Monday, June 1, 2026
O puxadinho de 1 bilhão de euros
Saturday, November 21, 2020
GPS
Remexendo as coisas aqui em casa, achei um aparelho GPS abandonado há anos. Carreguei e liguei. Como ele não pôde receber o sinal dos satélites, então mostrou o lugar onde fora desligado pela última vez, a saída da minha garagem em Lyon (2010).
Graças à minha determinação em conhecer cada buraco a até 3
horas de Lyon, precisei muito dele. Eu tinha um GPS embutido no painel do carro,
um luxo à época. Posteriormente, adquiri um outro, conforme relato a seguir. Houve
um grande mercado de aparelhos GPS, derrubado pelos poderosos smartphones e suas
fantásticas aplicações, tal qual o onipresente Waze.
Até meados de 2008, contava apenas com o GPS do carro. Foi na
primavera daquele ano que parti para explorar a Franche-Comté. Chegar a
Besançon é fácil, mas precisaria do GPS para visitar uma dúzia de atrações da
vizinhança: a capela de Rondchamp (Le Corbusier), o Leão de Belfort (Bartholdi),
a Salina Real (Ledoux), as diversas fortalezas de Vauban e assim por diante.
No dia seguinte à chegada, liguei o carro para começar a
aventura. Ops, um probleminha! Naquela manhã fria, o carro pegou, mas o GPS
empacou. Depois de alguma insistência, compreendi que ele só tinha o mapa do
sul da França. Eu estava fora do mapa!
Fazendo um breve parêntesis, era impossível baixar um novo
mapa online. Além disso, cada mapa extra era tão caro quanto um Tomtom
carregado com a Europa inteira. Pouco depois da viagem, optei pelo Tomtom, mais
fácil e intuitivo do que o GPS do carro.
Voltando à viagem. Sem o GPS, o jeito foi fazer como sempre
foi feito. Comprei um mapa no posto e prestei atenção na paisagem e nas placas.
Passei a dirigir observando e pensando, ao invés de seguir cegamente o
dispositivo. Tudo funcionou com perfeição.
Quando voltei ao Brasil, já estávamos na era do Waze. Embora
o maior objetivo do aplicativo seja ganhar tempo – e isso funcionou super bem –
acabamos viciados e dependentes do mesmo. Sempre tem uma desculpa para usá-lo:
o trânsito, os radares, uma dúvida com relação ao caminho, etc.
E por que falar de GPS numa época em que estamos com os
carros ociosos na garagem? Por duas razões. Primeiro, como disse no começo do
post, em tempos de pandemia uma das minhas atividades é fazer ‘arqueologia em
casa’. Foi assim que descobri o GPS.
A segunda razão, e mais importante, é que a pandemia propiciou
uma convivência mais intensa e constante com minha esposa. Parte dessa
interação foi ouvir inúmeras aulas dos cursos que ela tem feito desde o começo
do ano, vários deles focados no envelhecimento.
Então, foi meio de penetra, que ouvi uma especialista em
cognição falar da importância de se abandonar os aplicativos de direção para
melhor estimular o cérebro. Deixe-o capturar as referências, processar as
alternativas e encontrar os caminhos. Este pequeno exercício intelectual faz
parte de um conjunto de estímulos essenciais para mantê-lo saudável. Embora não
seja uma unanimidade, segundo diversos especialistas, tais estímulos somados às
boas práticas de saúde podem até prevenir demências.
Percebendo que o trânsito de São Paulo está piorando, mas
ainda longe dos piores dias do período anterior pré-pandemia, aproveitem para
deixar o Waze desligado. #ficaadica
Foto: Outra tomada de Oia, do interior do hotel, se é que
podemos falar de interior. Santorini, 2016.
Friday, October 30, 2020
Hotel boutique
No ano de 2016, o meu retorno para o Brasil já estava agendado
para o final de julho. Aproveitei o primeiro semestre para passear bastante. Não
desperdicei nenhum dos feriados, sobretudo aqueles do generoso mês de maio: Trabalho,
Armistício de 1945, Ascensão e Pentecostes.
