondo a percepção de que o século XX, com todas as suas barbáries, tenha sido especialmente trágico.

Antes de mais nada, afirmo que ainda não li o livro. Mesmo assim, conforme os bons artigos na imprensa internacional, posso dizer que concordo com a tese do autor. Por outro lado, recomendo certos cuidados na interpretação dessa nossa longa marcha rumo à civilidade.

O autor enfatiza o seu pensamento estatístico ao analisar a História. Isso significa - nas minhas palavras - que qualquer guerrinha com alguns poucos milhões de vítimas não vai mudar a sua tese. Matematicamente, concordo. Ou seja, a mega tendência de redução da violência não é nenhuma garantia de paz.

Ilustrando ainda melhor. Há 100 anos, estávamos às vésperas das duas grandes guerras, que fizeram juntas 70 milhões de vítimas, segundo a tabela de catástrofes humanitárias do autor.  Muito provavelmente, as suas conclusões seriam as mesmas se estivéssemos hoje em 1911. Eu sempre defendi o pensamento estatístico, mas vá ser calculista assim na...

Falando sobre o seu método. No século VIII, houve uma grande disputa de poder na China, que culminou com uma gigantesca rebelião e matança. O saldo da revolta de "An Lushan" foi de 36 milhões de mortos.  À época, a população humana estava na casa dos 200 milhões. Então Pinker corrige o número de vítimas de 36 para 429 milhões, fazendo a equivalência com a população humana no século XX, e transformando o evento na maior carnificina da História.

Na minha primeira leitura das críticas sobre o livro, esta relativização do número de vítimas chamou a atenção - confesso que fui direto aos números, depois li os textos em si. Muitos comentaristas também mostraram-se surpresos, mesmo sem discordar. Possivelmente, concordaria com a tese do autor mesmo sem a tal proporcionalização.

Pensando com meus botões, pergunto se não seria o contrário. Por que não dar um peso ainda maior para as matanças mais recentes, na medida que nos distanciamos do nosso passado selvagem e tribal. Se, ao longo da História, o mundo que ficou mais civilizado, pois desenvolveu o comércio, a diplomacia e a educação, não seria uma guerra recente mais vergonhosa do que uma remota?

Enfim, se a matemática das vidas humanas pode ser discutível, sob uma perspectiva histórica o autor está certíssimo. Mesmo que nada mude a tendência de pacificação da humanidade, em nenhum momento devemos abrir mão da nossa vigilância a fim de se evitar novas tragédias.

Não sei se o autor comentou, mas a sociedade conectada é mais uma grande ajuda para um mundo que zela pelo respeito aos direitos humanos e, portanto, caminha para a tão sonhada civilidade. E que venha ao mundo nosso sétimo bilionésimo irmão!


Foto: Em julho, estive mais uma vez em La Rochelle e Île de Ré (foto), na região de Poitou-Charentes. O tempo decepcionou para julho. As fotos acompanham os próximos posts.

Outro post interessante deste blog: É o amor!

Sunday, September 18, 2011

Whatsinaname?

A proliferação das redes wifi domésticas é tão grande que ofuscou a discussão sobre a abertura do sinal para vizinhança. A abertura em prol da inclusão foi defendida por muitos, mas desaconselhada por advogados.

Por onde ando, constato que quase todas as redes usam algum padrão de segurança. Bem, confesso que não testei a qualidade das senhas. Deixo isso para os "engenheiros sociais".

Uma discussão mais atual diz respeito aos nomes das redes. Nomes como "No Free Wi-Fi 4 U" ou "Connect to this if you want a virus" eram bem comuns como formas de se afastar os vizinhos aproveitadores. Porém, muita gente aproveitou para passar um recado mais explícito. Eis alguns casos reais documentados nos EUA:

- "stoplettingyourdogshitonmylawn"
- "wecanhearyouhavingsex"
- "partyatapartment564comeandbringbeer"
- "turndownyourmusic"
- "needaman"

Há também mensagens com conotação política: "killhealthcare", "betterthanbush" e "palinsux". Além das religiosas: "jesussaves", "godisfake" e "endofdays".

Um debate animado pela Slate questionava se mandar um recado para o vizinho dessa forma é melhor do que a abordagem direta. Minha resposta: Depende. Mas tenho certeza de que, na próxima vez que for batizar a sua rede, será mais criativo. Enquanto isso, veja se não tem nenhum recado da vizinhança para você.


Foto: Outra de Lyon, tirada em junho último. As estufas do parque da Tête d'Or, onde costumo correr e raramente levo a máquina fotográfica.