- O que faremos no feriado prolongado de cinco dias? – indagou
minha esposa.
- Vamos ver se tem algum lugar legal, que a gente não conheça,
no máximo a 3 horas de vôo daqui (de Bruxelas). – Respondi de imediato.
Estávamos em casa, então, no computador, abri uma janela
para procurar passagens e outra para procurar hotéis. Em menos de dez minutos,
disse: Vamos para Santorini, na Grécia!
Abri uma terceira janela e busquei imagens de Santorini no
Google. Mostrei as fotos para minha esposa, que ficou instantaneamente encantada
e ansiosa pela viagem.
O vôo era da TUI, uma operadora alemã que fazia a rota
Bruxelas-Santorini, com uma escala em outra ilha grega. O hotel parecia ser um
daqueles com status de “boutique”, mas com preço bem razoável. Não perdi muito
tempo na reserva, pois tinha várias viagens para organizar.
Meu colega Thierry, apaixonado pela Grécia, ensinou algumas
palavras. A dica mais importante era a pronúncia correta da localidade de
Santorini onde estava o hotel: Oia, pronuncia-se “ía”.
Essa viagem foi um pouco depois dos atentados no aeroporto de
Bruxelas, que ainda estava um caos. Felizmente, deu tudo certo. Já relatei o episódio
do aluguel de carro em Santorini no post “A mãe do
taxista”.
A principal rua de Oia é fechada para carros. Do
estacionamento até o hotel não deu 100m. Não vimos o hotel em si, apenas uma
placa com seu nome. Fomos na sua direção.
Apesar da beleza do cenário, era tudo um pouco estranho. Uma
coisa é ver a cidade no mapa, outra é andar por lá. Diversos hotéis não têm
estruturas visíveis ao nível da rua, eles são construídos no terreno em
declive.
Diante da suposta entrada do hotel, identifiquei-me ao
suposto atendente. Instantes depois, aparece um garçom com duas taças de
champagne. Pera aí, servir champagne antes mesmo de entrar no hotel?!
A extrema gentileza chamou a minha atenção. E como, daquele
ponto, não via o hotel em si, pensei que estivesse caindo numa cilada. Sim, um
golpe! Disse para minha esposa grudar nas malas.
Só relaxei na medida em que descíamos as infindáveis escadas
barranco abaixo. Também percebi que aquilo era mesmo um hotel boutique. Cada
quarto parecia ser cavado na rocha com terraço e piscina privativos. A paisagem
de Santorini ao fundo deixava o cenário espetacular.
Estava aliviado. Porém, a essa altura, já estava com outra
pulga atrás da orelha: quanto tinha pago pelo hotel? Lembrava-me de um preço
bem razoável. Quando vi o tamanho do quarto, o incômodo deixou de ser um
simples incômodo e passou a ser uma certeza. Disse para minha esposa: Fiz alguma
grande cagada na reserva do hotel!
Preferi nem olhar a reserva. Daí em diante, sabiamente,
desencanei. Passei a aproveitar o lugar deslumbrante. Só fui conferir a reserva
na véspera do checkout, quando confirmei a minha suspeita. O que eu pensava que
fosse o preço da estadia completa era o preço de uma diária!
Aquele deslize transformou-se num dos nossos melhores cinco
dias. Uma viagem inesquecível. Além das doces lembranças, guardei a conta do
hotel boutique como souvenir.
Leitura complementar:
Post de 2016 – A mãe do
taxista
Foto: Acima, visão panorâmica Oia, a partir de um dos inúmeros terraços. Abaixo, entrando no hotel.
Ufa! Até que enfim consegui casar
o texto com as fotos.
Tuesday, July 21, 2020
Viajante
Já falei sobre muitas coisas neste blog e minhas viagens estão
entre os temas recorrentes. Até mesmo a proposta de ilustrar cada post com uma
fotografia tirada em algum lugar do mundo mantém a ligação deste blog
com as viagens.
Graças à longa pausa deste blogueiro, acumulei um estoque de
fotos capaz de ilustrar milhares de novos posts. No entanto, a minha maior
inquietude é se e quando vamos voltar a viajar.
Por um golpe de sorte, comecei o ano com umas boas férias.
Voltei ao Brasil quando o epicentro da pandemia se instalava na Europa e a situação
saía do controle na Itália. Foi por pouco!
Não faltam ideias e convites de viagem para o próximo ano.
Também não faltam dúvidas: será seguro? teremos vacinas? os brasileiros serão
aceitos sem restrições? Acredito também que o setor aéreo passe por uma
tremenda reestruturação, impactando nossos hábitos de turismo.
Minhas viagens pessoais e profissionais dos últimos vinte
anos simbolizam um pouco desse mundo anterior à pandemia. Viagens para lá e
para cá, malas quase sempre prontas, passaporte na mão, etc.
No começo, tudo parece charmoso. Acumulam-se milhas, sobe-se
na hierarquia da fidelidade das companhias aéreas, hotéis, locadoras e trens.
Mas quando você começa a reconhecer os comissários de bordo e ser tratado pelo
nome em todo lugar, talvez já tenha viajado demais.
Enfim, aquela época em que cruzávamos o planeta para uma simples
reunião pode ter acabado. Deixei claro neste
blog que sou contra um movimento brusco das empresas para acabar com seus
escritórios e ficarem no 100% virtual. Já com relação às viagens, acredito que usar
e abusar das telecomunicações parece razoável. Mesmo que seja apenas pelo bem
do planeta.
Foto: Voltando à Viena, o majestoso palácio de Schönbrunn, residência de verão
principal dos Habsburgos, de meados do século XVIII até o final da Segunda
Guerra.
Monday, August 15, 2016
Olímpicas
No meu celular tem um aplicativo de SOS com números de emergência e alertas específicos para cada país. O aplicativo usa a geolocalização para saber quando estou num novo país. Cada vez que entro na Bélgica, Brasil ou França, recebo inúmeras advertências. Na Croácia, Eslovênia e Hungria, nenhum alerta. Portos seguros para as férias.
Nesses três países, entre um passeio e outro, pude acompanhar os Jogos Olímpicos pela TV e jornais locais. Entendia tudo! ;-)
Esses canais locais concentram-se nos seus representantes e equipes, com algum espaço para as estrelas olímpicas (Biles, Bolt, Phelps, etc) e pouco espaço para fofocas. Enfim, muitos dos incidentes esmiuçados pela imprensa brasileira pouco repercutiram no exterior.
A câmera que cai, a piscina verde e os assaltos aos atletas ficarão no folclore olímpico. Se houve algum evento relevante, não tem nada a ver com o Brasil. Falo da posição do COI com relação à Rússia. Isso sim é um desastre. A gente já sabe como funciona o COI, faltam culhões e sobram milhões.
Passada metade da competição, o desempenho esportivo do Brasil é patético. Não que as medalhas sejam importantes, mas o dinheiro alocado para obtê-las faz disso um escândalo. Apenas mais um.
Espero mesmo que não haja nenhum incidente importante e que os próximos dias sejam de encantamento esportivo e organizacional. Assim como vocês, estarei torcendo pelo Brasil. E que consigamos resultados mais expressivos, muito provavelmente nos esportes coletivos.
Foto: Belle-Île-en-Mer, como o próprio nome diz, um belo refúgio na costa da Bretanha.
Wednesday, March 30, 2016
Patrimônio
Alguns brasileiros chegam aqui com a memória do filme Os Caçadores de Obras-Primas (2014), que destaca justamente duas notáveis obras de arte em exibição nessas cidades. Vale conferir a Madonna de Bruges (Michelangelo) e o Retábulo de Ghent (Jan van Eyck) para entender porque os nazistas tanto fizeram para roubá-las.
O filme não é nenhum clássico, mas levanta uma questão interessante. Até que ponto colocamos vidas em risco para salvar um patrimônio cultural? Como arbitrar entre pinturas, esculturas ou edifícios e vidas humanas? A resposta não é simples.
Com a reconquista de Palmira pelas tropas de Assad, fala-se num esforço mundial para se reconstruir o que foi um grande patrimônio da humanidade. Há muitos meses que penso em Palmira. Só não escrevi antes em respeito às centenas de milhares de vítimas da Guerra da Síria.
Colocamos alguns bilhões para restaurar os danos causados pelo Exército Islâmico às ruinas de Palmira ou resolvemos os problemas dos refugiados? Como arbitrar?
Palmira foi condenada há muito tempo. Se os Assad não fossem ditadores sanguinários, poderiam ter feito desse incomparável sítio arqueológico uma “mina de ouro”. A renda seria suficiente para garantir a sua preservação, prosseguir nas escavações e ainda sobraria um troco para a família. Assad, pai e filho, no entanto, preferiram ver estrangeiros fora do seu país.
O Exército Islâmico destroçou Palmira e saqueou os tesouros do Iraque. O Taliban destruiu os Budas gigantes do Afeganistão. A Al-Qaida arrasou Tombuctu. O terrorismo islâmico não é brincadeira, destrói o passado e aterroriza o presente para que não haja futuro.
Foto: Nas férias do verão passado, à caminho da Bretanha, pit-stop às margens do Sena.
Monday, August 17, 2015
Férias
Saturday, February 22, 2014
Mercado
Tomo dois exemplos recentes de coisas que estão mais perto da gente do que a contratação de trens, um caso francês e outro brasileiro.
Paris é conhecida pela falta de táxis. Se você não estiver a fim de usar o transporte público, vai depender da loteria que é achar um táxi livre pelas ruas da cidade. Quando achar, ainda existe a chance de que o motorista recuse a viagem. Ah, sim! Isso é muito comum por lá.
O preço do táxi francês é controlado, como em muitos lugares do mundo. O problema está na oferta. A união dos taxistas transformou aquilo num clube fechado. O número total de veículos permanece o mesmo há muito tempo. Um novo motorista só entra se um outro sair e ainda pagando um prêmio de 200 mil euros. Apesar das investidas do governo, a categoria resistiu e não deixou aumentar a frota.
A saída do governo foi criar o serviço de locação de carros de turismo com motorista. Parece complicado? Na prática, é quase a mesma coisa do que o bom e velho táxi. A diferença é que não existe a possibilidade de chamá-los sinalizando-se para o motorista, usa-se exclusivamente a Internet, algo que, por sinal, também tem se tornado comum entre os táxis. Vários serviços como Allocab e Snapcar começam a comer o mercado pelas bordas e transformar Paris numa cidade tão boa para os negócios como é para o turismo.
Já o governo brasileiro tem uma mentalidade diferente. Todos estão alarmados com o aumento dos custos de hotéis e restaurantes em algumas sedes da Copa. Nosso governo está aparelhando-se para o controle de preços ao invés de ter trabalhado para aumentar a oferta há alguns anos. Tarde demais para revogar a lei da oferta e da procura!
Vou ao Maracanã participar da grande festa. Tive que me contentar com um bate e volta de São Paulo. Achei absurdo pagar bem mais de mil reais por noite em hotéis de segunda.
O Rio é mesmo um caso à parte, mas não precisava ser o lugar mais caro do mundo. Mesmo sem Copa e sem Olimpíadas, a cidade já tinha diárias monegascas. Não é novidade para ninguém que existe um cartel de hotelaria na cidade.
Enfim, os grandes cartéis corporativos são manchetes de jornais e alvos de multas milionárias. Mas, no dia a dia, são os pequenos cartéis que nos esfolam.
“People of the same trade seldom meet together, even for merriment and diversion, but the conversation ends in a conspiracy against the public, or in some contrivance to raise prices.”
Foto: Outro cantinho de Amsterdam, foto tirada nas minhas férias de 2013.
Sunday, September 22, 2013
Montezuma
Primeiro dia em San Sebastián. Depois de ter andado o dia inteiro, estava cansado e faminto. À tarde, fiz uma pausa naqueles bares de pintxos (as tapas do país basco). Não caiu muito bem. Dessa vez, queria um jantar de verdade, um restaurante mais tradicional para sentar-se à mesa e escolher um bom prato de um cardápio cheio de opções.
Sabia que era um pouco cedo para os padrões ibéricos. Ainda na orla da praia principal, a 500m do hotel, passei por dois restaurantes bem cotados. No primeiro, perguntei se poderia entrar. A recepcionista respondeu: "o restaurante ainda está fechado, aceitamos reservas para 8:30 em diante". Eram 8:20!!
Não foi apenas pelos 20 centavos. Não foi apenas pelos 10 minutos. Atravessei a rua e fui para o outro. Acolhido por uma sorridente garçonete, estava satisfeito. Sentei-me e abri o cardápio. A mocinha voltou e alertou: "segunda-feira só servimos pintxos". Grrrrrhhh!!!
Em viagem tudo é pitoresco, tudo vira história para ser contada, como disse num post anterior. Bem, mas tem uma coisa que pode ser engraçada depois, mas na hora não é nada agradável: passar mal.
Depois de ter conhecido inúmeras cidades do extremo oriente ao extremo ocidente, conclui que sofro de um Mal de Montezuma às avessas. Ao contrário daquele que vingou os mexicanos dos seus conquistadores, padeço na Espanha.
Mesmo com a renomada cordialidade e hospitalidade espanhola,Vigo (2005), Madrid (2007) e San Sebastián (2013) me derrubaram. Meu instinto diz que é melhor evitar as tapas com jamón ibérico na próxima vez.
O episódio de Vigo virou lenda entre meus colegas. Estávamos em petit comité, prestes a tomar decisões importantes. No jantar de segunda-feira, brindaram-nos com um banquete fantástico. Nunca tinha visto tamanha diversidade de moluscos, crustáceos e peixes na mesma refeição. Parecia uma aula de biologia marinha. Se não fossem os esclarecimentos do orgulhoso anfitrião, nem saberíamos o que estávamos comendo.
O resultado da farra gastronômica foi percebido nos dias seguintes. Caímos um a um. A quinta-feira foi inesquecível. Dois nem conseguiram sair do quarto. Um colega fazia sua apresentação contorcendo-se de dor. Um outro, desde então, nunca mais comeu ostras. Enfim, a semana foi demolidora. A memória da intoxicação coletiva eclipsou as lembranças do belo Parador, da cidade e de tudo o que a gente fez por lá.
Foto: Um dos canais Bruges. Nos próximos dias, estarei novamente entre Bruxelas e Bruges. Se tiver alguma foto interessante, continuo a série. Senão, viro esta página.
Saturday, June 8, 2013
Petit comité
Em compensação, no final de ano, serei o anfitrião. Faremos um "petit comité" no Brasil, assim como em 2011. Não será nem em São Paulo nem no Rio. Sempre temi impor uma conexão pelos nossos aeroportos aos meus 20 a 30 convidados estrangeiros. Mas, dessa vez, vou encarar. Afinal, eles estarão prontinhos para a Copa ;-)
Fiz uma pequena lista de critérios desejáveis para a escolha da sede da nossa reunião e abro mão apenas de um deles: 1- proximidade à praia; 2- hotelaria de primeira; 3- possibilidade de se sair do hotel a pé em segurança; 4- existência de algum lugar histórico relevante a 90 minutos no máximo; 5- existência de opções de restaurantes e bares nas proximidades; 6- local a uma conexão aérea de SP ou Rio mais translado rodoviário de até 2h.
Não adianta pensar num resort magnífico. Resorts não agradam a todos. Uns dizem que são todos iguais e a diferença entre estar no Brasil, no Caribe ou na Polinésia acaba sendo minimizada. Outros detestam ficar "trancados" num hotel, por melhor que seja.
Enfim, parece fácil, mas não é. Fácil é perceber o quanto o Brasil deixa de aproveitar o seu potencial. Se tiver alguma sugestão, comente o post ou escreva diretamente para mim. Até breve!
Foto: Terminando a sequência de imagens do Château de Vincennes, eis a sua Sainte-Chapelle.
Sunday, June 2, 2013
Viajantes
Com brasileiros viajando pelos quatro cantos do mundo, não é raro que me peçam sugestões para suas férias europeias. Tenho ajudado vários amigos com muito prazer. Às vezes, uso as fotos que ilustam este blog como apoio.
Entre as inúmeras consultas, especialmente sobre a França, uma das mais recorrentes é sobre os campos de lavanda. Já decepcionei muitos, informando que não adianta visitá-los em abril, maio ou setembro, pois quebrarão a cara. Lavanda é só de 15 de junho a 15 de agosto!
Em 2007, cheguei a um dos mais fantásticos cartões postais da França, a abadia de Sénanque, dia 16 de agosto. Tarde demais. Por sorte, já havia visitado outros campos de lavanda, até mais fotogênicos. Voltei à abadia em 2010.
Sempre conectado e com os guias Michelin, errei pouco na França. Na Itália, foi pior. Algumas atrações merecem reserva ou compra de ingresso antecipada. Por exemplo, a Galleria degli Uffizi em Florença e a Igreja Santa Maria delle Grazie ("A última ceia" de Leonardo) em Milão. Nada grave. Quebrei a cara mesmo, ao chegar às vinícolas de super toscanos de Bolgheri e descobrir que fecham para visitas em agosto :(
De uma forma geral, a minha experiência de turista tem sido ótima. Mesmo quem não quer a coleção dos guias Michelin, tem a Web inteira para evitar surpresas. De qualquer modo, as surpresas de férias viram sempre boas histórias para serem contadas.
Foto: Mais uma do Château de Vincennes, em Paris.
Saturday, July 28, 2012
Hotel 2
2008 foi meu ano de hotel. Passei 80% das noites daquele ano fora de casa - à época, em Lyon. Já no começo de 2009, era "Platinum" e "Diamond" em vários dos quase inúteis programas de fidelidade das companhias hoteleiras.
Felizmente, foram viagens bem organizadas, com uma certa antecipação e duração média de uma semana. Digo isso, pois 80% das noites pulando de um hotel para o outro poderia estressar qualquer um.
Foi justamente no período 2008-2009, que experimentei três vezes a sensação de acordar e não saber onde estar. Abrir os olhos e não reconhecer o lugar. É estranho, mas não é ruim. Possivelmente, devo ter dormido muito bem. Como uma pedra.
Eram feriados, quando eu fugia para não ficar em Lyon, onde tudo fechava. Preferia aproveitar para conhecer algum canto da França ou da Europa. A sequência de viagens e o cansaço natural devem ter propiciado as condições para dormir daquela forma e levar alguns segundos a mais para reconhecer onde estava.
Precisaria de muitas páginas para contar momentos pitorescos passados em hotéis ao longo dos últimos anos. Como por exemplo:
- Um dia de poltergeist em Punta del Este: Em cerca de 20 minutos, queimaram-se duas luminárias, a TV e a fonte do meu computador. A essa altura, nem arrisquei a pegar o telefone para pedir ajuda.
- A sinfonia do amor em Londres: Não estava num motel, mas num classudo hotel londrino. E justo na noite na qual precisava dormir bem, os casais dos quartos vizinhos estavam inspiradíssimos e sonoros. Quarto da direita, quarto da esquerda e o de cima também. Pegar o telefone para reclamar? Não, isso é sacanagem!
- Dia de DSK às aversas em Paris: Foram vários, sobretudo em Paris. Naqueles poucos segundos exatamente antes ou depois do banho, quando estamos desprevenidos, o quarto é invadido por algum funcionário do hotel. Me lembro de três situações em que os invasores eram mulheres. O pior de tudo é que elas nunca mais ligaram nem mandaram e-mail... Snif... Snif...
Foto: Última tomada no Templo de Mármore de Bangkok.
Tuesday, July 24, 2012
Hotel 1
Ontem, um dia depois de ter chegado da Europa, passei numa lavanderia paulistana para pegar um pacote de roupas deixado uma quinzena antes. Sabia que deveria pagar R$ 56,80. Separei de antemão uma nota de cinquenta, uma de cinco e 1,80 em moedas. Mais tarde, no estabelecimento, a gentil atendente reagiu: "Sr., essas moedas são de euros!".
Tenho viajado muito. E, por falar em viagem, além de somar milhas, conheci muitos hotéis. Neste post, comento três problemas comuns, que encontro por aí.
1) Wi-fi
Qualquer espelunca oferece conexão wi-fi, o problema é a banda disponível para cada hóspede. Numa época em que facilmente conectamos até três aparelhos na rede do hotel, é preciso se rever os conceitos. Bons hotéis precisam de conexões poderosas. Já foi o tempo em que o serviço de acesso à Internet era um luxo, dirigido para executivos estressados ou nerds solitários. Hoje, é um serviço essencial.
Já vi hotéis que recebem convenções e eventos profissionais falharem nesse quesito. Aquela rede compartilhada por centenas de pessoas nos faz lembrar do já extinto acesso discado. Imperdoável! Mereceriam perder uma estrela!
Mesmo um hotel voltado ao turismo deve proporcionar uma conexão razoável. Tarefas como falar com a família pelo Skype, fazer check-in no próximo vôo ou buscar as informações sobre os locais a serem visitados são rotineiras.
Um dia (e esse dia está chegando) ainda pagaremos para ficar completamente desconectados. Será uma espécie de tratamento de choque contra o excesso de conectividade. Mas, não é o caso deste comentário.
2) Ar condicionado
Já encontrei muitos brasileiros na Europa questionando o funcionamento do sistema de ar condicionado em certos hotéis.
Começo esclarecendo que o gosto europeu pelo condicionamento é diferente do nosso e, sobretudo, dos americanos. É algo que varia de pessoa para pessoa, mas, em média, eles preferem ambientes com temperaturas bem mais elevadas, tanto no verão como no inverno.
Inúmeros hotéis, bem razoáveis por sinal, têm sistema único de aquecimento e refrigeração. Assim, no inverno, a tubulação espalha ar quente. No verão, ar frio. Sim, é só um de cada vez! E não adianta reclamar pois, em alguns lugares, a mudança quente/frio e vice-versa é feita apenas duas vezes por ano.
Outros hotéis são mais flexíveis. Basta pegar o gerente do hotel delicadamente pelo pescoço e gritar que não está pagando 200 euros por dia para dormir na sauna!
3) Check-out
As redes de hotéis brasileiras e europeias precisam copiar as americanas, que aboliram o check-out há tempos. Para ser justo, há umas poucas exceções.
Estou reclamando por 10 minutos de espera? Para mim, aqueles minutos em pé na hora de ir embora parecem uma eternidade. De qualquer modo, se o hotel pode fazer seu cliente ganhar esses minutos, então, por que não?
Foto: Ainda passeando pelo Templo de Mármore de Bangkok.
Tuesday, April 10, 2012
Consulado
As matérias recentes sobre o encontro de Dilma e Obama mencionam a flexibilização da concessão do visto americano aos turistas brasileiros. Em tese, já poderíamos estar isentos desta exigência, graças ao bom balanço das viagens dos brasileiros aos EUA.
Entretanto, na prática, a máquina de vistos é uma fonte de arrecadação considerável do Departamento de Estado dos EUA. Não dá para abrir mão dessa receita. Pelo contrário, agilizar a máquina e inaugurar mais dois consulados no Brasil significa aumentá-la ainda mais.
Bom para os brasileiros que querem viajar, bom para o comércio da Flórida e bom para a Hillary Clinton cumprir seu orçamento.
Foto: Em Chicago, na eclusa entre o Rio Chicago e o Lago Michigan.
